_
É tempo de mudar o olhar. Foi este o mote para a cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio’2016, que decorreu ontem e que serviu para dar oficialmente o pontapé de saída para o evento, que hoje, logo pela manhã carioca, terá as suas primeiras provas.
Numa cerimónia cheia de cor, música ritmada e muita boa disposição, bem ao estilo brasileiro, a mensagem da inclusão das pessoas com deficiência acabou por ser a mais forte, desde logo pela forma como o norte-americano Aaron Wheelz (nascido com espinha bífida) entrou no estádio, em cadeira de rodas, fazendo um salto bastante arriscado para qualquer um de nós - a mensagem foi mesmo essa. No plano musical - que acabou por marcar a cerimónia do princípio ao fim -, a figura foi Seu Jorge, numa cerimónia à qual não podia faltar o já célebre "Aquele abraço", de Gilberto Gil, com aquela frase que foi repetida nas últimas semanas: "O Rio de Janeiro continua lindo." Um hábito que, ao que parece, irá continuar durante os Paralímpicos.
Diferente
Num evento que teve como grande momento a entrada de cada uma das 164 comitivas - entre as quais a portuguesa e, como nos Olímpicos, uma de atletas refugiados -, a grande diferença acabou por ser a ordem de ‘apresentação’. É que, ao contrário dos Olímpicos, a entrada dos atletas deu-se sensivelmente a meio da cerimónia, proporcionando aos atletas viver aquele momento, que guardarão para sempre nas suas memórias, precisamente no relvado de um palco mítico como o Maracanã, e não num espaço fechado enquanto esperavam a chamada para a festa.
A comitiva nacional, composta por 37 atletas, entrou no recinto pouco passava da meia noite portuguesa, com José Macedo, atleta de boccia, a ser o porta-estandarte, ajudando também ele a compor um puzzle que, no final, ‘construiu’ no Maracanã um coração com o nome dos países envolvidos no evento.
No fecho de festa, Clodoaldo Silva, nadador paralímpico brasileiro, foi o ilustre encarregue de acender a pira paralímpica.
Maracanã vibrou com o início do evento
Tal como nos Jogos Olímpicos, também o evento paralímpico
teve a sua cerimónia de abertura no Estádio Maracanã, o mais emblemático palco do desporto brasileiro. Ao nível do evento estiveram os adeptos, que seguindo o exemplo do anterior evento proporcionaram uma boa casa no estádio, que tem lotação para 79 mil espectadores. Aliás, diga-se que a procura de bilhetes e o interesse nos próprios Jogos tem aumentado de forma brutal nos últimos dias, tendo a organização do evento apontado já para casa cheia em praticamente todos os recintos desportivos.
António Costa marcou presença
Ao contrário do que sucedeu na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos - apenas Marcelo Rebelo de Sousa se fez representar -, o evento inaugural dos Paralímpicos contou com a presença do primeiro-ministro António Costa, numa comitiva na qual se incluíam os secretários de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, e do Desporto e Juventude, João Paulo Rebelo.
"Os Jogos Paralímpicos são o maior desafio que se coloca à humanidade, porque não é só o objetivo de cada um superar-se a si próprio, como, sobretudo todos nós, no conjunto da sociedade, nos superarmos relativamente ao preconceito e ao trabalho que temos de fazer para termos uma sociedade inclusiva", frisou o chefe de governo português.
Por Fábio Lima. Rio de Janeiro. Brasil