Leonor Bessa 7.ª em Málaga iguala recorde nacional

É a terceira portuguesa a alcançar um top-10 no Ladies European Tour Access Series

• Foto: Santander Golf Tour

Leonor Bessa está a atravessar a melhor fase da sua carreira e igualou nesta quinta-feira a melhor classificação de sempre de uma portuguesa no Ladies European Tour Access Series (LETAS), a segunda divisão do golfe profissional europeu feminino.

 

Aos 22 anos, depois de ter-se sagrado campeã nacional de profissionais em julho e campeã nacional absoluta em setembro, regressou na semana passada aos torneios internacionais, pela primeira vez desde março, para somar duas boas prestações consecutivas.

 

Há uma semana foi 25.ª classificada (empatada) no Lerma Golf, em Burgos e agora obteve pela primeira vez um top-10 em torneios do LETAS, com um 7.º posto (empatado) no Lauro Golf, em Málaga, dois torneios de 35 mil euros em prémios monetários, a contarem simultaneamente para o referido circuito europeu e ainda para o Santander Golf Tour, o circuito profissional espanhol.

 

«Foi a minha melhor classificação de sempre e não tive uma performance excelente, mas foi boa», disse Leonor Bessa à Tee Times Golf, em exclusivo para Record, depois de somar voltas de 70 e 72, para um total de 142 pancadas, 2 abaixo do Par, resultado que rendeu-lhe um prémio de 814 euros.

 

Foi apenas a terceira jogadora portuguesa a terminar uma prova do LETAS no top-10. Susana Ribeiro foi 10.ª no Açores Ladies Open de 2016, enquanto Joana de Sá Pereira cometeu a proeza de colecionar três 7.º lugares: no CreditGate24 Golf Series Hamburg Open, na Alemanha, em 2015, logo depois de ter passado a profissional; no Açores Ladies Open em 2017 e no VP Bank Ladies Open de 2017, na Suíça, país onde nasceu.

 

Joana de Sá Pereira, que brilhou no circuito universitário americano antes de entrar no circuito profissional, deixou de competir em circuitos europeus em 2018, mas ainda manteve-se no ativo em provas da PGA Britânica até finais de 2019. Desde então, não mais competiu.

 

Pelo contrário, Leonor Bessa está mais determinada do que nunca a perseguir o sonho que pareceu comprometido quando no final do ano passado pouco competiu e nem a pandemia travou-a. E este 7.º lugar supera em muito a sua anterior melhor classificação de sempre no LETAS que era ainda a 16.ª posição (+13) no Açores Ladies Open de 2014, quando era ainda amadora.

 

A jogadora de Paredes mudou de vida e sabe o que quer para o futuro. Agora reside e treina no Algarve e o investimento no golfe até teve um reflexo na sua vida privada, pois começou a namorar há alguns meses com Tomás Melo Gouveia, uma das estrelas portuguesas no Pro Golf Tour (uma das terceiras divisões do golfe europeu masculino), que esteve, aliás, com ela em Málaga, como caddie.

 

«Foi excelente poder partilhar um palco destes com ele. Nunca tinha tido a oportunidade de ter um caddie num torneio do LETAS e foi muito bom ter o apoio dele a todos os níveis. Sem ele não teria corrido tão bem, sem dúvida», garantiu a profissional da Nike Golf, que recebeu, assim, a retribuição de ela própria ter sido a caddie do namorado no último Open de Portugal at Royal Óbidos, do European Tour.

 

Leonor Bessa começou o torneio do Lauro Golf no 5.º lugar após a primeira volta e poderia ter regressado ao top-5, mas o mau tempo – de chuvas constantes e nevoeiro – que fez-se sentir nesta quinta-feira no sul de Espanha, forçou a organização a cancelar a terceira e última volta.

 

«Nestas duas semanas joguei bom golfe. Muito melhor do que no Campeonato Nacional Absoluto Audi. Nesta semana, o shot ao green não esteve tão bom, mas estive bem do tee e no green», especificou.

 

Em Espinho, há três semanas, a irmã mais nova de Tomás Bessa – também ele campeão nacional de profissionais – queixou-se de que queria jogar abaixo do Par e não conseguia.

 

Em Espanha as coisas melhoraram. Em Lerma teve uma boa primeira volta de 69. Seguiram-se, é certo, rondas de 74 e 72, mas o agregado de 1 abaixo do Par (para um prémio de 562 euros) prova que atingiu o objetivo de jogar em "números vermelhos". Já nos últimos dois dias nunca jogou acima do Par do Lauro Golf, o que é extremamente positivo e tem sido pouco frequente na sua carreira internacional.

 

«Algumas partes do meu jogo falharam e não me deixaram jogar mais abaixo do Par (no segundo dia), mas deixa-me contente saber que estou próxima de consegui-lo», sublinhou, referindo-se aos cartões de 70 e 72, para o tal agregado de -2.

 

Nunca Leonor Bessa tinha terminado dois torneios internacionais consecutivos abaixo do Par (-1 em Burgos e -2 em Málaga) e poderá melhorar esse registo em Madrid, onde irá jogar-se o último torneio do Santander Golf Tour de 2020 aberto a jogadoras estrangeiras. Joga-se a 27 e 28 de outubro, no Golf de Santander, onde também estará Susana Ribeiro.

 

Por falar em Susana Ribeiro, a ex-campeã nacional competiu igualmente nestes dois torneios espanhóis, tendo sido 37.ª (+2) no Lerma Golf e 36.ª (+4) no Lauro Golf, mas disso falaremos mais brevemente num artigo especialmente dedicado a este seu final de temporada.

 

Hoje o dia pertence a Leonor Bessa, por ter igualado um recorde nacional e por ter segurado o seu lugar no top-10 do ranking do Santander Golf Tour de 2020. Para a semana, em Madrid, poderá mesmo encerrar a temporada espanhola entre as cinco primeiras do ranking deste circuito.

 

É importante para a jovem de 22 anos competir neste circuito espanhol, que muitas vezes acolhe também eventos da segunda divisão europeia, para perceber que está a melhorar mas ainda precisa de progredir mais para lutar pelos títulos. Em Burgos ficou a 11 pancadas da campeã, a espanhola Luna Sobrón e em Málaga a 5 da vencedora, a amadora francesa Agathe Laisne.

 

A campeã nacional não aparece na Ordem de Mérito do LETAS porque não é ainda sócia deste circuito, mas deverá tornar-se membro brevemente.

 

Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

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