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Vítor Ricardo Santos: «Contactei a Federação para me dar a conhecer»

VÍTOR RICARDO SANTOS, O NOVO RECORDISTA DE 400 METROS, vive em londres

Vítor Ricardo Santos: «Contactei a Federação para me dar a conhecer»
Vítor Ricardo Santos: «Contactei a Federação para me dar a conhecer» • Foto: epa

Filho de pais angolanos que emigraram para Inglaterra quando tinha 2 anos, Vítor Ricardo Santos, nascido em Lisboa há 19 anos, foi sensação em 2012, quando foi “descoberto”, e confirmou este ano, ao chegar finalmente ao recorde nacional de 400 metros, que bateu por duas vezes no recente Europeu de Zurique: 45,81 na eliminatória e 45,74 na final. Pela primeira vez um português baixou dos 48 segundos (o anterior recorde era de Carlos Silva, com 48,11 desde 1996) e o atleta, que esta época se transferiu do Sporting para o Benfica, esteve à beira de ser finalista: foi o melhor dos eliminados nas meias-finais.

“Comecei no atletismo em 2009, com 15 anos, mas só comecei a levar as coisas a sério há dois”, começou por contar. “Antes do atletismo ainda pratiquei futebol (era guarda-redes) mas queria fazer algo de diferente da maioria dos miúdos e por isso mudei para o atletismo. Mas só ia treinar uma ou duas vezes por mês, era – e ainda sou – preguiçoso, depois das aulas preferia ir para a cama...”

Até que, aos 17 anos, Vítor Ricardo Santos ouviu os conselhos do seu treinador de então, em Londres, um antigo triplo-saltador. “Disse-me que tinha boas possibilidades e que, para isso, teria que treinar a sério.” A progressão foi rápida e, no primeiro ano de júnior, chegou aos 47,73 aos 400m. “Sendo português e desejando representar a Seleção, contactei a Federação e, através do técnico nacional do sector, Carlos Silva, consegui o que ambicionava.” Foi nesse ano ao Mundial de juniores.

Dois anos depois, foi sem surpresa que foi selecionado para o Europeu. Partiu com a marca de 46,27, marca feita três semanas antes. “Sabia que era capaz de correr bem mais rápido. Daí que o meu grande objetivo era baixar dos 46 segundos. Bastava 45,99, mesmo que fosse 6.º ou 7.º e ficasse eliminado. Mas, depois de ter feito 45,81, ‘desligando’ nos últimos 50 metros, ao ver que estava à frente e com a passagem garantida e mesmo assim baixei dos 46 segundos, comecei a pensar que no dia seguinte ainda poderia ser melhor. E na meia-final, sim, dei tudo o que podia.”

E o atleta explicou: “Em Zurique alterei a minha forma de correr. Antes começava com cautela para terminar forte. Aqui comecei logo mais rápido. Em Portugal diz-se que nos 400m se deve ‘partir a matar e chegar a morrer’. Foi isso que eu fiz e bati mais uma vez o recorde nacional. Se tivesse ido à final ainda o bateria outra vez. Não tinha nada a perder, era só dar tudo.” E, a concluir: “Só foi pena ter conseguido a 7.ª marca mais rápida da meia-final e não ter sido apurado para os 8 finalistas, mas o atletismo é assim.”

Objetivo agora é superar recorde nacional indoor

Vítor Ricardo Santos ainda vai falar com o seu treinador para decidir se ainda fará ou não provas esta época. Mas, para a próxima, já tem objetivos definidos. “Não quero prometer muito, mas penso estar em Pequim, no Mundial, e, antes, fazer o Europeu de pista coberta e tentar bater também o recorde nacional. O recorde está em 46,80 e, sem treino de pista coberta, fiz este ano 47,37. Em Inglaterra só fiz uma prova de pista coberta, no início de fevereiro. Não fazia ideia como se corria lá. Depois, em Portugal, fui-me adaptando e melhorando nas duas outras que fiz. Fui aprendendo... Agora que já sei como se deve correr em pista coberta, acho que poderei baixar o recorde nacional.”

Coração dividido entre Benfica e Manchester United

O coração de Vítor Ricardo Santos divide-se entre Benfica e Manchester United. “A minha família é toda do Benfica e eu também sempre fui adepto do clube. Claro que quando ingressei no Sporting eles não gostaram muito, mas o atletismo no clube tem mais história. Embora, presentemente, seja o Benfica a dominar... Em Inglaterra sou Manchester United e às vezes, quando tenho tempo, vou lá ver os jogos de futebol.” Só que se for “forçado” a escolher entre os dois clubes do coração, o jovem velocista não esconde a preferência pelos red devils. “Se houver um Benfica-Manchester United? Aí, confesso, torço pelo Manchester!”, afirma.

«Sporting não pagou despesas»

O primeiro português ligado ao atletismo que Vítor Ricardo Santos conheceu foi Carlos Silva, técnico nacional de 400m, também treinador do Sporting. Daí a entrada no clube de Alvalade, embora fosse benfiquista, por influência da família. Um ano e meio depois (no início desta época) deu-se a mudança.

“Aquilo de que mais necessito em Inglaterra é de apoio médico, que é caro. E o Sporting não me deu. Disseram-me que ajudavam mas enviei o recibo dos tratamentos, disseram-me que o perderam e nada pagaram. O Benfica dá-me um subsídio mensal superior – e isso nem é o mais importante, pois a minha mãe, com quem vivo (o meu pai foi para Angola), sempre me ajudou – e, além disso, paga-me rapidamente todo o apoio médico.” O atleta continua a representar o Thames Valley, da 2.ª Liga inglesa, e o Benfica em Portugal. “A diferença? O Benfica paga e o Thames não dá nada.”

Treinado por Christie

O treinador de Vítor Ricardo Santos é, desde há dois anos, o antigo campeão olímpico, mundial e europeu de 100 metros, Linford Christie. “Quando o conheci, por indicação do meu antigo treinador, que entretanto teve que ir para a Austrália, Christie disse-me que se eu, que era treinado por um antigo triplo-saltador, conseguia 47 segundos aos 400 m, com ele a orientar-me certamente que chegaria aos 44 segundos.” Segundo o atleta, o antigo velocista “é muito brincalhão” e “aprecia que nós gostemos do treino”. E explica: “Estou com ele seis vezes por semana, de manhã.”

Vítor Ricardo Santos tirou um curso de informática de dois anos, mas na época passada suspendeu os estudos, pois quis apostar unicamente no atletismo. Mas, entretanto, foi convidado por uma universidade norte-americana para ir para lá. “Ainda vou pensar nisso, pois não gostaria de deixar o meu treinador. Vamos a ver o que decido, estou a hesitar entre ir em janeiro ou em setembro do próximo ano.”

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