Elisabete Lopes: «Nunca pensei em Thun. Só o meu treinador...»

Foi campeã nacional de juvenis em 1992 (à frente de Analídia Torre), mas fez depois uma longa “travessia no deserto”, chegando a passar pelo Sporting. Foi a surpresa no recente Cross de Oeiras, onde ganhou lugar na selecção feminina

Elisabete Lopes: «Nunca pensei em Thun. Só o meu treinador...»
Elisabete Lopes: «Nunca pensei em Thun. Só o meu treinador...» • Foto: Mendes Jorge

NA SELECÇÃO portuguesa que no próximo domingo participará no Campeonato da Europa de Corta-Mato, em Thun (Suíça), está incluída uma “ilustre desconhecida”: Elisabete Lopes, do Maratona. Destacou-se no Cross de Oeiras, ao ser a sexta portuguesa, o que lhe valeu a chamada para a selecção feminina. Antes, fora sexta no Nacional de Estrada, completando a equipa do Maratona, e quinta no Cross de Amora.

Elisabete Lopes nasceu há 26 anos e meio em Guimarães (onde continua a viver), iniciando-se no atletismo no JUNI (Jovens Unidos Num Ideal). Mas foi já em representação do Vitória local que se sagrou campeã nacional de juvenis em 1992, por sinal à frente de Analídia Torre, agora sua colega na selecção e no clube. Dois anos mais tarde, foi terceira no Nacional de Juniores, dessa vez a seguir a Analídia. De então para cá, apesar de uma fugaz passagem pelo Sporting (em 1996, ano em que uma lesão num joelho quase a impediu de competir), quase não se deu por ela.

Parece estar a terminar agora uma longa “travessia do deserto”, apesar de algumas boas provas que fez pelo Pasteleira (então já treinada pelo seu actual treinador, António Ascensão) e que levaram a que o Maratona se interessasse pelo seu concurso. Mas a primeira época pela equipa de Carlos Móia não foi feliz, devido a problemas nos tendões de Aquiles. “Resolvi ter mais cuidado e competir menos”, explica ao nosso jornal a atleta, reconhecida ao seu clube (bem como ao Pasteleira) por sempre a terem apoiado nos maus momentos.

“Acabei à vontade...”

A chegada à selecção foi uma surpresa para ela. “Eu não acreditava e nem queria pensar nisso, pois sou muito nervosa e não gosto de sentir pressão sobre mim. Gosto de ir para as provas liberta de preocupações...” Só António Ascensão, o treinador, acreditava. “Ele telefonou-me uma hora antes do Cross de Oeiras, dizendo-me que tinha hipóteses, que procurasse ficar entre as seis primeiras. Acabei por me sentir muito bem e acabei cheia de forças, nada cansada. Gosto de provas mais longas e quando a corrida acabou estava com vontade que ela continuasse...”

Elisabete Lopes vive em Guimarães, onde treina diariamente, duas vezes por dia, de manhã normalmente sozinha, à tarde com alguns rapazes. Duas vezes por semana, quando tem treino específico, vai até ao Porto. No resto do dia, cuida dos pais, doentes. “Felizmente, o que vou ganhando no atletismo vai dando. E o contrato que tenho com o Maratona sempre é melhor que o anterior, com o Pasteleira. Mas não tenho razão de queixa de nenhum clube por onde passei.”

No domingo, terá a sua primeira internacionalização, no Campeonato da Europa de corta-mato na Suíça. “Se irei muito nervosa? Não. Sou a sexta da equipa, terei menos responsabilidades. Vou tentar entrar na prova descontraída e dar o meu melhor...”

Sergey Lebid favorito e campeã ausente

O ucraniano Sergey Lebid, vice-campeão europeu e mundial de corta-mato, será o principal adversário dos portugueses no próximo domingo, no Campeonato da Europa a realizar em Thun (Suíça). No sector feminino, não está inscrita a húngara Katalin Szentgyorgy, campeã há um ano, à frente de Analídia Torre.

Correrão em Thun 12 dos 15 primeiros da prova masculina do ano passado. As excepções são os franceses El Himmer (3º), Ramoul (4º) e Millon (11º). Destaque, em especial, para além de Sergey Lebid, já campeão europeu em 1998 (e, claro, de Paulo Guerra, quatro vezes vencedor da competição), para o francês Mustapha El Ahmadi, quinto na época passada, quarto em 1999 e 11º no último Campeonato do Mundo. Embora sem a presença de três dos seus elementos que contribuíram para o título colectivo da época passada, a França apresenta-se novamente como candidata, graças aos seus atletas de ascendência marroquina e a... Augusto Gomes, nascido em Portugal (Armamar) e que tem feito parte, regularmente, da selecção francesa (16º no ano passado). De entre os espanhóis, destaque para Carlos Adan (6º em 2000), Chema Martinez (9º) e Alejandro Gomez (9º no Mundial deste ano).

Sandell e Weyermann

Na prova feminina, não estará a campeã em título, a húngara Szentgyorgy, mas correrão as duas outras atletas do pódio há um ano – Analídia Torre e Olivera Jevtic, a jugoslava que há quatro anos é terceira (!) – e sete das dez primeiras. As principais novidades são a finlandesa Annemari Sandell, campeã em 1995 e segunda (atrás de Paula Radcliffe) em 1998, e a suíça Anita Weyermann, campeã em 1999. Adversárias difíceis para Analídia, vice-campeã europeia, que terá ainda que contar com a francesa Rodica Maraoui, que lhe ganhou há um mês no Cross RATP, em França.

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