Stephen Ferreira aposta em Portugal

O português do Zimbábue poderá vir a residir no Algarve e chega já em setembro

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Stephen Ferreira vai apostar a sério em Portugal pela primeira vez na sua ainda curta carreira profissional.

O português de 28 anos, lusodescendente e residente no Zimbábue, já veio jogar esporadicamente a Portugal, mas agora pretende basear-se durante alguns meses no país que sempre representou, para competir e treinar. 

«Tenho estado a pensar em mudar de residência para Portugal, ou no final deste ano, ou no início do próximo ano. Acho que seria a medida correta para a minha carreira. Sinto que terei melhores oportunidades na Europa e até talvez melhores hipóteses de patrocínios, do que no Zimbábue ou na África do Sul», disse Stephen Ferreira à Tee Times Golf, em exclusivo para Record

Residir no Algarve parece-lhe ser claramente «a melhor opção», mas admite ter ainda de estudar «muitos detalhes, antes de perceber exatamente qual o local ideal para viver e treinar». 

Stephen Ferreira tem vindo a melhorar todos os anos a sua prestação no Sunshine Tour, a primeira divisão sul-africana. Terminou em fevereiro a época de 2019/2020, tornando-se no primeiro português a qualificar-se para o The Tour Championship, ao fechar a temporada na 33.ª posição da Ordem de Mérito, a melhor cotação de sempre de um golfista nacional. 

O Sunshine Tour também sofreu uma paragem devido à pandemia, mas retomou a sua atividade no passado dia 19. E embora no torneio inaugural tenham estado presentes jogadores da África do Sul, Grécia, Escócia, Brasil e até mesmo um do Zimbábue, o português disse-nos que para ele não era uma opção porque não está a viver na África do Sul: «As fronteiras estão fechadas para jogadores internacionais e eu não posso neste momento entrar na África do Sul». 

Essa limitação poderia ser um problema para o português do Zimbábue. Não podendo jogar nos torneios, correria o risco de perder o seu estatuto de membro do circuito mas, felizmente, foi-lhe dada a garantia de que manterá esse estatuto na próxima época: «O Sunshine Tour congelou os rankings para a presente temporada, o que significa que na próxima terei a mesma classificação». 

Mais um motivo para arriscar uma carreira na Europa, até porque não se saiu nada mal nos torneios que o Challenge Tour realizou na África do Sul no início do ano e é por isso que ocupa o 64.º lugar na Corrida para Maiorca, o ranking da segunda divisão europeia. 

«Quero tornar-me sócio da PGA de Portugal e membro da Federação Portuguesa de Golfe (FPG) e estou muito interessado em jogar o Open de Portugal at Royal Óbidos e depois o Campeonato Nacional Absoluto Audi na semana seguinte. A partir de novembro, planeio competir no Portugal Pro Golf Tour», explicou-nos. 

Nesse sentido, já enviou emails a João Coutinho, o diretor-técnico nacional da FPG, e a Nélson Cavalheiro, o presidente da PGA de Portugal. 

«O Sr. Coutinho disse-me que não pode dar qualquer certeza de ser-me atribuído um convite para o Open de Portugal, mas que, em contrapartida, posso jogar no novo torneio de profissionais do Campeonato Nacional Amador da semana seguinte ao Open. O Sr. Cavalheiro já me enviou os formulários para eu poder tornar-me sócio da PGA de Portugal (e, consequentemente, da FPG)», acrescentou. 

Embora não tenha nascido nem nunca tenha residido em Portugal, Stephen Ferreira é mesmo português: «Tenho passaporte português, aliás, nunca tive passaporte de qualquer outra nação». É por isso que tem sempre jogado por Portugal nos circuitos em que compete e é por isso que, sendo o terceiro melhor português no ranking mundial, não é completamente impossível uma presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio. 

No curto prazo os seus planos são simples: «Na quinta-feira da próxima semana viajo para o Reino Unido. Vou jogar alguns torneios do Jamega Pro Golf Tour antes de viajar para Portugal. Seria ótimo que fosse para o Open de Portugal at Royal Óbidos». 

Recorde-se que, sendo Portugal um país caracterizado pela sua diáspora, é normal que periodicamente surjam jogadores lusodescendentes a representarem o país em circuitos profissionais. Aconteceu na década de 1990 com Daniel Silva (oriundo da África do Sul), desde a década de 2000 com Filipe Lima (França) e atualmente com Stephen Ferreira (Zimbábue) e João Zitzer (Alemanha). Destes, só Daniel Silva escolheu residir em Portugal. 

O golfe português tem, sem dúvida, beneficiado destes lusodescendentes, que trazem a cultura desportiva dos seus países de origem. A presença de Stephen Ferreira em alguns torneios portugueses irá também provocar um impacto mediático interessante, pelo menos nas primeiras provas e, sobretudo, se revelar um elevado nível de jogo, como aconteceu com Daniel Silva e Filipe Lima. 

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

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