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O triunfo (53-46) da AB Lisboa frente a AB Santarém, num jogo carregado de emoção e com várias reviravoltas no marcador, a formação da capital confirmou a supremacia total na Festa do Basquetebol. Após o jogo que encerrou a 18.ª edição do evento, o selecionadores Carlos Alberto Oliveira e Luís Filipe Cordeiro analisaram a partida, em declarações a Record, bem como o desempenho global das respetivas seleções distritais.
O que é que sentiu quando viu Santarém virar o marcador? "Eu não sofro com isso porque já ando há muitos anos no basquete. Nesses momentos, eu fico sempre à espera da reação da outra equipa e espero que a minha equipa consiga reagir. A minha equipa ficou um bocado apática e já estavam alguns miúdos a perder o controlo. Tanto que eu andei à procura de uma equipa que estabilizasse o nosso jogo e que conseguisse defender. A nossa equipa é melhor que a adversária em termos individuais, mas o basquete é um jogo coletivo e quem falhar mais não ganha."
O que é que disse aos jogadores nesse momento? "Disse-lhes para se concentrarem, fazerem o que temos trabalhados e não andarem só à procura da bola. A dada altura, andávamos só a correr atrás da bola e depois queríamos decidir muito rápido quando a equipa não estava emocionalmente estável. Isso resultou em muitas perdas de bola e lançamentos sem sentido e por isso fui à procura do cinco que me garantisse mais estabilidade."
Como avalia esta equipa que ergue mais um título? "Esta equipa tem bons jogadores individualmente, tem jogadores muito bons tecnicamente, mas falta-lhes conseguirem equilibrar-se emocionalmente. Se conseguirem ultrapassar isso, teremos vários jogadores a jogar na Liga no futuro."
O que representa para a AB Lisboa (ABL) o pleno de vitórias em todos os escalões? "Isto signfica que a ABL tem de continuar a trabalhar e os clubes também, visto que são a sua base de sustentação. De qualquer modo, o que é importante é que os clubes trabalhem em prol da evolução dos miúdos e uma das coisas que se tem visto na ABL e que nos temos focado mais em trabalhar os miúdos do que em pensar nos resultados. Isso é importante porque os miúdos têm de saber estar no dentro de campo. Além disso, desejo que este grupo se mantenha unido e que continue a evoluir na próxima etapa, que é os sub-18."
Santarém esteve perto de uma recuperação histórica. Como viveu esta final? "Nós viemos para este torneio com uma equipa de miúdos fantásticos. Já trabalho com eles há quatro anos e é de facto um grupo fantástico. Não entrámos bem no primeiro jogo frente a Lisboa, mas a partir da vitória com Aveiro foi sempre a subir. É um privilégio trabalhar com estes miúdos, porque depois foi só fazê-los acreditar que era possível. Hoje foi quase, era a cereja no topo do bolo, mas tenho muito orgulho e já não há mais palavras para descrever o que eles fizeram."
Faz um balanço da positivo do desempenho da AB Santarém na competição, alcançado uma final, além de de outras duas meias-finais? "Santarém, como uma associação mais pequena em número de atletas, tem vindo a demonstrar alguma consistência no feminino e no masculino. Já no ano passado tínhamos estado na final das sub-16 femininas. Este ano repetimos uma nova final e agora temos de olhar para a frente e continuar o trabalho que temos desenvolvido."
Espera que este resultado dê mais visibilidade às equipas do interior? "Isso é muito importante. Esta concentração geográfica que o basquetebol está a sofrer não é benéfica para a modalidade e devíamos todos refletir sobre isso."