Cruz e Carlota na Final da Escola sonham com o European Tour

Juntam-se a Filipe Lima de dia 10 a 15 de novembro em Espanha

Tiago Cruz e João Carlota juntaram-se a Filipe Lima na Final da Escola de Qualificação do European Tour e, tal como o campeão nacional, deverão ser forçados a faltar ao Campeonato Nacional PGA Solverde por uma boa causa – estão a seis voltas, a 90 buracos, de fazerem companhia a Ricardo Melo Gouveia e a Pedro Figueiredo na primeira divisão do golfe profissional europeu em 2019.

Ao contrário de Filipe Lima, que se apurou automaticamente para a Final, marcada para o Luminé Golf Club, em Tarragona, de 10 a 15 de novembro – e o Campeonato Nacional começa exatamente no dia 15, em Espinho – Cruz e Carlota tiveram de apurar-se através da sempre difícil Segunda Fase da Escola, que decorreu em quatro campos espanhóis.

O Desert Springs Golf Club, em Almería, foi o único que não teve portugueses em prova. No Las Colinas Golf & Country Club, em Alicante, esteve Ricardo Santos que foi eliminado. Também em Alicante, mas no Alenda Golf competiu João Carlota, enquanto no El Encín Golf Hotel, em Madrid, atuaram Tiago Cruz e Tomás Silva, este último também afastado.

Se na Primeira Fase da Escola houve quase mil jogadores, nesta Segunda Fase já só eram 291, dos quais apenas 95 passaram agora à Final, para a qual já estavam diretamente garantidos 61 jogadores, entre os quais Filipe Lima.

Não é inédito Portugal ter dois representantes com cartão para o European Tour, mas três, a tempo inteiro, é um recorde nacional que poderá ser fixado ainda este ano.

Classificações e resultados

No Alenda Golf estiveram 73 jogadores e 24 seguiram em frente. Venceu o inglês Joseph Dean com 273 pancadas, 15 abaixo do Par, entregando cartões de 68, 67, 66 e 72, que lhe garantiram um prémio de 1.800 euros.

João Carlota foi 21.º classificado com 282 (73+72+68+69), 6 abaixo do Par. E se o suíço de origem portuguesa Raphaël de Sousa apurou-se logo para a Final com um 12.º lugar (-9), Carlota, por seu lado, estava em risco, pois ficou empatado com -6 com os ingleses Matthew Baldwin e Nick McCarthy, o galês Jack Davidson, o dinamarquês Frederik Dreier e o polaco Adrian Meronk.

Ora desses seis jogadores foi preciso eliminar dois e jogou-se um play-off no buraco 1. Carlota foi logo o primeiro dos seis concorrentes a garantir 1 birdie e a passar à Final.

Em El Encin, um campo onde joga com alguma frequência o futebolista Luís Figo e onde nesta altura do ano costuma sentir-se um frio de rachar, estiveram 74 competidores e 25 seguiram em frente.

Tiago Cruz esteve sempre bem dentro dos apurados e terminou no 6.º lugar, com 275 (68+70+68+69), 13 abaixo do Par, sendo o primeiro dos que não teve direito a prémio monetário. Cruz ficou a apenas 4 pancadas do vencedor, o neozelandês Josh Geary, que totalizou 271 pancadas, 17 abaixo do Par, após rondas de 63, 68, 69 e 71, embolsando 1.800 euros.

Neste torneio destacou-se ainda David Bordá, o espanhol que venceu este ano o Obidos International Open e que triunfou também no Tour Championship do Alps Tour Golf, uma das terceiras divisões europeias. Bordá foi 4.º (-14) em El Encin.

Já Tomás Silva foi eliminado na 47.ª posição, com 284 (70+70+72+72), -4, mostrando que mesmo na Escola de Qualificação o nível já se elevou tanto que não basta jogar razoavelmente bem e abaixo do Par para ser-se bem-sucedido.

Finalmente, em Las Colinas, com 70 jogadores, só 23 passaram à Final. O famoso chileno Felipe Aguilar, que tem dois títulos do European Tour e outros tantos do Challenge Tour, viu-se forçado a jogar a Escola este ano e venceu esta Segunda Fase, com 296 pancadas, 15 abaixo do Par, assinando cartões de 66, 67, 67 e 69, para um prémio de 1.138 euros.

Os últimos cinco jogadores a garantirem a passagem à final empataram no 19.º lugar com 7 abaixo do Par. O único português em prova, Ricardo Santos, chegou a meio do caminho, ou seja, aos 36 buracos, bem dentro do cut, na 12.ª posição, mas aos 54 buracos tinha caído para o 22.º posto e aos 72 buracos fechou a sua participação eliminado no 41.º lugar com 282 (70+67+72+73), 2 abaixo do Par.

