Tomás Bessa vice-campeão no 1.º Palmares Open

Português quer jogar o PT Tour de 2022/2023 e comenta êxitos de ‘Figgy’ e Santos na Final da Escola

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• Foto: Berto Granja

O Portugal Tour (PT Tour) de 2021/2022 terminou com a vitória de Ricardo Santos, em março, e a época de 2022/2023 arrancou esta semana, com Tomás Bessa a sagrar-se quinta-feira vice-campeão do 1.º Palmares Open, em Lagos.

 

O único circuito internacional realizado anualmente no nosso país é organizado pelo empresário José Correia, um ex-presidente da PGA de Portugal, e sancionado pela Federação Portuguesa de Golfe (FPG) e pelo Jamega Pro Golf Tour britânico.

 

A nova temporada é composta por 13 torneios, entre novembro de 2022 e março de 2023. Todos os torneios realizam-se no Algarve e cada um oferecerá 10 mil euros em prémios monetários, com dois mil euros para o vencedor. A única exceção será o Optilink Tour Championship, a prova de encerramento, com o dobro do ‘prize-money’ (20 mil euros), decorrendo de 11 a 13 de março, no Dom Pedro Laguna Golf Course, em Vilamoura.

 

O interesse desportivo do PT Tour é enorme, pois permite a alguns dos bons jogadores europeus do Challenge Tour (segunda divisão) e de escalões inferiores competirem e treinarem.

 

O melhor exemplo foi dado recentemente com a vitória do inglês Jordan Smith no Portugal Masters do DP World Tour. Smith é um antigo n.º1 do ranking do agora PT Tour que, então, chamava-se Algarve Pro Golf Tour.

 

Nesta altura do ano, as condições meteorológicas não permitem competições de golfe na maioria dos países da Europa central e do norte, bem como nas ilhas britânicas. Em contrapartida, o Algarve é um paraíso e o PT Tour uma boa solução, como se viu já neste 1.º Palmares Open.

 

"Choveu muito pouco, só em dois ou três buracos. Jogámos de polo o tempo todo, com uns 20 graus. Esteve apenas vento, muito vento, na ordem dos 25 ou 30 km/h de oeste", explicou Tomás Bessa a Record. E o vento, já se sabe, é até apreciado pelos melhores jogadores de golfe.

 

É preciso ter também em conta que o Challenge Tour só irá começar em fevereiro ou março, tal como o Alps Tour e o Pro Golf Tour (duas das terceiras divisões europeias). Isso faz com que o nível competitivo no PT Tour costume ser elevado, entre os jogadores com "fome de bola".

 

A melhor prova do nívele de jogo elevado foi dada já neste primeiro torneio, com o esloveno Zan Luka Stirn a vencer com 17 pancadas abaixo do Par, após voltas de 65, 66 e 68 aos percursos Praia e Alvor do Palmares Ocean Living & Golf Resort.

 

Tomás Bessa esteve na luta pelo título até ao fim. Ficou a apenas 2 pancadas do campeão, com um total de 15 abaixo do Par, registando voltas de 68, 64 e 69. Um resultado excelente.

 

"Foi obviamente um ótimo resultado. Joguei bem, foi pena a vitória ter ficado muito perto, mas fico feliz por o meu jogo estar a melhorar. Claro que há aspetos que podem ser melhorados e sê-lo-ão nesta pré-temporada, até começar o Challenge Tour, que será mais ou menos em março", considerou o jogador de Paredes, que reside há uns quatro anos no Algarve, para ter melhores condições de treino.

 

Tomás Bessa arrecadou um prémio de 1.300 euros e não foi o único português a tirar proveito desta primeira etapa do PT Tour. Tomás Melo Gouveia foi 7.º classificado, a Par do campo, com rondas de 74, 74 e 68, para um prémio de 487 euros; Pedro Lencart foi 15.º (+6), com cartões de 74, 70 e 78, recebendo 100 euros.

 

Fora do top-15 houve mais três portugueses com as seguintes classificações: João Girão 22.º (+11), Alexandre Abreu 27.º (+22) e João Pinto Basto 28.º (+23).

 

Este primeiro torneio teve 36 jogadores, um número interessante, mas longe dos quase cem jogadores que costumam aparecer nos eventos de janeiro e fevereiro.

 

Para o Algarve, o PT Tour representa centenas de estadas de estrangeiros no outono e inverno. E como os torneios são agrupados em séries de dois, cada estada prolonga-se em média por nove ou dez dias.

 

Para os jogadores portugueses este circuito é uma oportunidade excelente de competirem e de prepararem a próxima temporada sem custos de deslocação demasiado elevados.

 

Tomás Bessa é um desses exemplos. Na época passada do PT Tour, ganhou eventos em novembro de 2021 e em janeiro de 2022. Quando em fevereiro de 2022 arrancou o Alps Tour, estava bem rodado e entrou "a matar", vencendo logo o terceiro torneio desse circuito.

