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Há seis anos, um turista alemão deu de caras com Edy quando entrou numa mercearia na ilha de maio...
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Para Walter Tavares era um dia como os outros. Então um miúdo de 17 anos, estava na mercearia da mãe, onde ajudava a vender o que fosse preciso. Mas eis que um turista alemão entra e rapidamente fica deslumbrado: Edy tem mais de dois metros – hoje em dia são 2,21... – e as características perfeitas para jogar basquetebol, um desporto que nunca havia experimentado sequer. Estávamos em 2009. Sabem onde é que Edy anda agora? Na NBA, já que os Atlanta Hawks o chamaram esta época, depois de o escolherem no Draft da temporada passada.
Envergonhado, Walter Tavares, de 23 anos, conta a Record como tudo aconteceu. De Cabo Verde foi para Espanha e do país de nuestros hermanos rumou às terras do tio Sam. "Esse turista recomendou-me a uns amigos dele do Gran Canaria, que vieram a Cabo Verde fazer captações. Levaram-me para lá e gostaram de mim", começa por confessar, antes de explicar que os primeiros tempos não foram fáceis.
"Tinha de ir devagar, aprender o máximo possível porque o jogo é muito rápido. Tinha de correr e aprender muitas coisas para estar preparado quando chegasse a minha oportunidade", explica. Percebe-se, até porque nunca tinha pegado numa bola de basquetebol durante toda a vida: "Jogava andebol e futebol. Não sabia nada de basquetebol... Sabia que existia o Michael Jordan!", conta-nos Tavares, entre risos.
Evolução sustentada
Com família atenta em Portugal, Walter demorou dois anos até se estrear no basquetebol espanhol. Foi na La Palma, do 2.º escalão, cedido pelo Gran Canaria. Começou a melhorar até que se impôs no Gran Canaria, da Liga Endesa, altura em que os Atlanta Hawks não conseguiram ficar indiferentes. Já nem as lesões causam problemas. "Sinto-me muito bem fisicamente, já levo dois anos sem me lesionar e sem falhar nenhum jogo. O meu corpo sente-se muito bem", revela, após sentir dificuldades ao início. Certo é que aquele dia na mercearia abriu-lhe verdadeiramente as portas para o Mundo.
Guarda-roupa era tema complicado
Ser um autêntico gigante não é especialmente fácil na pequena Ilha de Maio, em Cabo Verde. Segundo Walter Tavares, não havia muita roupa nem ténis que lhe servissem, pelo que era preciso a ajuda da família no estrangeiro. "Destacava-me por ser tão alto. Chamava muito a atenção das pessoas na rua. Sou tímido, não gosto de estar no centro das atenções", sublinha, antes de confessar que nunca imaginou chegar até aqui. "Não acreditava que fosse ser escolhido no Draft ou que ficasse em alguma equipa. Nunca tive a confiança de que iria acabar na NBA", refere o poste, que nos revelou as suas referências: "Marc Gasol porque é muito inteligente. Mas os meus colegas Paul Millsap, Al Horford e Tiago Splitter também, claro... Gosto muito da minha equipa!"
Rumo à D-League para ter minutos
Ainda ‘verde’, Walter Tavares tem sido pouco utilizado nos Atlanta Hawks. No entanto, o técnico Mike Budenholzer já manifestou estar impressionado com o progresso do cabo-verdiano e teve oportunidade de o testar na D-League, aquela que se pode chamar de 2.ª divisão da NBA. Ao serviço dos Austin Spurs e Canton Charge, acumula médias de 10 pontos, 9 ressaltos e 2.6 desarmes de lançamento por jogo, tendo sido chamado novamente para os Hawks. "Ir para a D-League não é baixar de nível. Penso que ajuda muito a crescer. Todos os dias aprendo coisas novas e tenho de fazer isso. Vou para aprender, fazer muitos jogos e preparar-me para o futuro", explica o gigante.
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