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O ALPINISTA João Garcia, primeiro português a subir o Everest, proeza conseguida terça-feira, sofreu queimaduras de gelo nas extremidades do corpo, quando descia nesse dia a montanha e foi apanhado por uma tempestade. Pior sorte teriam na ocasião o belga Pascal Debrouwer, companheiro de proeza de português, e Tadeusz Kudelski, um dos polacos que tinham também completado a subida, uma hora antes, mas com uso de oxigénio engarrafado: a morte castigou-lhes a ousadia.
Debrouwer, de 28 anos (deixa mulher e um filho), terá sofrido uma queda de 1000 metros, enquanto João Garcia e os outros dois polacos chegaram ao campo avançado em segurança, queimados pelo frio nas mãos, pés e nariz.
Segundo o relato na Internet do belga Alain Hubert, que tinha desistido de acompanhar o compatriota Debrouwer e João Garcia, estes chegaram ao cume (a 8848 metros de altitude) cerca das duas horas da manhã de terça-feira, começando a descida pelas quatro. Ao cair da noite, com a escuridão agravada pelo vento tempestuoso, perderam contacto um com o outro, e o português esperou, acampado, até à manhã de quarta-feira.
Quando o sol nasceu, como Pascal não aparecia, João continuou a descer, e encontrou dois dos polacos, que lhe revelaram o desaparecimento de Kudelski. Continuou a descer, e esperou, de novo, por Pascal no campo 3, a 8200 metros. Quis então voltar para socorrer o companheiro de conquista, mas foi dissuadido após a formação do grupo de salvamento que entretanto se organizara: "Foi pela rádio que contactei com João, que estava cada vez mais incoerente, falando do sol, dos pássaros, da paisagem, etc. Depois de muita discussão, consegui dissuadi-lo de subir de novo e procurar o Pascal.Ele deu-me, enfim, razão e continuou para o campo 2", recorda Hubert.
João Garcia seguiu, mas o belga tinha de falar constantemente com ele ao microfone para o acordar, e acabou por ser salvo, esgotado, quarta-feira à noite, por dois veteranos brasileiros da expedição, que terão antes visto Pascal escorregar e cair pela montanha abaixo. Foi tratado no ABC (a base) por um médico de uma equipa da Geórgia às queimaduras nos pés.
Como os vistos concedidos pela China terminam dia 30, e o tempo não melhorava, Hubert ainda não sabia bem, quinta-feira, o que faria em seguida a expedição, após aventura de final tão trágico.
LUÍS QUARESMA COSTA, com agências
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