Michael Jordan confessa-se: um "Deus disfarçado", o "egoísta" Pippen e o dia em que quis desistir

Segundo episódio d'"A Última Dança" lembra também o descontentamento com companheiro de equipa

• Foto: Reuters

Depois de o primeiro episódio do documentário 'The Last Dance' nos ter mostrado a base - a transição do título de 1996/97 para a temporada 1997/98 -, o segundo começou por revelar o descontentamento de Scottie Pippen com a organização e a forma como Michael Jordan teve de lidar com a ausência do seu "companheiro favorito" no início da temporada e acabou com uma autêntica guerra aberta que houve entre o próprio MJ, em 1985/86, e o front office dos Chicago Bulls devido a uma lesão. Guerra essa que acabou em exibições históricas nos playoffs desse ano que, desde então, ainda não foram ultrapassadas.

Começando por este segundo ponto, Michael Jordan vinha de uma temporada em que liderou a equipa em pontos, assistências, ressaltos e roubos de bola, tendo ganho o prémio de Rookie do Ano, e estava a preparar-se para levar os Bulls novamente aos playoffs. No terceiro jogo desta temporada, contra os Golden State Warrios, Jordan lesiona-se com gravidade. "Saltei para apanhar a bola, caí com a planta do pé. Fizeram o TAC e detetaram uma fratura no pé esquerdo. Estava feito! Sei que irritei muita gente, porque estava ansioso para voltar", referiu. Até aí, MJ nunca tinha falhado um jogo na carreira, desde a escola até à NBA e, de um momento para o outro, tinha falado 64.

"Estava ansioso para voltar. Voltei à universidade, comecei a fazer um contra um, dois contra dois, três contra três, cinco contra cinco e os Bulls nunca souberam. Mas eles
Jordan no banco com gesso
 perceberam que o meu gémeo lesionado estava mais forte do que o saudável. Foi aí que eles perceberam", lembra. Depois disse, o médico disse que havia 10% de se lesionar novamente se voltasse a jogar e a dúvida persistiu porque o franchise não queria arriscar a saúde do jogador que, pela primeira vez, estava a dar-lhe vida, isto porque esses 10% significavam o fim da carreira de Jordan.

"Estavam todos a ver o lado negativo, enquanto eu estava a ver o positivo", recorda. Foi o então que o dono, Jerry Reinsdorf lhe perguntou: "Se tivesses uma dor de cabeça terrível e eu te desse um frasco com dez comprimidos, nove curam-te e um mata-te. Tomavas o comprimido?" Ao que Jordan respondeu: "Depende de quão forte for a m... da dor de cabeça!" MJ queria jogar, mas a organização não queria arriscar. Até que chegaram a um acordo de... sete minutos por parte. O jogador mais talentoso da Liga nó podia jogar 14 minutos. Podia estar a fazer algo monstruoso, como estava frente aos Indiana Pacers numa partida decisiva de apuramento para os playoffs, mas quando a buzina soava... tinha de sair, senão quem pagava era o treinador, que seria despedido se não fizesse. Nesse jogo faltavam 31 segundos e os Bulls perdiam por um e precisavam de ganhar. Com Mike no banco, o herói foi Paxston, que colocou os Bulls no oitavo lugar.

Por causa dessa limitação, Jordan entrou em colisão com a direção porque não queria acreditar que a equipa o estava a reter de modo a perder mais jogos e, desse modo, conseguir uma escolha mais alta no draft. Jordan frisou várias vezes que não queria fazer parte de um franchise que pensasse assim, porque a sua mentalidade não o permitia: "Quero ganhar sempre, porque só assim é que cria uma equipa que possa ganhar campeonatos."

Chegados os playoffs, o limite de minutos foi abolido e Michael Jordan estava numa 
Os 63 pontos nos playoffs
missão porque pela frente estavam os todo-poderosos Boston Celtics de Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish e Bill Walton. Mesmo assim, o objetivo era parar aquele 23, mas o próprio Bird admite: "É impossível parar os grandes. Há grandes marcadores de pontos, mas ele era de outro nível." Apesar dos 49 pontos de MJ, os Bulls perderam e, no dia seguinte, Jordan fez uma partida de golfe com o adversário Danny Ainge e o que se viu no dia seguinte foi história. Mike marcou 63 pontos e estabeleceu o recorde de pontos marcados por um jogador num jogo dos playoffs. Conseguir levar o jogo para o segundo prolongamento, mas os Bulls caíram novamente. Em relarção a esta exibição, Larry Bird, um dos melhores de sempre, é claro: "Aquilo não era o Michael Jordan. Aquilo era Deus disfarçado de Michael Jordan."

O descontentamento de Pippen

O próprio Jordan diz que tudo seria impossível sem Pippen e depois de tantos anos de empenho, Scottie 'fartou-se' de se sentir prescindível para a organização e queria receber
Jordan e Pippen
 mais porque, apesar de ser o segundo melhor jogador da equipa, era apenas o sexto que mais recebia. Por isso, para marcar uma posição, decidiu adiar uma operação a um tendão de um dedo do pé esquerdo para aproveitar aproveitar o verão e, depois sim, ser operado e recuperar durante a temporada. A situação escalou tanto que o 33 pediu para ser trocado.

Jordan revelou que sentiu que o seu braço direito "estava a ser egoísta", mas percebia o porquê de o estar a fazer, no entanto estava a colocar a equipa em risco. Foi nesse momento que MJ pegou nos Bulls pelo colarinho substituir o 33 teria de partir de todos, porque estamos a falar de um dos melhores jogadores da Liga.    

Pippen era uma superestrela, mas foi sempre visto como apenas a sombra de Jordan. Estes minutos que lhe foram dedicados mostraram que era muito mais do que isso. Mostraram que, como MJ disse, "quando se fala do Jordan, tem de se falar no Pippen".

As lutas com o irmão Larry

Outra história que Jordan revelou foi a das várias lutas que teve com o irmão Larry que, quando eram mais novos, era melhor jogador do que o próprio Mike, mas quando o mais novo ganhava... o mais velho não se continha e batia-lhe. "Não estaria onde estou hoje sem os confrontos com o meu irmão. Quando lutamos com alguém que amamos, isso incita toda a paixão que temos. E eu sentia estava a lutar com ele pela atenção do meu pai. Quando vivemos isso é traumático, porque queremos essa aprovação, mas usei isso para me motivar ainda mais", lembrou, passando depois uma entrevista com o "Mister Jordan", de 1993, no qual o pai recordava esses momentos: "Às vezes era impaciente e dizia para ele voltar para as saias da mãe, que não ia ser nada na vida. Mas se querem ver o melhor dele, digam-lhe que algo é impossível ou que alguém é melhor do que ele", disse, sendo que, meses depois, foi assassinado.

O dia em que pensou desistir

Quando ainda era muito novo e estava a começar no basquetebol, Michael fez treinos de captação na escola de Wilmington, de onde era natural, e foi dispensado da equipa. "Cheguei a casa a chorar, disse à minha mãe que tinha sido cortado e que não queria praticar mais desportos", recorda, mas frisa que a mãe nunca o deixou desistir e convenceu-o a treinar durante o verão. Nesse período cresceu mais de 10 centímetros e tornou-se no melhor jogador da equipa. Melhorou tanto que os treinadores universitários já o consideravam o melhor jogador nos Estados Unidos.

Os próximos episódios do "The Last Dance" estreiam na madrugada da próxima semana, à 1h00 no ESPN+ e às 8h00 no Netflix.

Por Pedro Filipe Pinto
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