Presidente da ANNDVIS critica tratamento dado à Seleção de Goalball pelos governantes

Luís Gestas fala numa desigualdade "ainda mais notória" no desporto

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• Foto: IBSA

Luís Gestas, presidente da Associação Nacional de Desporto para Deficientes Visuais (ANNDVIS), deixou críticas à forma como, no seu entender, as seleções de goalball têm sido ignoradas pelos mais altos representantes do Estado e do Governo depois de alcançarem excelente resultados. O presidente da direção apontou o dedo ao "tratamento diferenciado" ocorrido no último ano, registando que as seleções feminina de futebol e masculina de râguebi, por exemplo, foram ao Palácio de Belém, ao contrário da Seleção de Goalball masculina que brilhou no primeiro Mundial que disputou.

"A nossa Seleção Nacional masculina de Goalball, também na sua primeira participação num mundial em dezembro de 2022, venceu o campeão africano Argélia e a seleção do Canadá, mas isso só a nós importou. Certamente não seriamos dignos de estar no Palácio de Belém, porque para comprarmos fatos e gravatas teríamos de investir todo o dinheiro que temos para um ano de desenvolvimento desportivo. (...) Não tomem isto como ciúmes ou invejas, tomem isto como o grito silencioso da revolta que muitos sentem e não conseguem fazer-se ouvir pela igualdade de tratamento e reconhecimento", afirmou Luís Gestas, em comunicado, a propósito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que se celebrou no passado domingo e que o dirigente aproveitou para lamentar as desigualdades, que considera serem "mais notórias" no desporto: "Se Portugal soubesse corava de vergonha com o que alguns recebem para desenvolver o desporto. Num Portugal onde o Futebol cria um mundo e o outro mundo é selecionado pela comunicação social e as mais altas figuras do Estado, condicionando a cultura desportiva."

Gestas lamentou a falta de comparência das mais altas instâncias no Mundial de Goalball do ano passado, em Matosinhos: "O Sr. Presidente da República e o Sr. Primeiro Ministro nem uma palavra. Nem antes, nem durante, nem depois. O Sr. Presidente da Assembleia da República confirmou a sua presença na final da competição, mas quinze dias antes do início do evento cancelou por motivos de agenda. Depois assistimos nestes últimos 365 dias ao tratamento diferenciado para algumas seleções nacionais."

Nesse sentido, o presidente da ANNDVIS deixou novo convite para os governantes portugueses marcarem presença no próximo estágio da Seleção masculina de Goalball: "Ao Sr. Presidente da República, ao Sr. Presidente da Assembleia da República, ao Sr. Primeiro Ministro, a todos os ministros e a todos os grupos parlamentares, para que saiam dos gabinetes, nos visitem no Pavilhão do Forte da Casa e sintam a força dos nossos atletas, que conheçam a realidade real do desporto para pessoas com deficiência. A ANDDVIS e os nossos atletas irão receber-vos e convidar para almoçar, não um banquete, mas teremos uma marmita de esparguete e frango para nos fazerem companhia, basta um email para geral@anddvis.pt."

Apesar das críticas, Luís Gestas agradeceu a quem tem apoiado a modalidade: "Mas num mundo de injustiças não podemos nós também ser injustos com aqueles que estiveram ao nosso lado e a Sra. Secretária de Estado da Inclusão da Pessoa com Deficiência, Ana Sofia Antunes e o Sr. Presidente do IPDJ, Vítor Pataco, estiveram ao nosso lado nos bons e nos maus momentos. Também o Sr. Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, visitou a nossa seleção. O Jornal Record tem sido a nossa voz para o mundo. E os nossos parceiros (TRVPro, OZ Energia, TavFer, Cima, Nuttrition on the Box e Ribaltacenários), poucos, mas bons, ajudam-nos a fazer o impossível. Algo tem de mudar para que o dia 3 de dezembro não seja conhecido como o dia da hipocrisia."

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