Susana Ribeiro multifacetada ainda compete mas com outras prioridades

“A competição já não faz parte das minhas prioridades, mas é algo que me dá prazer, continuo a gostar muito de jogar golfe, apesar de não me ver a jogar no circuito profissional”, disse à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

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• Foto: D.R.

Susana Ribeiro é, provavelmente, a jogadora portuguesa com o melhor palmarés desportivo de sempre, embora preveja-se que os seus recordes nacionais possam ser batidos nos próximos anos.

 

Três anos depois de ter alcançado a sua melhor época desportiva de sempre, já não encara o circuito como uma carreira de futuro, embora continue a manter o estatuto e as competências de uma golfista profissional.

 

“A competição já não faz parte das minhas prioridades, mas é algo que me dá prazer, continuo a gostar muito de jogar golfe, apesar de não me ver a jogar no circuito profissional”, disse à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

 

Foi, por isso, com alguma surpresa que vimos o seu nome no 10.º lugar (+18) de um torneio do Santander Golf Tour (SGT), o circuito profissional espanhol, em Saragoça, onde fez voltas de 80 e 82. “Ainda gosto de participar em algumas competições – acrescentou –, mas não tinha intenção nenhuma de jogar este torneio. Foi-me pedido pela diretora do circuito para jogar o Pro-Am, porque tinham falta de jogadoras. Por tudo o que fizeram por mim, sempre me trataram muito bem, quer no SGT, quer no Open de Espanha, achei que deveria ir como forma de agradecimento. E como era uma semana com feriados, resolvi perguntar se era possível jogar também o torneio principal”.

 

Um torneio em que outra portuguesa, Sara Gouveia, sagrou-se vice-campeã, igualando a melhor classificação de sempre de uma portuguesa neste circuito… exatamente Susana Ribeiro em 2017. “Não fui minimamente preparada, porque nas últimas semanas não tenho tido muito tempo para treinar. E eu gosto de preparar-me com tempo, porque nenhum jogador gosta de jogar mal… eu detesto”, asseverou.

 

No entanto, a experiência valeu a pena, porque serviu de preparação para um mês de julho mais ativo em termos competitivos: “Vou jogar o Open Xiragolfe e o Campeonato Nacional Absoluto Hyundai. Daí que, faltando um mês, tivesse ideia de na semana passada iniciar os treinos para essas duas provas. Nesse sentido, foi bom ter ido jogar esse torneio do SGT. Consegui perceber que, para além de precisar de treinar mais, preciso de competir mais, porque é muito diferente o treino sem qualquer pressão e depois quando coloco o cartão no bolso”.

 

Agora, quando compete, é “pelo prazer”, mas o orgulho de campeã continua lá. “Mesmo não entrando nos torneios com qualquer expectativa, não gosto de fazer muitas pancadas. Claro que depois de terminado o jogo, passa tudo, porque não é mais a minha vida”, sublinhou.

 

Uma profissional de golfe não se limita, contudo, à competição. Há outras funções e Susana Ribeiro tem-nas explorado, revelando-se multifacetada.

 

Por exemplo, completou os níveis 1 e 2 do curso de formação de treinadores da Federação Portuguesa de Golfe (FPG): “Já estou a dar aulas de golfe na Penha Longa, num regime de dar aulas apenas quando me marcam e em dias em que tenha disponibilidade”.

 

Continua a ser requisitada para os sempre populares Pro-Am, seja em Portugal, seja no estrangeiro. Este ano já foi duas vezes no El Rompido Golf, na Andaluzia. “É uma empresa inglesa que já me tinha convidado em 2019. Em 2020 também tinham convidado para a semana em que iniciámos o confinamento e a prova foi cancelada (devido à COVID-19). Este ano convidaram-me para dois torneios, um feminino e outro misto. As profissionais proporcionam uma semana bonita aos amadores e no final é difícil vir embora porque criamos uma relação com os elementos da equipa. Do Pro-Am de 2019 mantenho muito contacto com as senhoras com que joguei e o mesmo já está a acontecer com as pessoas deste ano”, contou. 

 

A sua faceta mais conhecida talvez seja a de comentadora de golfe nas transmissões que o canal 2 do Eurosport faz do PGA Tour.

 

Mas um papel bastante importante, do qual pouco se fala, é ser um dos membros do painel de especialistas da TaylorMade. “Faço parte do Women’s Advisory Board da TaylorMade, que ajuda a marca a desenvolver todo o material, várias iniciativas e tudo o que esteja relacionado com o golfe feminino. Temos algumas reuniões anuais, por vezes via remoto, por vezes presenciais e nessas temos alguns momentos de convívio e jogamos juntas”, elucidou.

 

“É uma experiência muito interessante, porque tem de ser tudo pensado ao pormenor. Somos dez jogadoras, todas de países díspares da Europa, com experiências distintas para partilhar a nível de treino e de mercados diferenciados. A TaylorMade vai agora lançar em julho uma nova gama de material feminino que foi toda desenvolvida por nós, através dos nossos inputs”, contou a sócia do Club de Golf de Miramar, em Vila Nova de Gaia, embora trabalhe em Lisboa.

 

Aos 31 anos (completa 32 a 11 de agosto), numa idade ainda bastante jovem no golfe, poderia continuar a lutar por recordes nacionais, mas, mesmo assim, deixa atrás de sim um palmarés de respeito, destacando-se ter sido campeã nacional de profissionais em quatro ocasiões, a última das quais em 2019, depois de ter sido tricampeã nacional de amadoras entre 2013 e 2015.

 

É a jogadora portuguesa com mais top-10’s no Santander Golf Tour (SGT), o circuito profissional espanhol; É uma de três jogadoras portuguesas a alcançarem um top-10 no Ladies European Tour Access Series (LETAS), a segunda divisão europeia, a par de Joana de Sá Pereira e Leonor Bessa; E no Ladies European Tour, a primeira divisão europeia, alcançou um dos melhores resultados portugueses de sempre com o 32.º posto no Open de Espanha de 2019.

 

A sua carreira de jogadora decorreu paralelamente ao percurso académico de sucesso. Licenciou-se em Gestão de Empresas na Universidade Católica e concluiu uma pós-graduação em Marketing e Gestão do Desporto no ISCTE. “A minha prioridade é agora a Metlife, como agente de seguros. Comprometi-me, estou a gostar e vejo futuro”, frisou, mas a paixão pelo golfe e pela competição mantém-se, e pretende-se conservar o estatuto de profissional de golfe.

 

Aliás, de certa forma, até está a desempenhar um mandato de serviço público junto da sua classe, como vice-presidente da PGA de Portugal. E o atual presidente, Nelson Cavalheiro, já disse que vê-a com hipóteses de tornar-se um dia na primeira mulher a presidir à associação dos profissionais de golfe portugueses.

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