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Com apenas 16 anos, a jovem golfista é a n.º1 amadora portuguesa, ao vencer o Ranking Nacional BPI de 2025
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Um dia depois de termos noticiado que a vice-campeã nacional de sub-16 foi coroada como a n.º1 amadora de Portugal em 2025, conversámos com Amélia Gabin. Uma época muito poositiva, a nível nacional e internacional, já com um primeiro sabor do que é o circuito europeu de profissionais, com grande destaque para quatro títulos no Circuito Aquapor, em seis torneios disputados neste ‘Tour’ da Federação Portuguesa de Golfe, destinado aos amadores de alto rendimento. O titulo de vice-campeã nacional amadora foi igualmente marcante.
RECORD – Creio que será pacífico considerar esta a sua melhor época de sempre. Foi uma surpresa para si, ter acontecido ainda tão jovem, ainda sub-16? Ou estava mesmo a apostar, logo em janeiro, que 2025 iria ser uma grande temporada?
AMÉLIA GABIN – Considero que sim. Acho que esta época, que se encontra a cerca de um mês de se dar por encerrada, ainda com alguns torneios por jogar, tem-se formado numa das melhores até agora. Eu sou muito apologista de processos e passos. Ou seja, vejo a vida, e especialmente a minha carreira desportiva como uma criança que quer aprender a correr. Inicialmente, começa por gatinhar. Este 'gatinhar', na minha posição, seria começar a jogar torneios nacionais, algo que aconteceu há cerca de quatro anos. Depois, a criança começa a andar, o que representa estar presente em vários torneios nacionais e ter uma boa prestação. Neste passo, por vezes, ainda há momentos em que se falha – os torneios menos bons – e, apesar de na altura serem momentos difíceis, vejo esses falhanços (coisas em que temos de melhorar) como grandes oportunidades de crescer. Por fim, a criança já consegue correr. Este ano para mim foi o início dessa corrida, que acaba por ser uma maratona. O facto de ainda ser sub-16, não me surpreende em nada. Não será certamente a primeira vez que uma atleta nacional se consagra melhor amadora com a minha idade. Aliás, se olharmos para um palco internacional dos torneios europeus, algumas das melhores jogadoras atuais ainda são sub-16. Eu diria que, quando a época começou, com a minha vitória no 1º Torneio do Circuito Aquapor, seguida de uma excelente prestação no Campeonato Internacional Amador de Portugal, tinha a noção de que, se mantivesse o esforço e dedicação, tinha todas as possibilidades para tornar 2025 numa grande época.
R – Termina o ano como n.º1 do Ranking Nacional BPI. Que significado tem isso para si? Lembro-me de conversar consigo por alturas do Campeonato Internacional Amador de Portugal e de dizer-me que era um objetivo passar o cut. Superou claramente esse objetivo, pois andou no top-10 da prova e terminou no top-25. E ser n.º1 amadora nacional? Também era um objetivo no início de época ou foi algo que foi percebendo que poderia fazer à medida que a temporada se foi desenrolando?
AG – Acabar o ano como a 'melhor jogadora amadora' é algo muito especial. Mas não considero que seja especial pelo apenas título em si, mas sim pelo trabalho todo que reflete. Um trabalho não apenas técnico, mas também em todas as restantes componentes que estão envolvidas na elite do golfe. Refiro-me ao físico, ao mental, à forma de pensamento em campo e na tomada de decisões. Aproveito para agradecer a toda a minha equipa técnica: Callum Burguess, Tomás Carlota, Luís Almeida e Afonso Girão. Passar o cut no Campeonato Internacional Amador de Portugal era de facto, um dos principais objetivos para este ano, e digamos que foi cumprido! Ser n.º1 nacional não era, de todo, um objetivo escrito. Era um objetivo tão evidente que não se podia tornar num objetivo. É como ganhar um torneio – é o objetivo de todos os que estão a jogá-lo, mas não pode ser um objetivo, porque para o alcançarmos temos de focar-nos nos passos que o tornam possível. Esses passos são os objetivos. Ganhar é apenas o seu resultado.
