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Em entrevista ao 'Expresso', atleta do triplo salto que deu a Portugal um ouro olímpico fala também do "virar de costas" do Benfica e do "abandono" do treinador
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Nelson Évora reconhece, de primeira, o "momento mais difícil" que viveu na sua carreira de atleta de triplo salto. "Foi em 2016, em que o clube do meu coração [Benfica] vira-me as costas e o meu treinador de toda a vida [João Ganso] também. Vira-me as costas, abandona-me. Num momento que já era de crise, sou obrigado a emigrar. Temos sempre alguma culpa em tudo o que nos acontece. Hoje, com a experiência que tenho, a única culpa que tive foi o facto de ter permitido que isso me afetasse tanto. O Benfica era a minha vida, o professor Ganso era como um pai e o carinho que sentia por parte de todos, vi-o tão frágil. Foi muito difícil ter de passar por tudo isso e realmente sentir que não valia de nada. Uma simples manipulação de retóricas, e de pontos de vista, tornou-me numa pessoa tão desagradável, tão má... Foi um momento muito difícil, porque poucos meses depois perdi a minha mãe, depois de já ter perdido o meu pai em 2011. Fui vítima quase de tentativa de "assassinato", não sei qual o termo jurídico que se usa, pelo qual passei nesse período e aí, sim, bati no fundo. Tive realmente de pedir ajuda psicológica, já estando em Espanha. E foi melhor coisa que fiz", recorda ao 'Expresso'.
Em entrevista ao semanário, não ficou obviamente de fora as polémicas em que se viu envolvido com Pedro Pichardo. "Essa rivalidade não fui eu que a criei, não fui eu que a alimentei, simplesmente quis dar um ponto de vista de realmente aquilo que é mais valioso: que é ser português, que é viver em Portugal, que é integrar-se na nossa realidade. Todas as pessoas que vêm de fora têm de o fazer. Para a minha família, graças a Deus, não foi difícil, porque são de origem cabo-verdiana. Os cabo-verdianos vivem e comemoram as mesmas datas religiosas. A cultura é muito parecida com a portuguesa. Sem dúvida o Pichardo é um talento enorme, é dos melhores triplo saltadores da história, conquistou tudo aquilo que eu conquistei e mais algumas coisas. Com as minhas palavras quero dizer que, em termos desportivos, tiro o chapéu a tudo aquilo que ele é como desportista. Agora, acho que institucionalmente cometemos o erro de achar que vale tudo a troco de medalhas no imediato. Porque depois essas medalhas vão traduzir-se em quê? Que profundidade podemos dar a essas medalhas para os nossos jovens? O que dizemos para as próximas gerações? Absolutamente nada. Porque as pessoas que me conhecem sabem que o que mais desejei em toda a minha carreira era um Pedro Pichardo em Portugal. Sempre me queixei de ser único. Do ponto de vista desportivo, dava todas as minhas medalhas, todas, para poder voltar atrás e poder repetir tudo com o Pedro Pichardo cá, porque não iria conquistar o que eu conquistei, eu iria conquistar muito mais. (...) Sempre ansiei por rivalidade. É o oposto. Sempre desejei que houvesse 10 Pedro Pichardos aqui em Portugal. Porque a única forma de crescermos é estarmos fora da nossa zona de conforto e sermos constantemente postos à prova".
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