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"Quando era atleta já se comentava que, muito em breve, essa marca baixaria. É bom sinal"
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António Pinto e Carlos Lopes, referências portuguesas na maratona, e Dulce Félix, recordista nacional da meia maratona, enalteceram este sábado o feito inédito do queniano Eliud Kipchoge, que terminou os 42,195 quilómetros abaixo das duas horas.
"Quando era atleta já se comentava que, muito em breve, essa marca baixaria. É bom sinal, porque o desporto está a evoluir e são as grandes marcas que trazem pessoas ao estádio", referiu à Lusa António Pinto, detentor da melhor marca portuguesa (2:06.36 horas), fixada em abril de 2000, na Maratona de Londres.
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Aos 34 anos, Eliud Kipchoge, recordista mundial da distância (02:01.39 horas na Maratona de Berlim, em 2018), foi o primeiro a baixar as duas horas para completar o desafio INEOS 1.59, promovido pelo gigante inglês da petroquímica, após ter falhado o objetivo por 26 segundos em maio de 2017, numa primeira tentativa realizada em Monza.
O campeão olímpico no Rio2016 foi o único protagonista do evento não oficial decorrido em Viena e destinado apenas para aquele efeito, mas a marca de 1:59.40,2 horas, que seria recorde mundial, não vai receber homologação da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), tal como sucedeu no circuito automobilístico italiano.
"Não deixa de ser um momento histórico de um super-homem e de um superatleta. Há anos era impossível pensar nisto, mas a modalidade e o desporto têm evoluído e há cada vez mais condições para o fazer. A prova disso é que o Kipchoge teve um cenário à volta dele e vários meses de preparação para este momento", lembrou à Lusa Dulce Félix, que alcançou a 1:08.32 horas na Meia Maratona de Lisboa, em 2011.
O circuito foi preparado para o efeito, cercado de árvores, para o proteger do vento, aliado à temperatura amena na capital austríaca.
Além dessas condições, Kipchoge começou a correr às 08:15 locais (07:15 em Lisboa) atrás de um carro "corta-vento" e marcador de tempo, sendo acompanhado por 41 atletas de topo, que cumpriram a missão de "lebres" por turnos.
"Isto não acontece por acaso. A escolha do sítio e o interesse das marcas em valorizar o seu mercado levam ao surgimento destes resultados. É um feito extraordinário e uma forma de perceber até onde pode chegar o corpo humano", reconheceu à Lusa Carlos Lopes, campeão olímpico da maratona em LosAngeles1984.
O antigo recordista mundial salientou a solidez de Eliud Kipchoge, que cumpriu quatro vezes um circuito plano de 9,9 quilómetros a um ritmo constante de dois minutos e 50 segundos por quilómetro, numa velocidade de 21 quilómetros por hora.
"Só um atleta de grande nível e com um resultado na casa dos 25 minutos aos 10.000 metros consegue atingir este valor. De outra forma tinha muitas dúvidas em aceitar. Agora temos de perceber como estes resultados são feitos e valorizados e aguardar o futuro, verificando se não há nada mais por detrás disto", afirmou Carlos Lopes.
António Pinto também não coloca em causa a idoneidade física e moral do queniano, mas admite que as características do INEOS 1.59 "beneficiaram o atleta" e geram pouco consenso nas instâncias internacionais, dando como exemplo o recorde mundial da inglesa Paula Radcliffe (2:15.25 horas), fixado na Maratona de Londres de 2003, que esteve em perigo de reconhecimento pela IAAF por ter sido obtido numa maratona mista.
Tal como os dois compatriotas, Dulce Félix disse acreditar que o feito de Kipchoge inspira toda uma geração: "No final ele disse que não há limites. Foi a prova de que quando queremos, conseguimos os nossos objetivos".
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