 

Fez história, ao tornar-se no primeiro português a conquistar um título no Alps Tour. Esse bom momento prolongou-se pelo ano fora e levou-o a ser indiscutivelmente o melhor golfista nacional em 2022, logo depois dos "intocáveis" Ricardo Melo Gouveia, Pedro Figueiredo e Ricardo Santos. Aliás, em 2022, foi mesmo o único português a passar os cuts no Open de Portugal at Royal Óbidos e no Portugal Masters em Vilamoura.

 

Não admira que vá optar pela mesma receita (como outros jogadores nacionais), sabendo que subiu de divisão e em 2023 irá jogar predominantemente no Challenge Tour. Record conversou brevemente com o campeão nacional de 2020 e nota-se que está motivado depois do seu melhor ano de sempre.

 

Record – Há duas semanas jogaste a Segunda Fase da Escola de Qualificação do DP World Tour, em Espanha. Não passaste à Final como desejavas e foi o encerrar da tua temporada. Como foi essa decisão de, pouco tempo depois, estares de novo a jogar e ao mais alto nível?

 

Tomás Bessa – A seguir à Segunda Fase da Escola tirei três ou quatro dias sem golfe para relaxar. Tive uma época muito longa, joguei mais de 30 torneios e precisava de não pensar em golfe durante alguns dias. Não sabia se após esses dias teria vontade de competir mais este ano. Afinal, decidi que iria jogar estes torneios, até porque em dezembro não tenho qualquer competição e retomarei este PT Tour em janeiro.

 

R – Fazer 15 abaixo do Par em três voltas é muito bom. Estavas à espera de jogar assim?

 

TB – Sinceramente, não tinha nenhum objetivo. Só queria mesmo jogar e ver em que ponto estava o meu jogo, para poder fazer uma avaliação ainda melhor do que tenho de progredir para o próximo ano. Claro que já tinha feito essa introspeção nestes quatro dias em que não peguei num taco. Fiquei feliz por ter jogado bem e foi uma ótima decisão ter vindo jogar.

 

R – Foram dias de chuva em quase todo o país, mas disseste que aí praticamente não choveu. Como as condições meteorológicas influenciaram o teu jogo?

 

TB – Nos três dias houve sempre a mesma direção de vento forte, pelo que fui-me adaptando ao campo. Havia certos shots em que já sabia que iria ter o vento numa direção mais predominante. Sabia como defender-me ou jogar para distâncias mais confortáveis. Isso ajudou-me a perceber em que buracos poderia ser mais agressivo e em quais deveria ser mais conservador, e ainda como deveria jogar com as posições das bandeiras.

 

R – Já tens uma ideia de que competições desejas jogar até começar o Challenge Tour do próximo ano?

 

TB – O meu plano é, até ao Challenge Tour, jogar todos, ou praticamente todos os torneios do PT Tour. Ainda não saiu o calendário do Challenge Tour de 2023, mas, seguramente, não irá começar antes de finais de fevereiro, inícios de março, como tem sido habitual. Vou fazer algumas alterações para melhorar o meu jogo e estes serão torneios chave para ver se estou no bom caminho e se as coisas estão a resultar. O Challenge Tour deverá começar com os torneios na África do Sul, como sucedeu nos anos anteriores. Aí deverei ter mais dificuldade em entrar, visto não ter categoria ‘full’ para o Challenge Tour. Talvez entre em alguns, mas nada é certo. Há que esperar. Se entrar quererei ir, até porque é um país onde nunca fui e tem uma enorme tradição de golfe.

 

R – Já estavas a jogar este 1.º Palmares Open quando em Espanha estava a terminar a Final da Escola de Qualificação. Costumas seguir o que fazem os outros portugueses? Andaste atento aos sucessos do Pedro Figueiredo e do Ricardo Santos?

 

TB – Vivo muito o golfe, não só para mim, mas também para os meus amigos. Torço muito por eles quando estão a jogar lá fora. Fiquei muito feliz por irmos ter pelo menos três jogadores portugueses no DP World Tour no próximo ano. Muito feliz pelo Figgy e pelo Ricardo Santos. Obviamente, o ‘Melinho’ (Ricardo Melo Gouveia) ficou pelo caminho, mas ele terá na mesma alguma categoria no DP World Tour. É um jogador que tem muitíssima qualidade e mereceria estar no DP World Tour com uma categoria melhor, mas tenho a certeza de que, com a qualidade e com todo o trabalho que tem feito, será capaz de jogar bem nos torneios em que entrar e vai recuperar o ‘full status’ no DP World Tour. Sou um grande amigo do ‘Figgy’, sempre achei que ele é um jogador que surpreende qualquer pessoa, porque pode não estar a jogar o seu melhor e na semana seguinte é capaz de fazer o que vimos na Escola, onde esteve sempre do top-25. Tem enorme talento e dedicação e está de volta ao DP World Tour, onde pertence. O Ricardo Santos tem mais do que qualidade para estar naquele nível. Para ele acredito que a Escola tivesse muita pressão, porque como teve um ano pouco positivo, era difícil apostar tudo numa só semana. Tê-lo conseguido, com toda essa pressão, demonstra que tem muita qualidade e nada acontece por acaso.

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