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O SPORTING foi o primeiro clube a anunciar oficialmente as duas transferências de maior peso com o ingresso de Carlos Silva e Maria do Carmo Tavares, mas o maior protagonismo vai para o clube de Carlos Móia, que aceitou nas suas fileiras Domingos Castro, que representou os leões durante dezasseis anos. Esta é a transferência do ano, que originou alguma polémica com as declarações proferidas pelo ex-sportinguista em conferência de Imprensa. Domingos trocou os treinos em Alvalade pelo Estádio Nacional e o seu treinador dos últimos anos, Bernardo Manuel, por Rafael Marques, que tem orientado a carreira de Paulo Guerra e Eduardo Henriques, entre outros.
Como coordenador técnico do Maratona, Rafael Marques explica, finalmente, os porquês das contratações e as grandes opções do clube.
-- Foi o Maratona que precisava do Domingos Castro ou o Domingos Castro que precisava do Maratona?
-- Custa-me ver que em Portugal haja tão bons atletas e que não lhes seja dado o devido valor. E também me custa ver que os clubes tenham tantas dificuldades, que alguns até acabem com a alta competição, e que a Federação esteja de braços cruzados. O problema que se colocou a Domingos Castro foi só um: como estava iminente a saída do Sporting, e a primeira opção que ele tinha era para ir para o Pão de Açúcar, no Brasil, o Maratona entendeu que o Domingos era uma mais-valia. O presidente do Maratona, Carlos Móia, falou com o prof. Moniz Pereira e tudo foi acordado. Realmente era uma pena ver um bom atleta português correr por uma equipa estrangeira.
-- Mas o Maratona não precisa do Domingos Castro para ganhar o Nacional de corta-mato. O José Regalo saiu do Sporting, a Conforlimpa aposta na estrada. A ideia é mais um capricho para dizer que o Maratona é o clube que dispõe de mais dinheiro e é o "rei" no meio-fundo português?
-- O Maratona comemora este mês dez anos da sua vida e ao fim destes anos já não precisa de andar a correr atrás de títulos nacionais. Há algum tempo que ultrapassámos essa fase de afirmação. O nosso clube hoje em dia olha mais para o futuro. Os títulos já dizem pouco. O que nos interessa é formar atletas, projectá-los internacionalmente e com eles conquistar medalhas. É bom para os atletas, bom para o Maratona e é óptimo para o País.
-- No entanto, a equipa de meio-fundo do Maratona está envelhecida e não há ninguém novo que possa despontar. Onde é que está a vossa formação?
-- O atletismo não é futebol. Quando se conquistam medalhas nas grandes competições ninguém olha para o bilhete de identidade dos atletas. A nossa filosofia é essa: proporcionar condições para que o Maratona seja a rampa de lançamento internacional dos seus atletas. É que eles antes de estarem no Maratona poucas medalhas tinham.
-- Todos os clubes têm escolas, fazem formação. O Maratona, mesmo sendo um clube de meio-fundo, não tem escalões de formação. Acaba sempre por ir contratar atletas a outros clubes...
-- O Maratona não se pode sobrepor à Federação. A nossa política é clara. Apostamos nos melhores e formamos os melhores. Isso das escolas de atletismo é outra conversa. Aliás, o panorama que está à vista não é nada brilhante. Todos os dias aparecem notícias nos jornais a dizer que os clubes não têm dinheiro para manter os seus atletas. O Pasteleira acabou com a alta competição e o Maratona ficou com a Marina Bastos e Helena Sampaio, o Benfica está com imensos problemas e há mais saídas que entradas de atletas, o Belenenses também diz que vai fechar as portas e o Sporting há muito que já não investe no meio-fundo e há alguns problemas internos por os atletas estrangeiros estarem a ganhar bom dinheiro. E vejo que a Federação está de braços cruzados.
A VISÃO DE CARLOS MÓIA
-- É um dado adquirido, portanto, que o Maratona nunca será tentado a entrar no atletismo total?
-- Esse modelo do atletismo total tem os dias contados. Ninguém consegue ter dinheiro para fazer uma equipa minimamente competitiva para ir ao Nacional da I Divisão e tentar ganhar ao Sporting. É um campeonato sem interesse. Tudo isso está ultrapassado e a perspectiva tem de ser diferente. O nosso presidente, Carlos Móia, há muito que vislumbrou qual era o futuro do atletismo.
-- As contratações que vocês fazem ou a manutenção de alguns atletas acaba por entrar em contradição com a política de apoio aos melhores. Afinal, para quê tantos atletas?
-- O Maratona no sector de meio-fundo e fundo vai ser o clube que esta temporada irá dar mais atletas à selecção nacional. Acho que está tudo dito. E depois não digam que isso não é formação. Formação também é investir, apoiar, projectar e quando chega a hora de representar Portugal, a Federação recebe os atletas de mão beijada.
«MARATONA DA MAIS ESTÁ MAIS FORTE»
-- Também no sector feminino, o Maratona da Maia reforçou-se e com o ingresso de Marina Bastos e Helena Sampaio deixou pouca margem de manobra. Qual o interesse?
-- É preciso renovar e preparar o futuro. A Marina e a Helena são duas boas atletas e ninguém pode duvidar disso, pois nos últimos anos muitos clubes andaram atrás delas. O Maratona da Maia está mais forte para encarar os próximos desafios.
