Elsa Raposo: «Há mais resistência quando fazemos amor»

Foi a relações públicas da Volta a Portugal em Bicicleta. Com sucesso. Pela simpatia e simplicidade. Ficou fã do ciclismo. Mas aconselha, acima de tudo, que se faça desporto. E explica porquê...

Elsa Raposo: «Há mais resistência quando fazemos amor»
Elsa Raposo: «Há mais resistência quando fazemos amor» • Foto: Paulo César

RECORD - É alfacinha e leoa de signo?

ELSA RAPOSO - Sim, sou natural de Lisboa e Leão de signo.

R - Nasceu em casa ou na maternidade ?

ER - Nem num nem noutro lado. Nasci no Hospital Militar.

R - O seu pai, portanto, era militar.

ER - Era, era coronel.

R - Então, andou por África?

ER - Estive em Luanda. E ainda passei por Macau. Em Angola, fiquei até aos 6 anos.

R - E guarda boas memórias?

ER - Naturalmente. Há um registo de cheiros, de espaço e, como imagina, a nossa dimensão de espaços é diferente, mas conseguimos preservar muita coisa na memória. Quando se tem 6 anos, conse- gue-se assimilar as coisas mais básicas da vida, que nos ficam para sempre.

R - O desporto também fica para sempre?

ER - Obviamente. É um prazer que se mantém. Fiz balê, com uma senhora alemã, Lunna Andermat, pratiquei basquetebol, jogando pelo Liceu Gil Vicente, nas competições interescolas e ginástica rítmica, sob a orientação de Jenny Candeias, no Lisboa e Ginásio e, depois, no Sport Algés e Dafundo.

R - Chegou à competição?

ER - Sim, mas apenas na ginástica rítmica.

R - Foi à selecção?

ER - Participei apenas nos Nacionais, chegando a ir a Espanha.

R - Qual foi a melhor classificação que obteve?

ER - Foi um segundo, que é o pior lugar do pódio. É o primeiro dos últimos.

R - Treinava muito ou era mandriona?

ER - Adorava. Era a minha paixão. Só era mandriona para os livros. A ida para o ginásio era a parte mais linda do dia. Era uma vício... bom.

R - Um vício que conserva?

ER - Mantive-me fiel. Continuei a fazer ginástica, localizada e de manutenção, o step e a aeróbica, à séria. Até ter o primeiro filho ia diariamente ao ginásio.

R - Tem quantos?

ER - Três: o Afonso, de 9 anos, o Lourenço, com 8, e o Francisco, que tem 7.

R - Gostava de ter uma filha?

ER - Não sei. Seria indiferente. Teria mais graça se fosse um filho. Não queria fazer uma equipa, uma selecção de rapazes, mas ter quatro rapazes seria giro. As meninas dão muito trabalho.

R - Mas pensa ter mais filhos?

ER - Se puder...

R - Os filhos são mais uma boa razão para a prática desportiva?

ER - O desporto obriga-nos a ter uma certa postura, inibindo-nos do seu abandono. Não conseguimos deixar de fazer exercício. Sentimo-nos mal se não fazemos exercício. Não fazer desporto, para mim, é uma coisa anormal. Se praticamos desporto, temos mais resistência, andamos mais bem-dispostos. O facto de termos actividade desportiva até nos ajuda mentalmente.

R - E sente que também a ajuda sexualmente? Torna-a mais capaz quando faz amor?

ER - Não acha que tem mais resistência?!

R - Você é que tem de responder...

ER - Eu acho que devemos ter mais resistência. Clinicamente falando, não lhe posso dar uma resposta. Mas temos, com certeza, mais resistência.

R - Também costuma correr?

ER - Agora, que a Volta terminou, vou aprender a correr. Nunca gostei de correr, mas estou apostada em fazê-lo, para mais numa altura em que já há condições para, por exemplo, corrermos de Lisboa até Cascais. Até há pouco tempo não havia essa possibilidade, mas agora ela existe e temos de aproveitá-la.

R - E será também um teste para o seu "recauchutado" corpo?

ER - Foi uma coisa mínima...

R - Mas sente-se muito melhor?

ER - Sinto. Também não o teria feito se não fosse para me sentir melhor.

R - Tem o corpo tatuado?

ER - Não. Tenho uma simples tatuagem.

R - Em que parte mdo corpo?

ER - Nas costas.

R - Não está arrependida?

ER - Não. Aliás, não é uma tatuagem permanente. Ao fim de dois, três anos, desaparece.

R - Até lá ainda se casa outra vez?

ER - Não sei...

R - Mas vai casar-se ou não?

ER - (risos) Direi que... ainda não tem data marcada!

R - Mas se andar permanentemente nas provas de ciclismo será complicado ter uma vida de mulher casada. Já pensou nisso?

ER - Pois, reconheço que é complicado. Mas, já agora é, na medida em que tenho três filhos. Quando se está com alguém, esse alguém tem de nos aceitar tal como somos. Portanto, não posso deixar de ser a Elsa que sou só por me casar. Não! O segredo reside, em primeiro lugar, no amor. Quando ele existe, com tolerância, conseguimos encontrar o caminho da compatibilidade.

«Espero contribuir de forma mais positiva para o ciclismo»

R - Ficou "freguesa" do ciclismo?

ER - Fiquei, com toda a certeza.

R - E promete voltar?

ER - Virei, seguramente, sempre. Como relações públicas (RP), também espero voltar a esta festa do desporto e da vida. E espero contribuir de forma mais positiva para o ciclismo. Este foi o meu ano zero como RP da Volta. No próximo ano, quero ter outro desempenho. Quero participar com outros conhecimentos. Vou procurar saber o mais possível, nomeadamente no capítulo técnico. Quero saber os termos técnicos. Quero saber tudo. Estou a aprender.

R - Está fascinada?

ER - Pode ter a certeza. É um mundo fascinante. No dia em que acompanhei, de moto, a Volta, os ciclistas falavam comigo e riam, no meio daquele esforço todo. São uns super-heróis. Emocionam. Confesso: fiquei com uma lágrima no canto do olho.

«Figo é inteligente, simples e sabe resguardar-se»

R - Qual era o ciclista mais sexy da Volta a Portugal?

ER - Não sei. Bom, até sei, mas... não posso dizer.

R - É mais fácil dizer que não se quer comprometer nem quer comprometer alguém...

ER - Não, por amor de Deus!

R - Isso pode dar azo a especulações...

ER - Era o que faltava! Você está naturalmente a brincar. Está a tentar provocar-me...

R - É essse o meu papel...

ER - Não lhe digo qual é o mais sexy, mas em contrapartida posso dizer-lhe qual é o mais querido.

R - Então, qual é?

ER - Não, não posso dizer! Sinceramente, não posso dizer. Fui tão acarinhada por todos que parecia mal estar a destacar este ou aquele. Eles são todos magníficos. Têm uma grande dose de simpatia, são comunicativos e humildes. São uns verdadeiros gigantes.

R - São diferentes dos futebolistas?

ER - Completamente! O esprírito e carácter são diferentes. O ciclismo é uma família. Mas no futebol há bons exemplos, como o do Figo. Não o conheço pessoalmente, mas entendo que o seu exemplo devia ser seguido. O Figo é inteligente, é simples, sabe resguardar-se, não se dá por ele.

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