Lusodescendente faz furor no UFC: americanos falam numa "história de Rocky da vida real"

Kris Moutinho pode ter perdido no UFC 264, mas está a receber elogios de todas as partes

• Foto: Getty Images

Kris Moutinho é por estes dias um dos nomes mais falados no universo do UFC e o apelido não engana. Há sangue português a correr-lhe nas veias e o próprio nem o esconde, já que na madrugada do último domingo, no UFC 264, fez questão de subir ao octógono com a bandeira lusa bem visível no seu canto. E foi aí, numa luta para a qual foi convocado com onze dias de antecedência para substituir Louis Smolka, que ganhou precisamente o estatuto que referimos acima, mesmo tendo... perdido diante do superfavorito Sean O’Malley.

Tudo por causa da forma como o fez, ao aguentar num jeito quase sobrenatural os ataques constantes do adversário, que ao cabo de pouco menos de 15 minutos lhe acertou uns incríveis 230 golpes, 177 deles na cabeça. Só que Moutinho levava e... continuava em pé e a querer continuar a batalha. Uma atitude de guerreiro que caiu no goto dos analistas e fãs do MMA, que apesar de apontarem algumas debilidades técnicas (nomeadamente na defesa) destacam-lhe essencialmente o facto de ter sobrevivido a algo que poucos conseguiriam. Sobrevivido e ter continuado a querer mais e mais. O comentador Joe Rogan, por exemplo, disse que nunca viu um lutador a aguentar tanto... Já O'Malley apelidou o lusodescendente de "um c... duríssimo", destancando essencialmente o facto de este ter "aceite uma luta com onze dias de antecedência, quando poucos o fariam".

A atuação não passou em claro aos responsáveis do UFC, que acabaram por atribuir o bónus de luta da noite a ambos os lutadores. Uns 75 mil dólares (63,5 mil euros) que seriam 'peanuts' para o cabeça de cartaz do evento - Conor McGregor - ou até mesmo para O'Malley, mas que para Moutinho serviram já para lhe mudar a vida. É isso mesmo que o próprio assume em declarações ao 'TMZ', numa entrevista na qual até admite que nem sabe bem o que vai fazer com tanto dinheiro. Tudo isto para quem, há dois meses trabalhava numa fábrica de tinta, com um horário de 80 horas semanais, o qual ainda conciliava com os treinos.

O clique deu-se no início de junho, quase que prevendo que viria algo aí. "Não estava 'teso'. Tinha um trabalho onde trabalhava 80 horas semanais e ali no início de junho pensei para mim 'estou farto disto'. Trabalhava numa fábrica de tinta, estava na linha de produção, a encher latas. Fazia um bom dinheiro, mas não é aquilo que gosto. O meu objetivo na vida é, fazendo mais ou menos dinheiro, é fazer algo que amo para o resto da vida. E a única coisa que me deixa feliz é lutar e treinar", assumiu ainda antes do UFC 264 o lutador, partilhando a sua trajetória que nos Estados Unidos há quem diga que é a "história real de Rocky".

Quanto ao tal prémio de 75 mil dólares, Moutinho assume-se "extremamente feliz" e assume nem saber bem qual será o destino. "Tenho de perceber bem o que vou fazer. Não sou daquelas pessoas que tem planos para construir isto e aquilo. Não sou assim. Só não quero acabar na ruína por causa disto, percebes? É mais um passo para ajudar a minha família e colocar o dinheiro no sítio certo para tal e nunca mais ter de trabalhar noutro trabalho. Fazer isto ou aquilo. Isto é aquilo que eu amo, aquilo que quero fazer para o resto da vida. Adoro lutar, adoro treinar. Estar no ginásio é o que eu gosto de fazer e é apenas mais um espaço para continuar a crescer."

Levou pancada e quem sofreu foi... o adversário

Ao encaixar 230 golpes, 177 deles no rosto, e apenas acertar 70, poderia pensar-se que Moutinho teria saído destruído da luta e o oponente 'impecável', mas a verdade é que se viu o total oposto. O'Malley foi suspenso até 2022 por suspeitas de ter fraturas nas duas mãos - é o que dá estar 14 minutos sempre a bater numa 'parede'... - e também numa das pernas. Já Moutinho, segundo os exames feitos, e também pelas suas palavras, está... pronto para outra. "Sinto-me fantástico. O orgulho está um pouco abalado, porque uma derrota é sempre uma derrota. Não me importa o facto de ter dito que a luta foi fantástica. É na mesma uma derrota e dói sempre. As dores no rosto não me importam, eu consigo aguentar a dor. Consigo aguentar toda essa força, caso contrário não faria isto."

E de olho nessa próxima luta, o lusodescendente assume querer manter o estilo de espectáculo. "É o que tenho dito às pessoas desde sempre. Sou aquele lutador que as pessoas querem ver lutar. A forma como luto é entusiasmante, é divertida. É a forma que aquelas pessoas que estão no bar gostam de ver. Quando entro no octógono dou a vida, sou assim. Sinto-me abençoado e estou pronto para o que vier", assegurou.

Essa luta terá de esperar algumas semanas, mas uma coisa é certa: Kris Moutinho é um nome a ter em atenção para o futuro. Os seus números nas redes sociais mostram bem o 'boom' gerado: numa semana passou dos mil seguidores aos... 130 mil!

Por Fábio Lima
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