-- Altera-se alguma coisa no quadro da coordenação técnica do clube ou o Bernardino Pereira manterá essa posição?
-- O Maratona sempre deu preferência a quem está dentro de casa para decidir em primeiro lugar. A Direcção é soberana, mas pela minha parte acho que tudo deve continuar como está.
-- Chegou-se a falar em tempos na possibilidade de o Maratona da Maia se fundiu com o Maratona Clube de Portugal. Essa hipótese ainda está em aberto? -- Só o nosso presidente, Carlos Móia, é que pode adiantar algo. Sei que os contactos com o prof. Vieira de Carvalho têm dado os seus frutos, ele é uma pessoa da casa e tem ajudado o clube, mas tenho de reconhecer que o Maratona tem dado muito à cidade da Maia.
«NÃO SEI SE A FEDERAÇÃO APOSTA NO PAULO GUERRA»
-- A partir de agora, e com a transferência do Domingos Castro do Sporting para o Maratona, você passa a ter dois maratonistas a lutar por um lugar nos Jogos de Sydney. Quem é que está mais bem posicionado, Paulo Guerra ou Domingos Castro?
-- Essa pergunta não está totalmente correcta, uma vez que todos os atletas precisam de fazer mínimos ou confirmá-los ao longo do ano. Neste momento ninguém poderia dizer qual era a selecção. Portanto...
-- Mas o António Pinto lidera o "ranking" com 2.09 h, em Londres, e o Luís Novo foi quarto classificado no Mundial, em Sevilha. Daí que as opções sejam mais limitadas.
-- A Federação Portuguesa de Atletismo definiu os seus critérios relativamente à maratona e o mínimo que conheço é de 2 horas e 12 minutos e o Luís Novo em Sevilha não fez o mínimo que foi estabelecido entre a FPA e o Comité Olímpico de Portugal. Compreendo que a FPA queira colocar o Luís Novo no Projecto Sydney, tem todo o direito, mas não pode, desde já, ocupar um lugar fixo na maratona para Sydney.
-- Mas a FPA espera uma resposta da IAAF nessa matéria e até se justifica tendo em atenção as condições difíceis em que foi a maratona de Sevilha, onde, por sinal, só o Abel Anton fez o mínimo internacional e se a posição da IAAF for coincidente com a da FPA, o Luís Novo tem todo o mérito em ser escolhido para Sydney...
-- Essa situação ainda não é definitiva, os atletas terão de correr uma maratona no próximo ano e depois falaremos sobre os candidatos aos três lugares em Sydney. Só espero é que as regras sejam bem claras e que ninguém seja favorecido.
-- Em sua opinião, afinal, quem irá aos Jogos Olímpicos de Sydney à maratona?
-- Não é por serem atletas do Maratona, mas essa é minha posição. O António Pinto, Paulo Guerra e o Domingos Castro.
-- E o Luís Novo?
-- É um candidato.
-- Falemos agora do Paulo Guerra. Ele fez uma única maratona, a de Berlim, mas dá a ideia de que ainda não é um maratonista de eleição. Acha que ele tem condições para se tornar num maratonista de nível mundial?
-- O Paulo Guerra só disse que queria ir à maratona nos Jogos Olímpicos de Sydney. Que eu saiba não disse mais nada.
-- Mas considera que tem potencialidades para ser um bom maratonista. Você que é o seu treinador, acha que ele deve abandonar o crosse para se dedicar quase em exclusivo à maratona?
-- O Paulo Guerra não vai deixar de fazer crosses. Vamos ver como ele se irá adaptar na segunda experiência na maratona. Ele pode pensar que tem hipóteses de quer ser maratonista, mas vamos ver. Uma coisa é ser maratonista, outra é querer ser. Há ainda alguma diferença.
-- Quais são as possibilidades que o Paulo Guerra tem de defender o terceiro lugar no Mundial de corta-mato, que no próximo ano é em Vilamoura?
-- Responder a essa pergunta, neste momento, é um bocado complicado. O Paulo Guerra, eu como seu treinador e o Maratona estão a criar condições para que ele possa ter as melhores condições para se preparar para o Mundial de corta-mato. Já investimos na recuperação física do atleta, foi tratado em Londres e aguardamos que tudo corra bem. Mas há coisas que não controlamos. E não sei se pelo lado da Federação começam a estar criadas essas condições para que daqui a algum tempo não possam surgir entraves. E dou-lhe alguns exemplos. A pista de crosse do Estádio Nacional está com problemas no piso. Há locais por onde não se pode passar, o percurso só pode ser utilizado em metade e ninguém parece querer ligar àquilo. Estamos preocupados com isso. E outro exemplo é que o posto médico que a Federação tinha no Estádio Nacional de apoio aos atletas que estão na preparação olímpica deixou de funcionar desde há algum tempo. Não há fisioterapeuta, massagista. E se houver lesões, a recuperação é tardia. É por isso que digo que não sei, francamente, se a Federação está a criar as melhores condições para o Paulo Guerra defender com êxito a medalha de bronze no Mundial de corta-mato, que vai ser em Portugal.
NORBERTO SANTOS
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