Declarações de Cruz e Carlota

O apuramento de Tiago Cruz e João Carlota não é uma surpresa, pois já tinham demonstrado estar numa altura de maior confiança na Primeira Fase da Escola de Qualificação, disputada no Guardian Bom Sucesso Golf, em Óbidos, onde Cruz foi 7.º (-6) e Carlota 18.º (-2).

Para Tiago Cruz será uma segunda oportunidade de carreira na Final da Escola de Qualificação… 11 anos depois de ter estado a apenas 1 pancada de aceder ao European Tour.

Com efeito, em 2007, também em Espanha, subiam à primeira divisão os 30 primeiros (e não o top-25 como agora) e o ex-bicampeão nacional encerrou a semana no 31.º lugar!

A Escola tem proporcionado grandes alegrias e fortes tristezas ao profissional do BiG. Em 2015 perdeu o acesso à Final num play-off da Segunda Fase. Foi designado primeiro reserva na Final e ainda viajou para Espanha mas nunca jogou. Em 2016 voltou a falhar por 1 pancada o acesso à Final da Escola. A sorte parece estar a mudar par ao seu lado este ano.

Já João Carlota, profissional da Hilti, vai tentar pela primeira vez a sua sorte na Final da Escola.

A Tee Times Golf conversou com os dois jogadores em exclusivo para Record. Claro que pelas suas palavras percebe-se que Cruz teve sempre a situação controlada, enquanto Carlota andou duas jornadas bem fora dos apurados e necessitou de uma boa recuperação nos dois últimos dias.

Ambos confirmaram que a presença no Campeonato Nacional PGA Solverde será quase impossível, manifestaram-se confiantes nas suas hipóteses na Final da Escola e apontam os sucessos recentes de Ricardo Melo Gouveia e de Pedro Figueiredo como inspiradores.

Tiago Cruz, campeão nacional em 2014 e 2015

«Não conhecia o campo de el Encin. O tempo esteve muito frio durante os dias de jogo e hoje foi o dia mais frio e com mais vento as temperaturas andaram entre os 5 e os 15 graus a semana toda. O campo estava em boas condições, com fairways largos, muitos bunkers e greens grandes com muitas lombas.

«Senti-me a jogar bem, com voltas muito regulares. Tive mais dificuldade nos quatro dias em jogar os segundos nove buracos. Os primeiros nove eram mais acessíveis e com mais oportunidades de birdie. Todas as partes do meu jogo estiveram similares, daí a regularidades dos resultados.

«É sempre bom fazer resultados abaixo do Par para moralizar e ganhar confiança. Aqui havia jogadores bons do Challenge Tour e também alguns do European Tour. Sabia que iria ser difícil a passagem à Final, mas joguei bem e estou muito contente pelo que fiz.

«O Campeonato Nacional começa nos últimos dias da Final se tudo correr bem na Final da Escola não irei jogá-lo. Desta vez a Final joga-se no Luminé Golf (e não no PGA Catalunya) é já lá estive por três vezes a jogar a Segunda Fase.

«É uma enorme alegria vê-los (Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo) a marcarem presença no European Tour em 2019. Vou dar o meu melhor para ir jogar com eles lá em cima para o ano».

João Carlota, atual vice-campeão nacional

«Foi a primeira vez em que joguei neste campo de Alenda. É um campo com muitas oportunidades de birdie, mas muito estratégico. Muitas vezes tínhamos de ser conservadores, tendo em conta o plano de jogo (originalmente mais agressivo).

«A minha confiança foi aumentando de dia para dia. Fui-me habituando mais ao campo e pude ser mais agressivo na minha estratégia do tee, para tirar mais partido da minha distância (longa) e, claro, soube depois concretizar os birdies nos greens, o que fez com que me qualificasse.

«O playoff foi numa formação com 6 jogadores, dos quais só se qualificavam 4. O buraco 1 do campo é um Par-5 com 505 metros a subir. 90% dos participantes não conseguia chegar ao green em 2 pancadas. Então pensei: "é este o teu momento" e assim foi. Comecei com um drive muito bom no fairway, dando logo 30 metros de avanço aos meus adversários de formação. Todos jogaram com 3 pancadas para o green e eu fui lá com 2. A minha segunda pancada foi uma madeira-3 a 220 metros, com brisa contra. Meti a bola no bunker que protegia o green, mas dali fiz um grande shot e meti a bola "dada", sendo assim o primeiro a qualificar-me! Desde o início do último dia, mesmo no play-off, estive tranquilo, pois sabia a tarefa que tinha que fazer.

«Amanhã já vou para Barcelona onde vou dar o meu melhor para preparar-me para mais uma maratona na Final da Escola. Este ano não vou conseguir jogar o Campeonato Nacional pelas razões óbvias da qualificação para a Final da Escola.

«Sem dúvida que ao ver os meus colegas Ricardo e Pedro fazerem o que fizeram este ano, fez-me acreditar que tudo é possível se trabalharmos e principalmente se acreditarmos nas nossas capacidades enquanto jogadores profissionais de elite».

Por Lusa
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