Réplicas de armas nas mãos de crianças causam indignação

Fotografia de uma criança a empunhar uma réplica de airsoft foi rastilho para a polémica

As imagens têm quase um mês. A polémica é mais recente e ganhou força nos últimos dias nas redes sociais. Numa das fotografia vê-se uma menina, com cerca de 10 anos, equipada com a camisola do Illiabum, a segurar, sorridente, uma réplica de grande porte. Junto à atleta está um militar, enquanto outras crianças aguardam numa fila. A foto foi captada no dia 10 de junho, na festa final de minibasquete da Associação de Basquetebol de Aveiro (ABA), evento organizado em parceria com o Clube dos Galitos. As imagens, entretanto apagadas, foram publicadas na página de Facebook da ABA, numa galeria onde, além de imagens das várias atividades, via-se a fotografia descrita e outras de algumas equipas junto a uma exposição de armamento.

Os militares que se veem nas imagens são elementos do Regimento de Infantaria nº 10 (RI10), de São Jacinto, que foi convidado pela organização para promover uma das ‘estações’ do evento em que participaram cerca de 700 crianças. Dessas, a grande maioria realizou a atividade polémica (ver caixa), uma sessão de tiro ao alvo com réplicas de airsoft.

Foi isso que explicou a Record o major João Loura. "Foi solicitada uma atividade de tiro com arma de airsoft - uma modalidade desportiva e federada", diz o responsável de comunicação do RI10, informando que "também foi pedida uma parede de escalada que não estava disponível no dia". Questionado sobre se a atividade de tiro se adequa àquele público-alvo, o militar defende que "essa é uma pergunta que tem de ser feita a quem solicitou a iniciativa".

O nosso jornal ouviu também João Carlos Ribeiro, presidente da ABA, que estranha a polémica levantada tanto tempo depois do evento. "Até posso dizer que os meus netos participaram na atividade e não vejo qualquer problema nisso", aponta, assegurando que no dia da iniciativa "ninguém manifestou queixas sobre a situação".

Por seu turno, João Cura, coordenador técnico do Galitos, justifica a presença do RI10 com o envolvimento das diversas entidades locais na festa. "Surgiu a possibilidade de termos o exército a promover atividades radicais. Infelizmente não foi possível ter a parede de escalada, mas fizeram outras atividades que realizam habitualmente", desvaloriza.

Assumindo que "fotografia pode ter um impacto grande", Cura sublinha que ela "tem um contexto". "Além disso, ninguém era obrigado a fazer aquela ou qualquer outra das atividades", finaliza.

Illiabum lamenta "falta de bom senso"

Apesar de a maioria das 700 crianças que participaram na festa do minibasquete terem realizado a atividade de tiro ao alvo, é a imagem com crianças do Illiabum que está no centro da polémica. Rui Rosa Novo, presidente do clube, classifica esse facto como "azar". "A fotografia é dos nossos miúdos, como podia ser de outros", afirma, realçando que, no próprio dia do evento, "os responsáveis do minibasquete demonstraram desagrado pela presença daquele tipo de atividade". "Alguns pais impediram a participação dos filhos no exercício", garante ainda.

Nesse sentido, o líder do Illiabum, lamenta "a falta de bom senso da ABA na publicação da foto de uma atividade que levantou polémica logo no momento".

Mãe aplaude ação do exército

Sandra Simões, mãe de um atleta dos sub-10 do Esgueira, marcou presença na festa de encerramento do minibasquete e não vê qualquer problema na presença do exército num evento infantil, elogiando a interação que foi proporcionada. "A mim, apetece-me aplaudir que os militares saiam dos seus espaços para vir ao encontro da população, mostrar o que fazem e até encontrarem uma forma de interagirem com os mais pequenos", aponta.

Declarando que a fotografia da polémica não lhe pareceu chocante, a mesma mãe admite que a imagem pode ser vista com estranheza por "pessoas mais sensíveis", mas realça "não se pode descontextualizar a situação", sob pena de se cair num "excesso de moralismo".

Manuel Fernandes defende a ABA

Também contactado por Record para se pronunciar sobre o tema, Manuel Fernandes, presidente da Federação Portuguesa (FPB), afirmou desconhecer a fotografia em causa, mas defendeu a associação aveirense. "Tenho a certeza de que a ABA tem uma explicação para o caso." Assumindo que uma arma empunhada por uma criança, num evento de minibasquete, causa estranheza, o líder federativo desvaloriza, contudo, a polémica. "É uma imagem inesperada, da mesma forma que seria inesperado ver uma criança com uma galinha na mão."

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