Sérgio Ramos: «Jogadores agora têm muito mais talento»

Ex-internacional e atual treinador falou da sua enorme carreira e do momento atual da modalidade

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Sérgio Ramos: 55 pontos após contrariar Carlos Lisboa, estágio insólito no Benfica e a evolução de Neemias

Sérgio Ramos, treinador adjunto do Sporting e da Seleção Nacional e ex-internacional português, foi o segundo convidado do 'Dois para um', o podcast conjunto de Record e da Federação Portuguesa de Basquetebol que conta também, no lote de entrevistadores, com o antigo internacional português João Santos - e que pode ver na íntegra no site e YouTube de Record. Considerado unanimemente um dos melhores jogadores lusos de sempre, a sua experiência permitiu-lhe fazer um comparativo entre aquilo que era a modalidade no seu tempo e as gerações atuais.

"Eu acho que [os atletas] agora são melhores. Não sou saudosista, do género 'no meu tempo é que era bom'. Esta geração talvez seja mais sensível à crítica do que a minha. O Mário Palma, por exemplo, era duro e exigente e tive treinadores em Itália que, se fizessem hoje o que fizeram comigo, se calhar eram expulsos do clube. Mas a nível técnico, físico, conhecimento do corpo, nutrição - alguma vez eu me preocupava com o que comia?? -, sendo que hoje muitos deles têm preparador físico além do clube. As condições hoje em dia são muito melhores. Basta ver o ritmo do jogo em que marquei 55 pontos e o ritmo atual. O jogo tem evoluído, está muito mais físico, intenso e os jogadores têm muito mais talento", referiu o antigo camisola 6. Ocasião perfeita para recordar uma conversa num episódio anterior, com Diogo Ventura, sobre quem venceria de entre a geração da Seleção de 2007 e a de 2025. E, aí, Sérgio Ramos não teve dúvidas: "Se a de 2007 tiver o Sérgio Ramos no auge das suas capacidades e com as duas pernas, claramente ganhava a de 2007. Não há nenhum jogador na atual Seleção que conseguisse parar esse Sérgio Ramos."

Voltando um pouco atrás, o recorde de mais pontos marcados num jogo da Liga voltou à baila recentemente, depois de Zavian McLean, jogador do Vasco da Gama, ter apontado 53 e ter ficado perto da marca do agora timoneiro do Sporting. Ocasião perfeita para Sérgio Ramos recordar esse feito e contar como viu o desempenho do base norte-americano que, curiosamente, vai defrontar os leões no sábado.

"Era a minha terceira época de Benfica e, na semana que antecedeu esse jogo, o Carlos Lisboa, que era o treinador, pretendia que fizéssemos um movimento e eu, em vez de o completar, lançava logo e marcava. Ele chateo-me logo, 'tens de passar a bola e jogar até ao fim!'. Eu respondia-lhe que estava a marcar e entrámos num bate-boca. Não devia ter confrontado daquela maneira, ele ficou chateado e não me meteu no cinco inicial nesse jogo com o CAB. Fiquei fulo no banco, a pensar que quando entrasse ia lançar as bolas todas, para provar que merecia ser titular. Marquei 55 mas só joguei 32 minutos. E foi mesmo assim, cada vez que agarrava na bola era lançar e 1x1. Fiz 72 de valorização. No final pedia à bola ao Felipe Gomes, pois também não sabia qual era o recorde. Agora [por ocasião dos 53 de McLean], estávamos em Braga e o Diogo Ventura vem ter comigo a dizer 'oh Sérgio, vão bater o teu recorde'. Segui os últimos três minutos desse Queluz-Vasco da Gama e dizia 'epah, não lhe passem a bola'. Estou a brincar (risos). Esses 55 foram importantes porque destacaram-me também lá fora."

O topo em Espanha e as lesões

A experiência em Itália e, principalmente, em Espanha, nas ligas principais, deram a Sérgio Ramos uma dimensão internacional. Principalmente no Leida, onde atingiu o auge da sua carreira, sendo eleito jogador da jornada em várias ocasiões na ACB e ficando perto de dar o salto para o Baskonia (sem mencionar o nome), uma formação top no país vizinho e que disputa a Euroliga na atual versão. As duas lesões graves acabaram por impedir o salto. "Estava muito consistente nessa época. Faltavam cinco jogos e tinha um pré-acordo com uma equipa que agora joga Euroliga. Havia a possibilidade pois um jogador, Andrés Nocioni, dessa equipa ia para a NBA, e eu era a primeira opção. Mas em Badalona rompi o cruzado pela primeira vez...", lamentou o agora treinador. "Estive quase dois anos sem jogar e quando voltei já não era o mesmo, em que tive de aprender a jogar com o meu novo corpo, sem perna direita."

Elogios a Neemias e o futuro

Como treinador adjunto da Seleção, Sérgio Ramos tem acompanhado a evolução de Neemias. Mostrámos-lhe uma foto de 2019, num estágio em Sangalhos com o poste antes da conquista do Europeu B de sub-20, e o técnico falou do que distingue o poste dos Boston Celtics. "Percebia-se que ela diferenciado nas questões antropométricas e físicas, mas essencialmente em dois aspetos que são fundamentais: a componente psicológica e a da humildade. Nesse Europeu, ele rebentou com o joelho na meia-final e mal a lesão acontece, ele estava no banco a apoiar os colegas, sabendo que os futuros contratos podiam estar em dúvida. Quando o vi a apoiar, pensei 'ele é diferente'. A cabeça dele está muito bem assente entre os ombros".

Sérgio Ramos deixa ainda em aberto o futuro, pois admite que também gosta de lecionar, como o faz atualmente na Universidade Lusófona, na área do desporto. "Não estabeleço muitas metas como treinador, pois gosto muito de dar aulas também. Fazer só uma obriga a abdicar da outra e às vezes uma pode colidir com o desenvolvimento da outra. Já tive oportunidades para ser treinador principal na Liga, mas teria de deixar de dar aulas e ir para outra cidade. Mas não excluo nada."

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