Jorge Costa: «Mínimo olímpico já me custou 500 contos»

Jorge Costa: «Mínimo olímpico já me custou 500 contos»
• Foto: Vasco Célio

Aos 43 anos, Jorge Costa obteve o mínimo olímpico nos 50 km marcha, ao classificar-se em 13º lugar na Taça do Mundo, na Alemanha, com 3h 55m 31s. Passará a ser o mais velho atleta português (na modalidade) a estar nuns Jogos Olímpicos, sucedendo a José Magalhães, que tinha 41 anos quando participou nos Jogos de Barcelona'1992. "Sempre acreditei que conseguiria os mínimos. De outra forma, não passava o que passei nestes quatro meses", refere o atleta algarvio, carteiro de profissão. "Desde Janeiro só trabalhei 18 dias.

Juntamente com o Pedro Martins [12º na mesma prova, com dois segundos de vantagem sobre ele], fiz dois estágios de altitude, um na Serra Nevada e outro em Tenerife. E, nos intervalos, treinámos em Monte Gordo. Os dois juntos tiramos muito maior proveito dos treinos, do que se estivéssemos um na Guarda e outro no Algarve. E como até temos um valor semelhante... Assim, por exemplo, tornou-se muito mais fácil fazer cinco séries de 5000 metros, com cada um a puxar à vez. E os treinos longos, de três horas e meia ou três horas e 45 minutos, tornaram-se menos monótonos." Os dois marchadores, que em Atenas farão os 50 km, treinaram uma média de quatro horas por dia (duas mais duas), somando entre 650 e 700 quilómetros por mês. "Nunca treinei tanto na vida. E tudo correu bem, sem lesões nem doenças. No ano passado, uma gripe antes da Taça da Europa havia deitado tudo a perder...."

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Toda esta preparação saiu do bolso de Jorge Costa, que não está englobado na PREPOL. "Quando estou em estágio não recebo dos CTT. Só gasto. Quase não trabalhei estes meses, mas meti na cabeça que seria olímpico e os gastos seriam secundários. Ainda não fiz bem as contas, mas seguramente que uns 500 contos já voaram, de Janeiro até agora. E mais vão voar..." Mas Jorge Costa, que agora vai ter mais apoios, não dá por mal empregue o dinheiro que gastou ou deixou de ganhar. "Já ganhei a minha medalha olímpica, que foi fazer os mínimos. Em Atenas, o objectivo será chegar ao fim. Depois, tudo o que vier será ganho. E todos quantos me conhecem sabem que não sou pessoa para desistir..."

«Calor de Atenas é uma vantagem»

Jorge Costa não teme o calor que se fará sentir em Atenas, onde a prova de 50 km marcha decorrerá entre as sete da manhã e perto das 11 horas. "Ainda agora, na Taça do Mundo, na Alemanha, a temperatura chegou aos 18/20 graus e houve quem se ressentisse. Mais ainda se vão ressentir em Atenas, o que pode ser benéfico para nós, que estamos mais habituados e faremos provas cautelosas".

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«Só comecei aos 34 anos...»

Para Jorge Costa, a sua longevidade como marchador muito contribuiu o facto de apenas ter começado aos 34 anos de idade. "O segredo? Muito trabalho, muito descanso, muito treino e... o facto de ainda não ter dez anos como marchador. Se tivesse começado aos 15 ou aos 20 anos, já tinha desaparecido..." Jorge Costa começou, por brincadeira, numa prova de marcha de apuramento para o Europeu de Carteiros. Foi terceiro, ficou apurado e... nunca mais parou.

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