Rui Oliveira está de 'olho' na primeira etapa da 52.ª Volta ao Algarve, numa época em que o único objetivo do ciclista da UAE Emirates é vencer a 'contar' e em que espera ter uma oportunidade nas clássicas.
"[Vencer uma etapa] era um sonho, ainda para mais em casa, mas temos de ter atenção que este ano, se calhar, é das corridas do Algarve que tem mais sprinters de topo. Podemos contar quatro ou cinco ao nível que podem ganhar etapas na Volta à França e em todas as corridas a sprintar, e mais outro leque", ressalvou.
Por haver "15, 20 ciclistas" que podem vencer uma das duas etapas vocacionadas para sprinters nesta 'Algarvia', Rui Oliveira nota que "vai ser muito complicado" erguer os braços, mas não vai deixar de tentar, começando já hoje em Tavira, onde em 2024 foi segundo atrás do 'colosso' Wout van Aert.
"Sinceramente, tem sido das chegadas que me tem corrido melhor e nesse ano estive perto. Também é uma chegada que é muito nervosa, tem de se ter uma boa colocação, mas também tem de se ter um pouquinho de sorte. Se calhar, nestes últimos anos tive um bocadinho dessa sorte e da ajuda dos meus companheiros. Vai ser complicado, mas estou com olhos nessa", admitiu em entrevista à agência Lusa.
Contra si, o gaiense de 29 anos tem a forma que "não é aquela que deveria ser" após ter enfrentado uma gastroenterite nos últimos dias, mas a seu favor tem o conhecimento da 'traiçoeira' Avenida Zeca Afonso, onde hoje terminam os 183,5 quilómetros da primeira etapa, que começa em Vila Real de Santo António.
"Alguns deles [adversários], se calhar, é a primeira vez que fazem essa chegada, e eu já tenho um pouco a noção e a calma de saber quando passar para a frente. [...] Vou tentar usar essa minha experiência nessas chegadas para conseguir estar na frente e discutir a corrida", anteviu.
Contente por estar na Volta ao Algarve com o 'esquadrão' português da UAE Emirates -- também alinham na prova o gémeo Ivo e António Morgado, além do líder João Almeida -, Rui Oliveira espera que, finalmente, a equipa consiga a vitória final, depois de ter estado na luta em anos anteriores.
"É praticamente das únicas oportunidades que temos para correr os quatro. Se calhar, não vamos coincidir mais esta época e ainda para mais [ser] nas nossas estradas, com todo o nosso público aqui... É um carinho especial, é um apoio extra e, claro, somos sempre mais fortes quando estamos os quatro juntos", garantiu.
Depois da passagem por Portugal, o campeão olímpico de madison (juntamente com Iúri Leitão) tem várias clássicas no calendário, estando previsto participar na Volta a Flandres e no Paris-Roubaix.
"Eles [na UAE] sabem que eu me dou bem com esse tipo de corridas e que posso ser um apoio nas principais para os nossos líderes, [...] mas também tenho algumas semi-clássicas em que vou ter as minhas oportunidades, e sei que vou estar bem", disse.
Oliveira "vai tentar fazer um resultado" em "algumas delas", admitindo que "as oportunidades criam-se" e que, apesar de ser difícil ter "uma equipa total" a trabalhar para si, vai tentar a sua sorte.
"Gosto do trabalho que faço. Para mim, quando um companheiro ganha é como se eu ganhasse, e isso não me faz 'comichão'. Obviamente que, como aos outros todos, gosto de ganhar. Ainda não tive essa experiência ou essa oportunidade tantas vezes como outros, mas estou a trabalhar também nesse sentido e estou a chegar a uma fase que sei que consigo", afirmou.
Aliás, embora no seu palmarés não conste qualquer triunfo como profissional na estrada, o corredor luso não esquece que passou a meta em primeiro lugar na segunda etapa da última Volta à Eslovénia, tendo sido depois relegado por sprint irregular.
"Aos meus olhos, ganhei a corrida e, sendo relegado ou não, o que interessa é que consegui mostrar que consigo ganhar", defendeu.
Assim, não é de estranhar que nem hesite na resposta à Lusa sobre qual o seu objetivo para esta temporada: "Ganhar uma corrida".
"Ganhar uma corrida está muito 'caro' nos dias de hoje. Se ganhar, obviamente vai ser uma corrida de renome, portanto, aponto-me para qualquer uma", reforçou.
Por Lusa