Portugal fecha Europeu no 19.º lugar

Apesar do desempenho menos conseguido, Portugal chegou ao derradeiro encontro com os Países Baixos, que foram a revelação do grupo B, com hipóteses de se qualificar para a 'main round', possibilidade que se esfumou nos derradeiros segundos.

Seguir Autor:

• Foto: Reuters

A seleção portuguesa de andebol terminou no 19.º lugar o Euro2022, em Budapeste, na Hungria, sem qualquer vitória, falhando o objetivo da segunda fase, dois anos após o sexto e melhor resultado de sempre.

Apesar do desempenho menos conseguido, Portugal chegou ao derradeiro encontro com a Holanda, que foram a revelação do grupo B, com hipóteses de se qualificar para a 'main round', possibilidade que se esfumou nos derradeiros segundos.

Numa edição marcada pelos condicionalismos impostos pela covid-19, que limitaram a preparação, bem como pelas ausências, por lesão, de André Gomes, Luís Frade, Pedro Portela e João Ferraz, Portugal jogou em crescendo, mas não chegou.

O central Rui Silva, que terminou a segunda fase como segundo jogador com mais passes (634 e com uma eficácia de 99,5%, dado que só falhou três), só superado pelo holandês Luc Steins (694), o pivô Victor Iturriza e o ponta António Areia foram os jogadores em destaque na equipa lusa.

António Areia e Victor Iturriza, que marcaram 14 golos nos três jogos, foram os principais marcadores da seleção portuguesa, tendo ainda sido os jogadores mais utilizados pelo treinador Paulo Jorge Pereira, respetivamente com 137 e 134 minutos.

Os pontas Leonel Fernandes e Diogo Branquinha foram os que fizeram os 'sprints' mais rápidos, constando do sexto e sétimo lugar do 'ranking' da primeira fase, com 8.69 e 8.65 metros por segundo. António Areia, com 10,97 km, foi o que mais correu.

A seleção lusa estreou-se a perder frente à Islândia (28-24), que terminou a primeira fase invicta, numa partida em que denotou debilidades físicas, que se refletiram no posicionamento defensivo e no fraco rendimento ofensivo, em que marcou apenas 10 golos na primeira parte.

No segundo jogo, frente à anfitriã Hungria, perante mais de 20 mil espetadores na Arena de Budapeste, a seleção lusa discutiu o jogo até ao final, mas acabou por perder, de forma inglória, com um golo nos derradeiros segundos (31-30).

Passando a não depender de si, mas a ter que contar com ajuda de terceiros, algo que foi conseguido pelo triunfo da Islândia frente à Hungria, Portugal iniciou o jogo decisivo com a Holanda com a possibilidade de se apurar.

A seleção nacional, que ao intervalo perdia por 17-13, recuperou de um atraso que chegou aos cinco golos, aos 20-15, para uma vantagem mínima de um, aos 31-30, mas não teve a sorte pelo seu lado nos segundos finais, favoráveis aos holandeses.

A falta de consistência do jogo da equipa das 'quinas', que também se pode queixar da exclusão forçada de Gilberto Duarte após ter marcado o 31-30, por alegadamente ter impedido a reposição rápida da bola, acabou por ditar a terceira derrota (32-31).

Na sua sétima presença em fases finais do Europeu, Portugal não foi além do 19.º lugar, entre 24 seleções, e volta a sair de uma fase final sem qualquer ponto somado, tal como nas edições de 1994 e 2006.

Portugal acolheu a primeira edição da prova, em 1994, mas não escapou ao 12.º e último lugar, com cinco derrotas em igual número de jogos, apesar de ter cedido dois pela margem mínima, frente à Hungria (19-18) e à Eslovénia (23-22), tendo ainda perdido com a Suécia, futura campeã, por 26-21.

A primeira vitória de Portugal surgiu na segunda participação no torneio, em 2000, na Croácia, precisamente, sobre a Eslovénia, e também de forma tangencial (28-27), numa edição em que se impôs ainda à Islândia (28-25) e terminou no sétimo posto.

A seleção nacional assegurou a presença em quatro Europeus consecutivos, dando continuidade aos bons desempenhos em 2002, na Suécia, onde o triunfo robusto sobre Israel (26-15) proporcionou a passagem à segunda fase, na qual três derrotas relegaram Portugal para o nono lugar.

Portugal ainda se apurou para o Europeu de 2004, na Eslovénia, despedindo-se no 14.º e antepenúltimo lugar, tendo conseguido empatar com a Croácia (32-32), e de 2006, na Suíça, no qual terminou na 15.ª e penúltima posição, com três derrotas.

A seleção lusa parecia ter consolidado a sua posição na elite do andebol europeu, mas o decréscimo de rendimento nas duas últimas presenças na fase final do Europeu deixava já antecipar a queda competitiva, que se confirmou num 'jejum' de 14 anos.

De regresso em 2020, Portugal surpreendeu a Europa da modalidade com o apuramento para o jogo de atribuição do quinto e sexto lugar, do qual saiu derrotado frente à Alemanha (29-27), após somar quatro vitórias, duas das quais frente às candidatas França (28-25) e Suécia (35-25).

No Euro2020, a seleção portuguesa, com os quatro triunfos registados, dobrou o número de vitórias que tinha alcançado, até então, nas cinco edições anteriores, mas agora voltou a ficar em branco.

Ao ser afastada da 'main round' do Euro2022, a seleção portuguesa fica obrigada a disputar a primeira ronda de qualificação europeia para o Mundial de 2023, a realizar na Polónia e na Suécia.

Avançaram para a fase principal Dinamarca e Montenegro (grupo A), Islândia e Holanda (B), França e Croácia (C), Alemanha e Polónia (D), Espanha -- detentora do troféu -- e Suécia (E) e Rússia e Noruega (D).

Pela primeira vez na história dos campeonatos da Europa, os dois países organizadores, Hungria e Eslováquia, foram afastados na primeira fase.

Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Premium ver exemplo
Ultimas de Andebol
Notícias
Notícias Mais Vistas