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Presidente da CDP aponta a necessidade de profissionalizar as federações e reduzir a dependência de atletas individuais
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O presidente da Confederação do Desporto de Portugal (CDP) alertou esta quinta-feira que o setor continua "muito aquém" da realidade europeia, defendendo reformas estruturais para profissionalizar as federações e reduzir a dependência do talento individual dos atletas.
No rescaldo do encontro que decorreu quarta-feira em Oeiras com os dirigentes portugueses que lideram federações internacionais, como Jorge Viegas (Motociclismo) e António José Silva (Natação), entre outros, Daniel Monteiro fez um diagnóstico crítico ao setor, concluindo que o sucesso luso é fruto do esforço individual e não de políticas públicas.
"Os resultados que aparecem resultam muito mais do talento individual de cada um dos protagonistas do que propriamente de uma consequência da política desportiva em Portugal", afirmou Daniel Monteiro, em declarações à Lusa.
Segundo o presidente da CDP, o país mantém-se abaixo da média da União Europeia no número de atletas federados e de alto rendimento.
O problema, aponta, reside na "capacidade financeira" das federações, que as impede de contratar quadros técnicos qualificados.
"As federações têm estruturas muito pouco profissionais, diria até amadoras, em resultado do número de recursos humanos que têm a trabalhar por mera incapacidade financeira de investir nessas estruturas", lamentou, defendendo uma mudança no paradigma de investimento, até aqui focado "quase em exclusivo" nos projetos olímpicos.
Para financiar esta mudança, a confederação defende a concretização da proposta apresentada em abril de 2025 que prevê a revisão do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online (RJO).
A medida visa alterar o modelo de distribuição das receitas fiscais das apostas desportivas, através da criação de um Fundo de Desenvolvimento Desportivo alimentado por cerca de 7,5% do imposto cobrado. Este ajuste permitiria injetar anualmente 15 milhões de euros no sistema, servindo para investir de forma transversal nas modalidades e não apenas na elite.
No plano operacional, a CDP defende que este fundo seja gerido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), garantindo que as verbas sirvam para profissionalizar as associações e dotá-las de recursos humanos qualificados.
"Precisamos que as federações tenham capacidade de recrutar os melhores quadros a nível nacional. Sem profissionalismo nas organizações, não haverá crescimento estrutural", reconheceu o presidente da CDP.
O objetivo é garantir que o mérito dos atletas não dependa da "disponibilidade financeira das famílias" para pagar participações internacionais, mas sim de um sistema público robusto e transversal.
Com o objetivo de debater estas reformas, Daniel Monteiro anunciou a realização de um "grande encontro do desporto português" agendado para o período de discussão do Orçamento do Estado para 2027.
Além de Jorge Viegas (Federação Internacional de Motociclismo), António José Silva (European Aquatics), o encontro contou ainda com a presença de Pedro Miguel Moura (Federação Europeia de Ténis de Mesa), Luís Sénica (World Skate-Europe), Fausto Pereira (VIRTUS), Nuno Machado (Associação Internacional de Ténis de Mesa para Pessoas com Síndrome de Down), José Costa Pereira (Federação Internacional de Atletismo para Pessoas com Síndrome de Down) e David Barros Madeira (Federação Internacional de Columbofilia).
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