Marcos Chuva derrotou o coronavírus e sagrou-se campeão nacional do comprimento

Atleta do Benfica diz ter estado cinco semanas sem treinar devido à sua situação clínica

• Foto: Miguel Barreira

Marcos Chuva conquistou este sábado o título de campeão nacional do salto em comprimento, mas o seu feito foi tudo menos fácil. Para lá da luta até final com Ivo Tavares, o atleta do Benfica, de 31 anos, revelou na sua página na rede social Instagram ter estado infetado com a Covid-19, algo que o fez estar sem treinar durante cinco semanas. O regresso aos treinos deu-se apenas a 1 de agosto, num processo que segundo o atleta foi sobretudo mental. Aliás, de acordo com o que Marcos Chuva partilhou, o seu treinador até se mostrou contra a sua participação, precisamente pela ausência de treinos.

"Estou de rastos, mentalmente estou abatido, ainda a recuperar. Tudo o que aconteceu foi fruto da minha cabeça, pois fisicamente não estava pronto para aquilo", começou por revelar o atleta encarnado, que de seguida explicou que o seu teste positivo à Covid-19 foi detetado foi a 20 de junho. "Estive cinco semanas isolado, confinado em casa, sem me mexer, sem fazer desporto, sem treinar, sem fazer nada. Mentalmente não foi fácil, tal como fisicamente, porque tive sintomas. Não foi um processo fácil, a juntar a este ano horrível", assumiu.

"Voltei aos treinos no dia 1 de agosto. O meu treino para a prova de hoje foi essencialmente mental. Estive a semana inteira a preparar-me mentalmente para isto. Na manhã da prova não sabia se iria participar. Ia a tempo de desistir. Mas achei que não fazia sentido. Preferia mil vezes arrepender-me de ir do que não ir. Foi aí que eu fui", lembrou.

Para o atleta encarnado, tudo o que sucedeu este sábado acabou por ser uma lição para o futuro. "Achámos que é muito fácil, muito bonito. Mas não é. É uma grande merda. Isto é muito difícil. Sinto-me de rastos mentalmente. Temos forças onde achamos que não existem. Quem me viu hoje [ontem], foi isso que aconteceu. O meu cansaço deveu-se à ausência de treinos, devido às cinco semanas de Covid-19. Isto faz-me pensar em tanta coisa. Que aos 31 anos, no meu dia de aniversário, ainda me consigo superar. Não há sensação melhor do que isso. Optei por não estar com a minha família para me preparar para esta prova. Não sabia ao que ia. Tinha um medo gigante em relação a como iria gerir isto. Vim com a sensação de que tudo ainda faz sentido, mesmo quando estamos lá no fundo. Só quero deixar uma mensagem de que nós às vezes assistimos a um mundo nas redes sociais que pode não ser o verdadeiro. Há todo um backstage na nossa vida que só nós conhecemos", assumiu.

"Este ano tem sido horrível, mas não podia ter feito melhor escolha do que passar o meu dia de anos a competir. Não desistam, se quiserem algo, sigam em frente, porque somos mais fortes do que achamos. O que saltou hoje foi a minha cabeça, que o meu corpo não esteve lá", concluiu.

Por Fábio Lima
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