André Santos: a exigência do processo de corte de peso antes da luta pelo título

Record acompanhou lutador português nas horas prévias ao combate em Abu Dhabi

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Os desportos de combate têm muitas situações particulares e uma delas, das que mais intriga provoca, passa pelo processo de corte de peso e pela posterior pesagem. O kickboxing não é diferente. Para poderem combater, nomeadamente em lutas por títulos, os lutadores pesam-se na véspera do combate e têm de estar dentro do limite do seu peso. Isto para lutas que, normalmente, apenas acontecem mais de 24 horas depois, o que normalmente faz com que, após estarem na pesagem com determinado peso, cheguem ao ringue bem mais pesados. Alguns facilmente com mais 10 quilos em cima. Outros de forma menos 'agressiva'.

André Santos, que no último sábado conquistou pela terceira vez o título mundial de peso meio-médio em Abu Dhabi, mostrou-nos a sua abordagem, que pode ser enquadrada neste segundo caso. Para lutar diante do espanhol Khyzer Nawaz, o lutador do Sporting tinha de chegar à balança com 66,8 kg. Um peso que bateu facilmente, ao subir com 66,4. No dia seguinte, logo de manhã, já tinha chegado aos 73,5 quilos. Sete quilos ganhos no espaço de menos de 24 horas. Uma diferença incrível, mas que resultou de um processo pensado ao pormenor. E que o lutador português vem fazendo de forma regular antes das lutas.

Desidratar é o segredo

Tudo começou na quinta-feira, quando cerca de 24 horas antes da pesagem começou a cortar na ingestão de líquidos. Aí, recorda, estava com 68,5 quilos. Cerca de dois quilos acima do peso que teria de ter para a pesagem. Nesse dia, depois de fazer a sessão fotográfica prévia ao combate, esteve cerca de uma hora no ginásio a treinar, fazendo uso da passadeira durante largos minutos. À noite jantou de forma "normal", comendo "frango e vegetais" e, no dia seguinte pela manhã, voltou à balança: 68,5 quilos. Faltavam cerca de dois quilos para perder. "É fácil". E assim foi.

Às 7:20 de sexta-feira, a poucas horas da pesagem, já estava no ginásio na companhia do seu treinador, o marroquino Said El Badaoui. Primeiro foram 40 minutos na passadeira, a alternar entre corrida e caminhada. Isto vestido com várias camadas de roupa, de forma a potenciar a perda de líquidos (e, por consequência, de peso). Depois da passadeira, seguiu-se um último passo. Colocar-se debaixo de um 'monte' de toalhas e almofadas, para secar ainda mais. Quando se levantou, pouco depois das 8 horas, André Santos notava-se algo combalido. Era perfeitamente normal em face do exigente processo que acabara de completar.

Subiu ao quarto e a balança dava a notícia mais desejada. Não só tinha chegado ao peso que pretendia, como tinha uma margem de 900 gramas (pesava 65,9 quilos, para os necessários 66,8). O sorriso dele e da sua equipa dizia tudo. A missão mais do que cumprida até lhe permitiu colocar alguma água no corpo antes de descer para o momento da verdade.

Antes disso, porque a ideia era começar logo no imediato a reidratar, preparou dois 'shakers' de 750 ml com água. Um com hidratos de carbono em pó. Outro com pastilhas de eletrólitos. 1,5 litros de água no total, que seriam ingeridos de forma gradual após bater o peso. Eram 9:20 quando a balança confirmou que estava dentro do peso. Primeira batalha vencida.

Era hora de recuperar o peso e colocá-lo no ponto 'normal'. Os primeiros 40 a 50 minutos após a pesagem foram dedicados a beber de forma gradual. Sem pressas, para que o corpo assimilasse da melhor forma, depois de tanto tempo a restringi-lo. Ingeridos todos os líquidos, ainda havia um período de espera até completar esse 50 minutos antes de comer alimentos sólidos. Havia que deixar os líquidos 'assentarem' no estômago. Depois disso, aí sim, comer. Duas tostas com queijo e mel. Duas pequenas taças com cereais e granola. Um copo de sumo e ainda um café. Estava feita a primeira refeição. As refeições seguintes foram 'limpas', mas com um foco importante na ingestão de hidratos de carbono, para ter energia para o dia seguinte.

Foi a conclusão, bem sucedida, de um processo que desta feita começou de uma forma ligeiramente diferente, por conta do estágio na Tailândia que realizou antes da luta. "Metemos o peso um pouco mais abaixo. Tenho a ajuda da minha nutricionista Mónica, com quem trabalho há alguns anos. Como era a primeira experiência na Tailândia, decidimos meter o peso um bocadinho mais baixo do que o habitual, por causa da adaptação, fosse ao clima ou à alimentação, para que não fosse tão drástico. Dei o peso na boa."

No sábado, logo pela manhã, ainda que não precisasse de sabê-lo, André Santos voltou a ir à balança. O peso não enganava: 73,5 quilos. Estava de volta ao seu normal e pronto para a segunda (ou terceira) batalha: a luta pelo cinturão com Khyzer Nawaz. Apesar de depois do combate se ter assumido algo dorido na zona do estômago por conta do processo, na hora de combater não deu hipóteses ao espanhol e venceu de forma clara. E confirmou, uma vez mais, que para si o processo de perda de peso tem de ser desta forma.

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