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Membro board da WAKO fez o balanço do campeonato, da prestação de Portugal, falou das eleições no organismo e das conversas com o UFC
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Fechado o Campeonato Europeu da WAKO, Carlos Ramjanali faz um balanço positivo de tudo o que aconteceu em Atenas, tanto no que aos portugueses diz respeito (com 7 medalhas: 3 seniores e 4 masters) como também à organização global do evento.
"Penso que o balanço é extremamente positivo e do ponto de vista da WAKO é algo que me orgulha muito. Porque, segundo a estratégia delineada pela equipa gestora da FNKDA, a ideia era apostar e focar o máximo possível na qualificação para os World Games. Esse era o ponto número 1, amplamente cumprido. E depois o ponto número 2, em termos de objetivos, era naturalmente o número máximo de medalhas possível. Como balanço das medalhas, podemos dizer que foi também um resultado bastante positivo. Ouro, prata, bronze. Mas volto a realçar que o ponto alto e os objetivos atingidos eram na questão da qualificação. Lembro que estão aqui comitivas enormes, como a italiana e a turca, que tiveram o mesmo número de qualificados que nós. Trouxeram centenas de atletas! Nesse âmbito, acho que os objetivos foram perfeitamente atingidos. Agora, espero que estes resultados ajudem a desbloquear a situação da federação em Portugal", disse-nos Ramjanali, um nome incontornável da modalidade e board member da WAKO.
De resto, estes feitos são vistos como mais uma prova de que algo tem de mudar no nosso país. "Mais uma vez, que as autoridades tenham consciência do trabalho que se está a fazer no kickboxing, dos resultados que se está a ter em provas a sério, de nível elevado, sem qualquer apoio nem de reconhecimento das autoridades portuguesas. Penso que isto será mais um ponto de reflexão, que ajuda a desbloquear este ponto que já vai para quase 5 anos. Esperamos que isto tenha ajudado. É preciso dar uma nova vida ao kickboxing!", assumiu.
"A Sofia Oliveira ganhou há pouco os Europeus Universitários enquanto fazia o mestrado; a Catarina Dias, que trabalha como engenheira civil, faz cinco vezes por semana 150 quilómetros por dia para treinar. Não há uma história simples no que é a busca do sucesso desportivo. Estes atletas, sem apoios estatais para competir, juntamente com o Iuri, vão representar Portugal nos Jogos Mundiais na China, por mais que o Estado lamentavelmente não os reconheça. A WAKO reconhece e o COI reconhece também. E, acima de tudo, não é uma decisão errada, de propósito ou por ignorância, de um dirigente político a ditar que estes atletas não atinjam os seus sonhos".
Eventos em Portugal
Portugal recebeu no ano passado o Campeonato do Mundo da WAKO em Albufeira e ficou no ar a promessa de realizar mais eventos nos anos seguintes. "E a promessa é para ser cumprida. Fizemos um compasso de espera em termos de organização para entender a clarificação da situação em Portugal mas não estamos parados. A equipa que organizou essa prova em Albufeira está integrada na que vai fazer o Mundial de Abu Dhabi. O problema é que em vez de termos o nosso tempo focado em fazer bons eventos, arranjar bons apoios e deixar muito dinheiro em Portugal em alojamentos, turismo, etc. - como aconteceu em Albufeira -, passamos metade do tempo a gerir pressões para o evento não acontecer, jogadas de bastidores sujas e ter que explicar a marcas que o que fazemos é legal. E para fazermos mais tem de ser com apoios e sem estes problemas. No fundo é Portugal quem perde mas para já o enquadramento é este", lamentou.
E mesmo sem apoios, diz ver uma evolução clara na qualidade dos kickboxers portugueses. "Sem dúvida que está aí, sobretudo nos atletas principais da nossa seleção, porque felizmente estão no circuito internacional e competem com muita regularidade. Felizmente temos essa sorte e eles estão bastante rotinados. Dos que não estão no circuito internacional, mesmo assim foi positivo, pelo menos as experiências foram bastante positivas. Aqui este campeonato estava altamente competitivo, porque todos os atletas do circuito internacional e do profissional estão cá, pois têm que cumprir com as obrigações que têm com as federações e com os respectivos Comités Olímpicos para continuar a receber os apoios. Então este campeonato foi altamente competitivo. Nós temos aqui atletas de todos os circuitos, do Glory, dois atletas do UFC. Por isso penso que é um resultado bastante positivo."
