Le Mans sobrevive a «modas» e guerras

VENCEU tecnologias, superou-se a pilotos, impôs-se a modas ou a crises e inspirou filmes e actores. Até sobreviveu a uma guerra mundial. A prova das 24 Horas de Le Mans, este ano na sua 67ª edição, é mais do que um evento, para se assumir como um marco incontornável da história do automobilismo.

A semente das 24 Horas de Le Mans foi lançada num terreno ermo do Noroeste francês, em Arnage, por Charles Faroux e George Durand, em 1923. Viviam-se anos loucos também nos automóveis, como marcas como a Bentley, Delahaye ou os raríssimos Stuz a servirem de “cavalos de batalha” numa corrida de senhores suficientemente abastados. Os vencedores completaram a distância de 2209 quilómetros à média “vertiginosa” de 92,064 quilómetros por hora.

O ano passado, já num circuito remodelado, mais curto em três quilómetros, a média do carro mais rápido chegou a 227,230 km/h, com uma velocidade de ponta de 326 km/h. E o recorde da distância continua em 5335 quilómetros, registado em 1971, antes da construção de duas chicanes na recta das Hunadiéres, ainda o troço mais rápido.

O circuito começou por ser encurtado em 1929, dos originais 17,2 km para 16,3, como nova intervenção em 1932 a reduzir a distância para 13,4. A actual - e 10ª -- variação colocou a pista nos 13,6 quilómetros, sendo usada desde 1990. Foi neste ano que a recta das Hunadiéres, com 5,475 km, sofreu a introdução de duas chicanes, no sentido de reduzir a velocidade máxima. O recorde, antes destas intervenções, ficou colocado em 405 km/h, averbado por Roger Dorchy, em Peugeot, no ano de 1988.

O piloto mais bem sucedido de sempre continua a ser Jacky Ickx, com nada menos do que seis vitórias nesta prova. Sobre os pilotos profissionais da actualidade, os responsáveis da prova dizem com visível orgulho existirem dois grupos: os que já participaram e os que sonham vir a alinhar em Le Mans.

Um espírito que, porventura, terá permitido a esses mesmos organizadores reconstruírem todo o circuito e infra-estruturas durante os anos do pós-guerra. Em 1945, o asfalto ficou totalmente esburacado, enquanto as instalações de apoio foram destruídas e saqueadas pelas forças alemães. As 24 Horas de Le Mans, porém, regressariam em 1949.

Os anos 50 foram consolidação e de profissionalização, enquanto a “ribalta” chegaria nos anos 60 e 70. Em 1970, Steve McQueen chegou a estar inscrito, no âmbito da rodagem de “Le Mans” - um filme que ainda hoje surge como referência dentro do género -, mas um problema de seguros impediu-o de alinhar. Em 1979, outro actor: Paul Newman, apaixonado dos automóveis, não escapou ao fascínio de Le Mans. Terminou em segundo lugar, ao volante de um Porsche 935.

Por uma razão ou por outra, há muito que se sabe ser muito difícil parar a euforia anual das 24 Horas de Le Mans. Este ano, não será excepção.

L. P.

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