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A decisão do Comité Olímpico Internacional (COI), tomada na terça-feira, em levantar a suspensão aos atletas russos tem indignado a sociedade ucraniana, sentimento que conta com solidariedade internacional.
"É um sinal preocupante para toda a comunidade internacional", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, recordando que a guerra continua com vítimas civis diariamente e a destruição de cidades.
Como tal, o governante instou as federações desportivas internacionais a manterem as restrições, considerando ainda que a bandeira e o hino russos não deveriam estar presentes num evento desportivo, algo que o COI ainda mantém válido para os Jogos Olímpicos Los Angeles2028, situação que vai "analisar oportunamente", apesar de ter dado liberdade de decisão aos seus filiados nos respetivos eventos.
A comissão executiva do COI, reunida na terça-feira na Suíça, levantou provisoriamente a suspensão do Comité Olímpico Russo (ROC) com o fundamento de que este já não conta entre os seus membros com organizações desportivas de regiões ucranianas ocupadas.
Esta decisão surgiu exatamente dois meses depois de terem sido levantadas as restrições aos atletas da Bielorrússia, cúmplice da Rússia no ataque à Ucrânia, neste caso, sem condicionantes de uso de bandeira, hino ou símbolos do país.
"A direção do COI está a tocar no fundo mais uma vez", criticou o desportista ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych, desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 por usar um capacete com fotos de alguns dos mais de 680 desportistas ucranianos mortos na guerra.
O anúncio do COI foi feito enquanto decorreram ataques maciços com mísseis balísticos que causaram a morte de pelo menos 57 civis, só em Kiev, durante a última semana, aumentando a indignação entre os ucranianos.
O campeão olímpico de luta greco-romana e deputado ucraniano Zhan Beleniuk salientou que a decisão contradiz os valores olímpicos e "mancha gravemente a reputação do COI".
"O movimento olímpico deveria ser um símbolo de paz. Mas a paz não pode ser construída fingindo que a agressão não existe", sublinhou.
Contas feitas, apenas 27 desportistas russos participaram nos anteriores Jogos de Paris2024 e Milão-Cortina2026 com estatuto neutro.
"Recentemente, reintegraram os bielorrussos e agora os russos...", lamentou o presidente do comité olímpico ucraniano, Vadym Gutsait, assumindo não ter uma "resposta" sobre o que a Ucrânia deveria fazer para garantir que representantes de países agressores não estejam presentes nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.
Entretanto, foi já permitido recentemente a desportistas da Rússia e da Bielorrússia competir sob a sua própria bandeira em provas de halterofilismo, luta livre, sambo, judo, taekwondo, muay thai, esgrima e ginástica artística.
O ministro do Desporto polaco, Jakub Ratnicki, condenou também a decisão e afirmou que esta não altera a posição do seu país em relação à proibição de desportistas russos competirem no seu território sob os símbolos nacionais.
Daina Gudzineviciute, líder do Comité Olímpico Nacional da Lituânia, salientou igualmente que a medida é prematura enquanto a guerra da Rússia na Ucrânia continuar e a integridade territorial desta não for reposta e assegurada.
"O COI aceita dinheiro russo em troca de sangue ucraniano", criticou na rede social X o político opositor russo no exílio e ex-campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov.
Tradicionalmente um dos países com maior peso olímpico, a Rússia está, desde 2016, privada das suas cores na arena olímpica, primeiro devido ao escândalo de doping orquestrado pelo Estado, que lhe valeu competir sob a bandeira olímpica (2018) e depois sob a do ROC (2021 e 2022).
Quatro dias após o encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em fevereiro de 2022, o exército russo invadiu a Ucrânia com o apoio da Bielorrússia, desencadeando uma série de sanções desportivas que se juntaram à indignação da comunidade internacional.