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Relatório reservado

Relatório reservado
• Foto: epa

O dia de ontem não trouxe quaisquer informações objetivas sobre o estado de saúde do francês Jules Bianchi. A equipa Marussia e a própria família do piloto vieram pedir “paciência” a todos os que procuram saber qual é a condição de Bianchi depois da intervenção cirúrgica a que foi sujeito na sequência do acidente de domingo em Suzuka.

Qualquer relatório sobre a evolução de Bianchi apenas será divulgado quando “o hospital e a família [do piloto] entenderem como adequado”. E enquanto permanece a incerteza e a luta do francês pela vida, abre-se o debate sobre a forma de melhorar a segurança na F1 de maneira a impedir situações similares.

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Das críticas ao sucedido em Suzuka damos conta aqui ao lado, sucedendo-se as opiniões sobre o que deveria ou não deveria ser feito pela direção de corrida e pela FIA. O acidente de domingo veio reabrir a discussão sobre o eventual encerramento dos “cockpits” dos carros – protegendo assim a cabeça dos pilotos. Algo que regressara à agenda há dois anos, quando o Lotus de Romain Grosjean “sobrevoou” o Ferrari de Fernando Alonso e só por milagre não acertou na cabeça do espanhol.

Rob Smedley, um dos responsáveis pela técnica da Williams, defende que a solução “é fácil de aplicar” e a FIA já fez alguns testes – a partir de 2009, após o sucedido com Felipe Massa. Curiosamente, Smedley também lembrou o óbvio nas declarações citadas pelo autosport.com: “Não sabemos, não temos como saber, se a solução já existisse se ela teria feito a diferença no acidente do Jules Bianchi”.

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PERIGO IMINENTE

- Nos últimos 20 anos não houve qualquer acidente mortal na F1. O que não quer dizer que não tenham existido momentos de dramatismo, quase todos provando que a segurança dos monolugares evoluiu extraordinariamente depois das mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em 1994.

- 1999, 11 de julho, Silverstone – O Ferrari de Michael Schumacher fica sem travões no início do GP Inglaterra e sai em frente na curva Stowe a mais de 200 km/h. O carro embate na barreira de pneus e o alemão parte a perna direita. Ausente durante vários meses (7 corridas) perde o título para Hakkinen.

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- 2007, 10 de junho, Montreal -- Robert Kubica perde o controlo do BMW, que “levanta voo” antes de embater num muro de cimento a mais de 300 km/h. O carro atravessa depois a pista capotando várias vezes até ficar imobilizado no lado contrário ao do primeiro embate. O polaco sai ileso e a 1 de julho participa no GP França

- 2009, 25 de julho, Hungria – Durante a qualificação para a corrida em Hungaroring, o Ferrari de Felipe Massa sai em frente e embate na barreira de pneus. Só depois são perceptíves as razões do despiste: Massa foi atingido na esquerda do capacete por uma pequena peça perdida pelo Brawn/Mercedes de Rubens Barrichello. Massa teve fratura craniana. Voltou a competir no início da época de 2010

- 2010, 2 de julho, Valência (circuito citadino) – Mark Webber calcula mal a aproximação ao Lotus de Heikki Kovalainen e, ao tocar na roda traseira direita do carro do finlandês, o Red Bull levanta, literalmente, voo, capotando em seguida e termina embatendo com uma barreira de pneus, dezenas de metros à frente. Webber ganhou a corrida seguinte, duas semanas depois em Silverstone

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- 2012, 2 de setembro, Bélgica – Romain Grosjean falha a travagem nos metros iniciais da corrida e “levanta voo” sobre o Ferrari de Fernando Alonso. Só por sorte o espanhol não foi atingido na cabeça pelo Lotus do francês, que foi depois apanhar mais carros na “aterragem”.

Os “pecados” da FIA

- Depois do acidente de Jules Bianchi não faltaram as críticas à actuação da FIA, leia-se direção da corrida em Suzuka. Eis, em síntese, os “pecados” cometidos neste GP:

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- Face às condições atmosféricas, o Grande Prémio não deveria ter começado às 15 horas locais e sim mais cedo, procurando assim maior visibilidade

- A corrida começou com os carros atrás do “safety-car” e foi interrompida após duas voltas, por haver muita chuva e demasiada água no circuito. Há quem defenda que não deveria ter sido reatada

- No recomeço, o “safety-car” voltou a liderar o pelotão durante 7 voltas, antes de haver ordem para a largada. Nesse período alguns pilotos, como Hamilton, assinalaram a falta de visibilidade provocada pelo “spray” levantado pelo carro imediatamente à frente

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- As condições voltaram a piorar na fase final. Regressou a chuva e a visibilidade reduzia-se rapidamente face à aproximação do crepúsculo

- Antes ainda do despiste de Sutil, já Felipe Massa protestava pelas condições de segurança. O ex-campeão do Mundo (1997) Jacques Villeneuve veio dizer que a FIA tem de rever a política do “safety-car”, defendendo que este deve entrar sempre que exista um acidente.

ç Surgiram dúvidas sobre o meio (ambulância) utilizado para transportar Bianchi ao hospital. O helicóptero não levantou porquê? Pelas condições atmosféricas? A condição do jovem piloto francês não recomendava utilização de meios aéreos?

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