Mas isso também mostra a necessidade de encontrar mais espaço competitivo, o que pode estar mais perto de acontecer já no próximo ano. "Os atletas necessitam de rotinas de competição a este nível. E estamos a ver se no próximo ano conseguimos arranjar fundos para fazer um projeto de apoio na participação dos principais Opens europeus, que nos permita estar em bom nível quando forem os World Games. Depois temos também o Campeonato do Mundo, em Abu Dhabi. Há uma série de competições no ano que vem, que são importantíssimas. E a federação nacional está desde já a trabalhar nesse âmbito. Na minha qualidade da dirigente da Federação Internacional, dentro daquilo que me é possível, vou também ajudando e aprofundando, sobretudo, nos encontros entre países, porque há alguma facilidade nas minhas funções para conseguir ajudar a fazer essas conexões e sinergias. Penso que isso será fundamental para a evolução dos atletas a nível nacional, especialmente aqueles que são elegíveis a poderem desenvolver a sua atividade com a FNKDA, uma vez que, como está a situação em Portugal, muitos não podem ainda estar presentes, apesar de o quererem", assume.
Momento importante a nível internacional
Além de Portugal, Carlos Ramjanali olha também de uma forma mais global, por conta da sua função de membro do board da WAKO. E o balanço, nesse particular, é "extremamente positivo". "A WAKO Europa vai entrar num momento chave da sua gestão, pois vão haver eleições no próximo ano, em agosto. Há duas candidaturas fortes, uma das quais em que eu estou envolvido. Presumo que seja muito importante esta nova equipa que, se ganhar as eleições, liderará o processo, para que a Europa definitivamente cimente a sua posição de líder no mundo. A Europa é sem dúvida onde está o maior potencial do kickboxing mundial. Isso, para nós, será muito importante, é um dos focos principais", começou por revelar. "O reconhecimento da WAKO como reguladora do kickboxing mundialmente por parte do COI trouxe uma clarificação global sobre a modalidade. Muitas estruturas marginais e dissidentes acabaram por integrar a WAKO. Este reconhecimento do Comite Olimpico trouxe-nos também uma salvaguarda global em algumas geografias onde o próprio conceito de federação não é claro, como no Médio Oriente. De qualquer forma, avizinha-se um ano de evolução bastante importante, na senda do que já foi este 2024", anunciou
Como também a própria WAKO entra num momento chave, com perspetivas de entrada nos Jogos Olímpicos. "A Federação Internacional (WAKO) está muito bem. Estamos na shortlist para entrar nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Vamos participar, como modalidade de exibição, nos Youth Olympic Games de 2026, em Dakar. Estamos lá, oficialmente, num projeto em que dediquei muito do meu tempo ao longo do último ano e que se pode dar como bem empregue. Para Los Angeles, pode acontecer alguma coisa com uma modalidade ou outra, como o caso do boxe. Se esta não entrar nos Jogos Olímpicos, os Jogos têm que ter um desporto de ringue... Está tudo em aberto. Entretanto, estamos já a olhar para os Jogos Olímpicos de Brisbane".
UFC falaremos mais tarde
E esse olhar à Austrália leva também a uma outra atenção. "Estamos também a trabalhar nesse âmbito, sobretudo, naquele continente, onde não estamos muito fortes. Estamos já a trabalhar no sentido de fortalecer a nossa presença lá. De forma a que, quando chegar à altura de decisão, estarmos na linha da frente. A nível da Federação Internacional estamos a subir muito e todas as relações institucionais têm também subido de nível. Estamos num bom caminho", finalizou.
Sobre a reunião com Dana White, criador do UFC, é que não há ainda muito a tornar publico. "Há um ano sensivelmente formalizamos a parceria, quer como WAKO como com a WAKO PRO, esta para os eventos profissionais, com o K1GP, a maior organização de sempre de kickboxing. Um gigante adormecido, tanto em popularidade como em grandeza de mercado como em potencial técnico dos seus atletas. Relativamente ao UFC, é público que nos reunimos com Dana White, é único e um exemplo na indústria dos desportos de combate e entretenimento, mas há bastante tempo que falamos, se calhar há quase um ano. Talvez em janeiro possamos falar mais sobre isto", acautelou.
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