CEO da WAKO Pro enaltece feitos de Abu Dhabi e espera que o governo solucione a situação da modalidade em Portugal
Figura de referência da história do kickboxing nacional, e também elemento da direção da WAKO, o português Carlos Ramjanali não podia estar mais satisfeito com os resultados obtidos pelos atletas nacionais no Mundial que hoje chegou ao fim em Abu Dhabi. Dois ouros e um bronze no ringue em seniores, mais dois bronzes em veteranos no tatami, que deixam orgulhoso e com a sensação de que pode ser o passo que faltava para que a situação da modalidade em Portugal fique definitivamente resolvida.
Em causa está o estatuto de utilidade pública, que até meados deste ano estava atribuído na esfera do kickboxing à Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai (FPKMT), algo que entretanto perdeu por decisão governamental. O passo lógico seguinte seria atribuí-lo à FNKDA (Federação Nacional de Desportos de Combate), organismo que está vinculado à WAKO, a federação internacional reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional, mas por agora nada está solucionado.
"Nunca tínhamos tido na história uma medalha de ouro no setor feminino, em qualquer campeonato, e aqui, de uma assentada, num Mundial na Ásia, temos dois ouros. É um facto inédito e que merece todo o reconhecimento, não só da comunidade do kickboxing e desportiva, mas penso que as autoridades também terão orgulho nestes resultados, sobretudo numa altura em que a situação da Federação ainda não está oficializada. A Federação portuguesa continua a trabalhar sem o apoio estatal e a trazer resultados", começou por recordar o também CEO da WAKO Pro.
Neste âmbito, Ramjanali assegura que não se trata de uma questão meramente financeira - até porque os patrocinadores da WAKO acabam por ajudar nesse aspeto, mas antes do estatuto a ser dado aos atletas, que pode fazer a diferença. "É evidente que o reconhecimento em si é muito importante, sobretudo para os jovens, para a sua cabeça é muito importante. Alguns são estudantes, outros são já trabalhadores e o facto de não haver o reconhecimento oficial é sempre um handicap bastante grande. Mas penso que, com estes resultados - e do que temos ouvido falar e daquilo que sabemos -, acho que o assunto está em vias de ser resolvido. Apesar da outra parte, a outra federação que foi expulsa da Federação Internacional, continuar a fazer entropias para atrasar o processo. Mas considero que isto será irreversível e que seja o mais rápido possível", desejou.
"Foi, sem dúvida, é um marco histórico para o kickboxing português. A contrastar com as instabilidades institucionais que existem, mas os atletas, os treinadores, os clubes, mais uma vez mostraram que estão a trabalhar seriamente, não são subsídio-dependentes e que, por recursos próprios e pela devoção ao desporto e ao país, fazem resultados incríveis. Por isso, acho que estão todos de parabéns."
"A equipa portuguesa tem vindo em crescendo de campeonato para campeonato. A evolução é óbvia, os números são perfeitamente óbvios, também comprovam e, sobretudo, já temos um estatuto de grande respeito junto da comunidade internacional e dos outros países. Quando qualquer equipa internacional apanha um atleta português, têm sempre um grande respeito. É preciso também dar mérito aos selecionadores portugueses, a começar pelo chefe de delegação Raúl Lemos, ao José Pina e ao Manuel Gomes, tal como todos os outros técnicos, pelo trabalho que desenvolvem e pela seriedade e paixão com que o fazem".
Sobre o Mundial, uma mega operação levada a cabo pelos Emirados Árabes Unidos em mais um passo para se destacar como hub internacional dos desportos de combate, o empresário português mostra-se muito agradado. "O balanço é muito positivo. Mais de 83 países, 2 mil atletas em competição, mais treinadores, mais dirigentes. Estou aqui a falar na ordem dos 4, 5 mil pessoas que vieram para este campeonato. Isto é uma mancha enorme, uma mancha positiva. Na minha qualidade de dirigente da Federação Internacional tive a oportunidade de estar reunido com algumas autoridades locais que ficaram muito, mas muito satisfeitas. Já estão a procurar candidatar-se para novos eventos internacionais", disse.
"Sem dúvida que, quando há uns anos começamos a vir para aqui fazer os eventos da WAKO Pro, o objetivo era tornar isto um hub do Médio Oriente para a Ásia toda. E está a acontecer, vai começar a acontecer. Não posso deixar de dar os parabéns pela alta qualidade e standards de nível olímpico desta produção a sua Excelência o presidente da Federação dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah Saeed al Neyadi, e a toda a equipa que supervisionou o evento. Há uma história na WAKO até este evento e haverá outra a seguir. Nada será como antes".
De resto, quanto ao Mundial de 2027, ainda sem certezas de onde será, fica apenas uma garantia: o nível ficou mesmo muito elevado. "Ainda não foi atribuída a candidatura, mas tudo indica que a Tailândia será uma das candidatas mais fortes para o próximo Mundial de 2027. Tive a oportunidade de falar a diretora da Federação tailandesa e ela estava com um peso muito grande na cabeça... Como é que vai suplantar esta organização? Mas também já provou que é muito boa organizadora e naturalmente vai ter que suplantar esta também. Até porque os Emirados Árabes Unidos e a Tailândia têm uma relação estreita de cooperação a vários níveis. E acredito que vai haver aqui cooperação também nesse nível."
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