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Novo campeão nacional amador, de 22 anos, estuda no Porto
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Miguel Azevedo Cardoso, o novo campeão nacional amador, meteu-se na luta pelo posto de n.º1 no Ranking Nacional BPI da FPG para amadores
Miguel Azevedo Cardoso quebrou uma série de três anos em que o torneio amador do Campeonato Nacional Absoluto KIA foi ganho por jogadores que competem no circuito universitário norte-americano e estudam nos Estados Unidos. Aos 22 anos, mostrou que, com muito esforço, também é possível estudar e competir em Portugal ao mais alto nível.
"Estou a tirar licenciatura em Engenharia Informática na ESTG (Escola Superior Tecnologia e Gestão), do politécnico do Porto", disse a Record, depois de alcançar o mais importante feito desportivo da sua carreira, ao sagrar-se campeão nacional amador, no Quinta do Peru Golf & Country Club, no concelho de Sesimbra.
O jogador do Oporto Golf Club somou 285 pancadas, 3 abaixo do Par, após voltas de 70, 69, 74 e 72, batendo por 2 pancadas o seu companheiro de clube, Pedro Correia Mendes (-1), que assinou cartões de 71, 70, 72 e 74.
Na classificação geral, contando os profissionais, Miguel Cardoso foi o 5.º classificado e Pedro Mendes o 6.º. Dois amadores no top-6 já seria digno de registo, mas, mais importante do que isso, de um total de 79 participantes (63 amadores e 16 profissionais), só os seis primeiros chegaram ao final dos 72 buracos com um resultado abaixo do Par e entre eles estavam os novos campeão e vice-campeão nacionais amadores.
O 3.º lugar na classificação amadora do torneio organizado pela Federação Portuguesa de Golfe foi ocupado por Afonso Rui Oliveira (do Clube de Campo da Aroeira). O ainda campeão nacional de sub-16 foi o 7.º da tabela geral, a Par do campo, após rondas de 68, 72, 76 e 72.
Como salientou o ‘press officer’ da FPG, Castro Martins, "a prova de amadores masculinos foi a mais discutida".
Com efeito, na competição feminina, Inês Belchior liderou desde o início e fechou com uma vantagem de 13 pancadas sobre as 2.ª’s classificadas, Francisca Rocha e Ana da Costa Rodrigues.
E no evento de profissionais, Pedro Figueiredo comandou no final de todas as voltas e terminou com um desnível de 7 pancadas sobre Ricardo Santos e Pedro Almeida, os 2.º’s posicionados.
Neste Campeonato Nacional Amador, pelo contrário, as coisas andaram muito mais animadas. Após os primeiros 18 buracos, o líder era Afonso Oliveira, mas aos 36 buracos já era Miguel Cardoso a chegar-se à frente. Aos 54 buracos houve um novo comandante, João Teixeira e Costa (Aroeira), para, finalmente, aos 72 buracos Miguel Cardoso regressar ao topo dos amadores.
"Este torneio foi um grande desafio. Eu sabia que tinha de estar bem consistente durante quatro dias seguidos e quanto mais estável emocionalmente estivesse, melhor. Ao fim de dois dias ia a liderar o torneio, sentia-me bem com o meu jogo e estava muito sólido. No terceiro dia as coisas começaram a complicar-se bastante", recordou.
A recuperação do agora campeão nacional amador mostrou muita garra, por parte de um jogador que sempre ostentou qualidade técnica, mas que, por vezes, não acreditava suficientemente em si próprio. Desta feita, depois de uma terceira volta em 74 pancadas – que poderia ter deixado tudo a perder –, cerrou os dentes, foi à luta para perseguir a sua maior vitória de sempre e igualou o Par-72 do campo no último dia.
"Nessa terceira volta, por causa do nervosismo, ao fim de 4 buracos já ia com 4 acima do Par. As coisas não estavam a correr bem para o meu lado. No entanto, senti-me com mentalidade de vencedor. Não queria deitar tudo por água abaixo ao fim de três dias de jogo", explicou.
"Lembro-me de que ia a +5 para o buraco 13 quando o meu treinador veio ter comigo para acalmar-me e eu disse-lhe: ‘Não vai ser hoje que vou desistir. faltam 24 buracos pela frente e ainda tenho muito para dar’. A partir daí, fiz birdies nos buracos 13, 14 e 16. De um momento para o outro passei de +5 para +2. Depois, olhei para a classificação e vi que já só estava a 1 pancada do líder. Portanto, diria que, sim, foi a minha pior volta, mas, ao mesmo tempo, foi a minha volta mais importante do torneio", assegurou.
A relação de Miguel Cardoso com o seu treinador tem sido importante no seu crescimento como jogador, tanto a nível técnico como mental: "O meu treinador é o Miguel Valença. Já trabalho com ele desde 2020, quando mudei-me para o Oporto Golf Club. No entanto já tínhamos trabalhado antes quando jogava pelo Clube de Golfe de Paredes, se não me engano foi na época de 2018/2019".