R – A sua época nacional é notável e 4 vitórias em 6 torneios jogados no Circuito Aquapor é qualquer coisa para uma sub-16. E nos outros dois torneios foi 2.ª classificada. Essa capacidade de jogar melhor do que as outras em todo o tipo de campos é sinal de que o seu jogo está mais completo e que consegue encontrar soluções técnicas para desafios estratégicos diferentes?
AG – Apesar de ser uma ótima estatística, e algo de que me orgulho muito, não gosto muito de fazer comparações entre mim e as restantes jogadoras, porque considero que isso não me fará melhor jogadora. O que me torna melhor jogadora é que, cada vez que dou o primeiro tee-shot, quero 'bater o campo', e esse sim é o desfio real. Bati o campo, ou seja fiz voltas abaixo do Par, por isso tive uma uma boa prestação, não bati o campo, logo terei de focar-me no que correu menos bem para a próxima vez consegui-lo fazer. Este ano foi, sem dúvida, o ano em que cumpri mais vezes o objetivo de 'bater o campo'. Na minha opinião, esse é o facto que demonstra o quão completo o meu jogo é. Lembro-me agora de algumas voltas abaixo do Par: -2 no 1.º Circuito Aquapor - Penina, -1 no Campeonato Nacional de sub-16 – Aroeira II, -3 no 5.º Circuito Aquapor – Campo Real e o agregado de -7 no stroke play da Taça da FPG/BPI em Santo Estêvão. Todos eles campos bastante diferentes, o que demonstra uma capacidade de adaptação a campos e condições diferentes.
R – É óbvio que a Sofia Barroso Sá e a Inês Belchior não têm jogado tanto em Portugal e têm sido consideradas as duas melhores jogadoras portuguesas da atualidade. Provavelmente a Amélia concordará com essa avaliação. Mas a sensação é que, em 2025, a sua distância em relação a elas encurtou-se e é uma época em que a Amélia distingue-se como sendo claramente a terceira melhor jogadora portuguesa, o que é notável para uma sub-16.
AG – Não me atreveria, em circunstância alguma, a dizer que sou melhor do que a Sofia e do que a Inês. Aliás, tenho muito orgulho tê-las como modelos para a minha própria carreira. A Sofia até é a minha inspiração desde pequena. Mas sim, até a um certo ponto, acho que essa distância tem ficado cada vez mais pequena. Um bom dia meu, está cada vez mais perto do bom dia delas, ou pelo menos de um dia normal. Gosto de acreditar que o golfe nacional vê-me como a terceira melhor jogadora nacional, até porque acho que seja verdade. Mas, infelizmente, não sou eu que pode concordar ou discordar de uma afirmação destas, pois cabe a todas as pessoas envolvidas no golfe nacional avaliá-lo. Nesta questão, contudo, se for realmente considerada a terceira melhor jogadora nacional, acho que o facto de ser sub-16 ainda torna esta posição em algo mais notável.
R – Este foi também um ano em que teve experiências a nível de torneios profissionais do LETAS, a segunda divisão europeia. Pareceu que, pela primeira vez, vimo-la como uma jogadora claramente com potencial para jogar a nível profissional internacionalmente. Uma coisa é ser campeã nacional de sub-12-14-16, outra coisa é o nível de jogo, que já pareceu mostrar detalhes, que deixam ter a esperança de vê-la um dia jogar ao mais alto nível. Acha também que, nesse sentido, esta época foi diferente das anteriores?
AG – Sim, ter participado em dois torneios do LETAS durante a época mostrou-me como, realmente, poderá ser a minha vida daqui a uma década, no caso de quer seguir o profissionalismo, depois da universidade. Apesar de ambos os torneios em que joguei terem sido ganhos por jogadoras amadoras, as quatro voltas deram-me imensa experiência e noção do que realmente é preciso para se conseguir alcançar o 'sucesso' no golfe profissional. E caso seja esse o meu objetivo, após concluir a universidade nos Estados Unidos – que consta como um dos meus primeiros objetivos –, tenho a certeza de que estarei preparada para o desafio.
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