Líderes partidários da Suécia visitam exposição de Francisco Lázaro

"Lázaro almejava vencer a corrida e ganhar a medalha de ouro, não por si, mas pela sua mulher, grávida em Portugal, e pelo seu país, então uma jovem República", frisos o diplomata André Oliveira...

Líderes partidários da Suécia visitam exposição de Francisco Lázaro
Líderes partidários da Suécia visitam exposição de Francisco Lázaro • Foto: Pedro Simões

Os líderes das juventudes partidárias suecas visitaram, no fim de semana, a exposição de fotografia inspirada no romance histórico "Corro para a eternidade -- a trágica ambição de Francisco Lázaro", patente em Estocolmo até ao final do mês. O autor do livro baseado na história de Francisco Lázaro - o atleta que morreu quando participava na maratona dos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912 -, André Oliveira, realçou à agência Lusa as sucessivas homenagens feitas pela Suécia ao maratonista português.

Depois da visita dos jovens líderes partidários, com Erik Bengtzboe, do Partido Moderado (no poder), a enaltecer o "legado de Lázaro que importa dar a conhecer aos jovens europeus de hoje", a exposição do fotógrafo sueco Henrik Montgomery, com 22 imagens inspiradas no livro, vai ser visitada no final do mês por representantes do parlamento sueco, disse. O livro foi, em 2013, integrado no Plano Nacional de Leitura para o ensino secundário e vai ser lançado nos Emirados Árabes Unidos, pela editora Dar-Noon, por ocasião da "Sharjah World Book Fair" - evento que atraiu na sua última edição mais de um milhão de visitantes -, que decorrerá entre os dias 05 e 15 de novembro próximo, disse o autor à Lusa.

André Oliveira, diplomata atualmente colocado na embaixada de Portugal em Estocolmo, afirmou que, depois do lançamento do livro em Lisboa, no verão passado, a versão em sueco, "Maraton till evigheten" ("Maratona para a eternidade"), foi apresentada no final de novembro na capital sueca perante 150 convidados que incluíram membros da Casa Real, do parlamento, do Governo e das autoridades regionais e locais suecas, além de numerosos diplomatas. Um interesse que o autor atribui ao personagem do livro que retrata os dias do jovem maratonista português Francisco Lázaro em Estocolmo em 1912, ano em que representou Portugal nos V Jogos Olímpicos da Era Moderna, prova em que acabou por morrer, ao quilómetro 30 da maratona de Estocolmo. "Ambicioso, Lázaro almejava vencer a corrida e ganhar a medalha de ouro, não por si, mas pela sua mulher, grávida em Portugal, e pelo seu país, então uma jovem República", frisou. A versão do livro em sueco coube à editora Ekerlids, que tem editado biografias de vários membros da família real sueca, lembrando André Oliveira que foi o príncipe herdeiro Gustavo Adolfo (mais tarde rei da Suécia e avô do atual monarca) que em 1912, cinco dias após a morte de Lázaro, a 20 de julho, mandou organizar uma "magnífica homenagem" que juntou na Arena de Estocolmo ("Estádio Olímpico") 20.000 pessoas e permitiu angariar fundos que foram mais tarde enviados à sua viúva.

Manuel Sérgio, que fez a apresentação do livro no Museu do Desporto em Lisboa, referiu a "forma muito original" com que o autor aliou desporto e diplomacia depois de uma "aturada investigação" pelas bibliotecas e arquivos da capital sueca, dando um cunho "mais universal" ao romancear a vida de Francisco Lázaro. "No dia da maratona estavam 32 graus à sombra e Lázaro correu 30 quilómetros tendo tombado algumas vezes até que finalmente caiu prostrado. Foi assistido de imediato no local por um médico e levado para um hospital mas, na manhã seguinte, recebeu-se a notícia de que tinha morrido", explica André Oliveira que consultou os arquivos, documentos e jornais da época, em Portugal e na Suécia. "Já foi dito por alguns autores que Lázaro terá utilizado uma graxa, uma mistura de sebo e outras substâncias, recorrendo a uma técnica na altura conhecida por emborcação: evitaria a respiração e supostamente melhoraria o rendimento desportivo dos atletas. Contudo, no relatório médico oficial sueco nada é referido quanto a esse ponto, sendo a insolação apontada como causa da morte", referiu o autor do livro que recorda que há uma rua em Lisboa com o nome do atleta e que há uma placa em memória do português em Estocolmo.

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