Aos 22 anos, Miguel Cardoso começa a ganhar uma maturidade de vida que nota-se depois no campo. Este ano, por exemplo, aprendeu a lidar melhor com o equilíbrio complicado entre o ensino superior e a prática desportiva de alto rendimento.
Nos Estados Unidos é muito mais fácil conciliar as duas tarefas e tanto Daniel da Costa Rodrigues em 2021, como Pedro Cruz em 2022 e 2023 sagraram-se campeões nacionais amadores em épocas em que competiam no circuito universitário norte-americano. Em Portugal o desafio é maior.
"Este ano já passei por muita coisa. A faculdade não me facilitou muito e conciliar ambas as coisas foi mesmo muito stressante. Foi muito complicado gerir tudo. Foram muitas aulas perdidas, muitos testes a serem adiados. Houve alturas em que não tinha cabeça nenhuma para treinar. Não é uma tarefa fácil, mas foi a vida que escolhi. Felizmente, consegui dar a volta por cima", disse, orgulhoso.
A recompensa foi ver o seu nome num troféu que já foi elevado por craques como Pedro Figueiredo, Ricardo Melo Gouveia, Nuno Campino, Tiago Cruz, Hugo Santos, Pedro Lencart, Tomás Silva, jogadores que, depois disso vieram a sagrar-se também campeões nacionais de profissionais.
"Foi, provavelmente, a minha maior conquista enquanto jogador. Lembro-me de, quando era mais novo, pensar como é que seria pegar numa taça daquelas. Na altura, nunca me passou pela cabeça que iria chegar tão longe, muito menos ganhar o Campeonato Nacional Amador. Realmente, foi um dia muito especial, foi um sonho concretizado, mas não se trata só de uma simples vitória, é fruto de muito trabalho, de muito sacrifício e de muito amor ao desporto", afirmou.
Em duas semanas, o jogador do clube de Espinho viveu os seus dois momentos mais emocionantes como golfista. Mesmo antes do Campeonato Nacional tinha integrado a seleção nacional que assegurou a permanência na 1.ª Divisão do Campeonato da Europa Amador de Equipas Masculinas.
"Uma grande conquista que também alcancei este ano foi ter jogado o European Amateur Team Championship. Foi uma honra ter representado as cores do meu país num Campeonato da Europa e conseguimos o nosso principal objetivo que era mantermo-nos na 1º Divisão. Sem dúvida que esse torneio vai também marcar-me para sempre", garantiu.
A decisão da FPG realizar o Campeonato Nacional Absoluto KIA logo depois dos dois Europeus (o de sub-18 e o do escalão principal) faz com que os jogadores apareçam num topo de forma.
Não é por acaso que dos sete primeiros da classificação amadora só o agora vice-campeão nacional amador, Pedro Correia Mendes, não esteve numa dessas duas seleções dos Europeus.
Por outro lado, dos convocados para esses Europeus, só Pedro Cruz e Kiko Matos Coelho (jogadores do circuito universitário americano) faltaram ao Campeonato Nacional, mostrando como na Quinta do Peru esteve grande parte da elite amadora portuguesa.
Mais um motivo de orgulho para Miguel Cardoso que, no ano passado, já tinha obtido uma primeira grande vitória, no 5.º Torneio do Circuito da FPG, no Aroeira Pines Classic.
Foi em Novembro último, num mês em que também teve uma boa segunda volta num torneio de profissionais da PGA de Portugal, realizado em Ponte de Lima. Terminou a temporada de 2023 no 10.º lugar do Ranking Nacional BPI, a tabela federativa para amadores.
Este ano, para além deste título nacional e da ida à seleção nacional, obteve outro bom resultado, quando foi o segundo melhor amador (o 4.º da classificação geral) no 2.º Torneio do Circuito Aquapor/FPG no Ribagolf Oaks.
"Nem tudo foi um mar de rosas, como disse anteriormente, mas acho que nunca joguei tão consistente como neste ano. Já joguei muitos torneios, não só nacionais, mas também internacionais, e, sem dúvida, a experiência acumulada fez com que tornasse-me num jogador muito melhor do que no ano passado", reconheceu.
Um progresso com reflexos imediatos no Ranking Nacional BPI/FPG, onde saltou agora para o 2.º lugar, estando a apenas a 25 pontos do n.º1, João Miguel Pereira (Aroeira).
Ser o n.º1 amador português no final da época não era, provavelmente, um alvo que Miguel Cardoso visasse com seriedade, mas, a partir deste momento, a situação alterou-se radicalmente.
"Ganhar o Ranking Nacional BPI este ano seria um grande feito e ainda é possível. Para fazê-lo, tenho de continuar com o trabalho que tenho efetuado até agora. Ainda faltam muitos torneios até ao final da época, por isso, tudo pode acontecer", afirmou, claramente motivado.
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