Basquetebol: Carlos Lisboa deixa comando do Benfica

Basquetebol: Carlos Lisboa deixa comando do Benfica
Basquetebol: Carlos Lisboa deixa comando do Benfica

CARLOS Lisboa já não é treinador do Benfica. O técnico enviou uma carta à Direcção encarnada apresentando a respectiva demissão, alegando justa causa, segundo apurou o nosso jornal, junto de fonte próxima do clube da Luz.

O atraso no pagamento dos vencimentos referentes aos meses de Maio, Junho, Julho e Agosto, estará na base da decisão do treinador encarnado, que quarta-feira já não orientou o treino matinal, sendo substituído nessas funções pelo seu adjunto, Steven Rocha.

Carlos Lisboa abandona a equipa, depois de 15 anos no clube -- já se despediu dos jogadores e levou todos os seus objectos pessoais --, precisamente na altura em que regressa o Campeonato da Liga. Domingo, em Rio Maior, o Benfica defronta a Oliveirense, em jogo relativo à 12ª jornada e, no comando técnico estará Steven Rocha, o qual deverá contar com a colaboração do capitão Pedro Miguel, regressado, entretanto, dos Estados Unidos, onde foi sujeito a uma intervenção cirúrgica.

A resolução desta situação está, agora, dependente do vice-presidente para as actividades desportivas, José Manuel Antunes, que, amanhã, regressa de Cuba, onde se deslocou em viagem profissional.

José Manuel Antunes já manifestou o desejo de manter a modalidade no clube e, segundo o nosso jornal anunciou, a angariação de um forte "sponsor" (Recer, embora não confirmada), ao qual se juntarão em breve mais alguns patrocinadores, parece ter assegurado o futuro do basquetebol no Benfica. O acordo de parceria celebrado entre a Direcção encarnada e a empresa ACB, deixa adivinhar uma profunda alteração na estrutura da secção, que passa, inclusive, pela existência de um director profissional, uma exploração de "marketing" mais agressiva e uma política de descentralização, cujo jogo de domingo, em Rio Maior, é já uma consequência.

PRÓXIMO TREINADOR

Perante este quadro, é natural que se comece a perspectivar a rendição de Carlos Lisboa. A primeira opção é a de manter -- e preservar -- Steven Rocha, uma figura com história no clube e que possa servir de elo de ligação para o próximo treinador. Este aspecto parece ser encarado como determinante e o antigo jogador do Benfica é incontornavelmente a chave de todo este processo. Mesmo que a Direcção encarnada aposte num outro técnico, este deverá ter a aceitação de Steven Rocha, que, tal como Pedro Miguel, é um dos nomes que ainda resta do Benfica que fez sucesso na Europa.

Nos bastidores fala-se na possibilidade do regresso da dupla -- Mário Palma/Mário Gomes -- que guindou o Benfica aos êxitos nas competições europeias. Qualquer deles tem um bom relacionamento e admiração por Steven Rocha e isso seria o primeiro passo. Mas Palma está comprometido com a selecção de Angola até aos Jogos Olímpicos de Sydney. O que pode suceder é Mário Gomes tomar conta do Benfica fazendo dupla com Steven Rocha e na próxima temporada, ser Mário Palma o técnico principal, apoiado em Mário Gomes e Steven Rocha para o relançamento da equipa.

CARREIRA INTERROMPIDA

O dia 16 de Dezembro de 1996 marcou o início da carreira de treinador de Carlos Lisboa. Nessa data, Lisboa apresentou-se pela primeira vez no Pavilhão de S. Domingos de Rana, para orientar o Estoril Praia, equipa que disputava, então, o Campeonato Nacional da I Divisão.

Carlos Lisboa, contudo, tinha já um vínculo contratual com o Benfica, o qual o cedeu por empréstimo à formação canarinha durante a temporada 1996/97, acabando por ingressar no clube da Luz como treinador principal, no início da época 1997/98, rendendo ao seu anterior técnico, Mário Palma.

Depois de duas presenças nos "play-off", nas temporadas 97/98 e 98/99, Carlos Lisboa debateu-se, este ano, com diversos problemas para estruturar a equipa, aos quais não foram alheias as dificuldades económicas do clube e as lesões que assolaram o plantel, nomeadamente o capitão Pedro Miguel. A prolongada espera por reforços que colmatassem a ausência do base e as saídas do extremo Sérgio Ramos -- transferido para o Adecco Milão -- e do norte-americano Greg Grant -- rumou o FC Porto --, explica, em parte, a carreira menos feliz do Benfica este ano. Um nono lugar, no Campeonato da Liga, somando 14 pontos, fruto de quatro vitórias e seis derrotas, a última das quais no derradeiro jogo do Benfica, ante o Queluz (74-85), em dez jogos disputados, não estariam, de certo, nas previsões de Carlos Lisboa.

Depois de uma carreira ímpar como jogador -- é considerado unanimemente como o melhor jogador português de todos os tempos --, com diversos títulos conquistados e com a marca de 5098 pontos marcados, desde 1988/89, época em que passaram a existir dados estatísticos, Carlos Lisboa interrompe, assim, a sua, ainda, curta carreira como técnico.

VÍTOR VENTURA

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