Artes Marciais: Valeu tudo em Almada menos... piscar os olhos

Instantâneo. É o mínimo que se pode dizer do primeiro embate ”a doer” (literalmente) da modalidade realizado em Portugal. Figueiroa não deu hipóteses e arrecadou o cinturão Vale-Tudo 2000... com ”sururu” à mistura

O COMPLEXO Desportivo Cidade de Almada recebeu, este fim-de-semana, um espectáculo praticamente inédito em Portugal: um combate de vale tudo – houve uma demonstração no Inatel, em Outubro de 1998 –, modalidade de combate ”made in Brasil” que reúne em ringue dois lutadores oriundos dos mais diversos estilos de artes marciais e desportos de combate em que tudo... ou quase tudo é permitido.

Todavia, o público que se deslocou ao pavilhão almadense para assistir à atribuição do cinturão ”vale tudo 2000” teve pouco tempo para apreender as ”subtilezas” desta modalidade, já que o combate que opunha Lauro Figueiroa a Eurico Soares durou apenas alguns segundos.

O palco para o espectáculo estava montado, houve inclusive algumas exibições de artes marciais (kung fu, capoeira e jiu-jitsu) e de desportos de combate (kick-boxing), além de um espectáculo de ”wrestling” à portuguesa com dois dos pupilos do emblemático Tarzan Taborda a protagonizarem uma exibição ”circense”.

Mas eis que chega a vez do evento principal, acedendo a um grito de ”perfume” brasileiro oriundo da bancada: ”Quero ver ’porrada’!”

Eurico Soares, o cabo-verdiano tricampeão francês de ”free-fight” entra ao som de ”The final countdown” dos Europe, o que, ainda não desconfiava, viria a revelar-se terrivelmente apropriado.

Do outro lado, o brasileiro Lauro Figueiroa (campeão de judo, full-contact e jiu-jitsu) faz uma grande entrada ao som de muitos ”watts” de Carmina Burana.

Os oponentes são apresentados, o combate inicia-se... e ai de quem tenha piscado os olhos: Figueiroa agarra Soares, projecta-o para o solo e esmurra-o repetidamente a um ritmo impressionante, obrigando o banco de Eurico Soares a atirar a proverbial toalha para o quadrilátero.

O público, atónito, ainda quase não tinha tido tempo para ensaiar os primeiros assobios de protesto quando um dos atletas que minutos antes tinha participado numa exibição de jiu-jitsu saltou para dentro do ringue com o propósito de fazer aquilo que Eurico Soares tinha sido incapaz, mas foi imediatamente detido.

O caos, contudo, já se tinha instalado e o clima só não descambou para algo de complicado, graças à pronta intervenção do dispositivo de segurança presente e de um ou outro atleta mais prudente.

No final, Lauro Figueiroa justificava a rapidez do desfecho: ”Ninguém veio aqui para dar espectáculo, mas sim para dar o seu melhor. Graças a Deus foi mais fácil do que esperava.”

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