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Giles Richards assume-se "profundamente desapontado" pela situação
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Jornalista que esta quinta-feira foi boicotado por Max Verstappen na conferência de imprensa de antevisão ao Grande Prémio do Japão, Giles Richards assina uma crónica no jornal no qual trabalha, o 'The Guardian', na qual explica a sua visão das coisas, lamenta o sucedido e denuncia ainda abusos de que foi alvo pouco depois do que aconteceu. Apesar de se assumir magoado, o repórter admite esperar que a sua relação com o holandês melhore no futuro.
Assumindo-se "profundamente desapontado" pela situação desta quinta-feira, Richards revela que nunca lhe tinham pedido para "abandonar uma conferência de imprensa". "É uma ocorrência extremamente rara para um jornalista de F1, com quase ninguém a conseguir recordar mais do que um ou dois exemplos." O repórter prossegue e lembra o seu histórico com o holandês: "Em mais de uma década a cobrir a modalidade, entrevistei-o talvez uma dezena de vezes, todas elas amigáveis e com bom humor. O seu talento excecional colheu elogios e admiração nesses artigos; a crítica, por contraste, foi mínima e apenas quando justificada."
Em seguida, descreve aquilo que se passou e pontua o episódio com uma descrição daquilo que via do holandês do outro lado da barricada. "Verstappen esteve a sorrir durante toda a troca de palavras. Talvez estivesse simplesmente a desfrutar da dinâmica de poder? O dia continuou; há problemas muito mais graves no mundo do que um piloto de F1 estar zangado contigo."
Mas o pior veio depois. Se calhar, dizemos nós, um problema mais grave à escala global do que efetivamente que sucedera ali. "No espaço de duas horas, alguém conseguiu encontrar o meu email. 'És o problema. És o parvo tóxico responsável por todo este parcialismo britânico na F1. És o pior'. No que toca a insultos, pelo menos as apóstrofes estavam nos sítios certos e não foi escrito com um giz de cera verde. Não fui ver o X e não tenciono fazê-lo'. Colegas na sala de imprensa ficaram todos chocados e preocuparam-se com o meu bem-estar. 'Sem classe', disse um em relação ao comportamento do Verstappen. Eu estou bem. Quando muito, a parte mais inconfortável é escrever sobre isto na primeira pessoa. Um jornalista nunca quer ser a história, mesmo que seja inevitável."
"O incidente e as repercussões não deixam de ser uma pena. Sobretudo pelas acusações de parcialidade. Ao longo dos anos, já fui acusado de ser anti-Lewis Hamilton, anti-Sebastian Vettel, anti-qualquer-piloto-que-se-queira-nomear. Relatar os factos da forma mais honesta e justa possível é sempre o único objetivo primordial. Continuo a admirar o Verstappen e espero que possamos ter uma melhor relação no futuro. Às vezes, têm de ser feitas perguntas difíceis e desconfortáveis. Esse é o trabalho que vem com o privilégio", conclui.
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