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O português começa hoje uma nova vida, com o início dos testes com a Jordan em Inglaterra. O piloto confessa que este é o momento certo para entrar na alta roda do desporto automóvel e assume que tem condições para ser o melhor dos portugueses de sempre
RECORD – O Tiago começou tarde no automobilismo, aos 20 anos, e chega à Fórmula 1 aos 28. Se se tivesse iniciado mais cedo pensa que poderia ter ido mais longe?
TIAGO MONTEIRO – É uma pergunta que já coloquei a mim próprio. Por um lado, poderia ter acontecido assim, mas, por outro, acho que quando me imagino aos 22/23 anos não tinha a mesma maturidade e a capacidade de aguentar a pressão que tenho agora. Se calhar, se tivesse começado mais cedo chegava a um ponto de chegar à Fórmula 1 e estragava tudo por não estar pronto. Sou muito mais profissional agora do que era há uns anos.
RECORD – O seu pai ajudou-o muito nesta sua escolha pelo automobilismo?
TIAGO MONTEIRO – Eu comecei por "carolice", apenas para experimentar. Depois, quando ganhei gosto, o meu pai ajudou-me muito com os contactos que tinha no desporto automóvel e fomos, ao longo do tempo, arranjando patrocinadores e felizmente tudo tem corrido bem.
RECORD – Mas não foi apenas o seu pai. Como é que em oito anos conseguiu montar esta rede de contactos?
TIAGO MONTEIRO – O facto de ser relativamente "internacional", ter vivido em França, estudar na Suíça, numa escola com 45 nacionalidades diferentes, foi benéfico. Agora tenho contactos em quase toda a parte do mundo, e há sempre um amigo que ajuda outro.
RECORD – Já tinha em mente as corridas de automóveis nessa altura?
TIAGO MONTEIRO – Não, de forma alguma. Estes amigos seriam úteis no ramo da hotelaria que era o que planeava fazer. Só que, ao mesmo tempo, eram pessoas que gostavam muito de carros e algumas dessas pessoas auxiliaram-me no automobilismo.
RECORD – Sente-se um afortunado?
TIAGO MONTEIRO – Sim, pode dizer-se que sim. Houve muitas alturas na vida em que tive sorte… Mas também tive alguns azares nas corridas (risos).
RECORD – O Tiago já disse que há muito talento escondido que não entrará na F1 por falta de ajudas. Reconhece, então, que o desporto automóvel, neste caso a Fórmula 1, é elitista?
TIAGO MONTEIRO – É uma das razões. Mas não é a única. Eu acho que, apesar de tudo, a prioridade na F1 é o talento. Há sempre um ou outro piloto que não merecia lá estar e está por dinheiro. Nesses casos estamos a falar de valores tão altos que é uma estupidez. A seguir ao talento, também é importante levar em conta a imagem que se deixou nos anteriores e a rede de contactos que falámos atrás. Eu sou um exemplo disso. Entrei na Minardi [n.d.r. piloto de testes] porque um dos engenheiros da equipa tinha trabalhado comigo na Renault. E agora, na Jordan, o Trevor Carlin, que foi meu chefe na World Séries by Nissan, também foi uma figura importante para que eu pudesse chegar a piloto oficial.
RECORD – A sua via é a da diplomacia?
TIAGO MONTEIRO – Tem que ser. Há tanta concorrência… É o meu feitio e procuro dar-me bem com toda a gente. Tenho uma estratégia diferente da do Montoya, por exemplo. Mas ele também lá chegou e está a ter muito sucesso. Não há uma fórmula exacta para entrar na Fórmula 1.
RECORD – Qual foi o montante que lhe pediram na Jordan? Fala-se em cinco milhões de euros…
TIAGO MONTEIRO – Toda a gente fala desse valor não sei porquê (risos). Não é tanto dinheiro posso garantir.
RECORD – Sei que não pode revelar ainda os patrocinadores. De qualquer forma, houve uma aproximação de empresas nacionais a este projecto?
TIAGO MONTEIRO – Falámos com pessoas e demorou algum tempo até darem sinal positivo. Isto porque a Fórmula 1 é um risco, e há muito tempo que um piloto de Portugal não competia. Há um medo. Agora, quando as empresas analisam bem a questão e percebem que o retorno que vão ter é muito relativamente ao investimento que vão fazer, torna-se tudo mais fácil. A dificuldade está em chegar a esse ponto das negociações, onde podemos explicar estes factores.
RECORD – A génese do seu contrato é apenas de um ano. Tem alguma cláusula de resultados?
TIAGO MONTEIRO – Não, não tenho cláusula de resultados até porque a Jordan ainda não sabe do que o carro é capaz com este novo motor [n.d.r. Toyota]. Agora, há cláusulas que podem ser accionadas caso o piloto se revele incompetente (risos).
RECORD – Garantiram-lhe continuidade caso este ano corra bem?
TIAGO MONTEIRO – Sim, por outras palavras sim.
RECORD – Preparado para a exigência dos portugueses?
TIAGO MONTEIRO – Estou, porque no lugar de espectador anónimo pediria exactamente o mesmo: resultados. É normal, mas também têm que entender a posição e a equipa em que estou. Sei que em Portugal há essa tendência: se ganhar sou bom, se terminar em segundo sou mau. A vida de piloto é ingrata.
RECORD – Tem as condições para ser o melhor piloto nacional de sempre na F1?
TIAGO MONTEIRO – Vamos ver isso daqui a alguns meses. Estou mais do que pronto física e psicologicamente falando. Sinto bastante confiança nas minhas capacidades de pilotagem. Mas não vou dizer que sou melhor ou pior.
RECORD – Mas, objectivamente, a Jordan é superior à Minardi do Lamy e à Coloni de Matos Chaves…
TIAGO MONTEIRO – Sim, estou numa equipa melhor. É uma boa ajuda, mas eu não penso nisso. Penso, sim, em fazer um bom trabalho e não me preocupo com essas coisas.
RECORD – Pensa que a sua entrada na F1 poderá ajudar ao regresso do GP de Portugal?
TIAGO MONTEIRO – É muito difícil, mas vamos trabalhar nesse sentido. Se há hipóteses, claro que ter um piloto no pelotão ajuda muito, e eu adorava correr em Portugal.
Família está "muito feliz" com o salto do português
Tiago Monteiro partilha estes recentes momentos com a família, à qual se revela muito chegado. "Estão todos muito felizes com o que está a acontecer", afirma o portuense que, em Portugal, reside num apartamento em Leça da Palmeira. "Sabem que trabalhei muito para aqui chegar e grande parte do que consegui atingir até agora deve-se a eles e aos meus amigos que sempre me apoiaram nos bons e maus momentos. Eles sabem que eu quero muito ter sucesso na Fórmula 1."
Apesar de garantir que esta mudança não trará grandes alterações à sua vida pessoal – "estes últimos anos estive quase sempre fora, a viver quase no avião" – o piloto português confessa que os seus familiares já começaram a notar a diferença. "A principal mudança que a minha família tem sentido é que agora são eles que recebem telefonemas de pessoas desconhecidas. Quer seja para felicitar-me ou mesmo jornalistas a perguntar coisas sobre mim", diz. Monteiro afiança, igualmente, que após a carreira de piloto, planeia "voltar a trabalhar com a família no ramo da hotelaria."
Ser um ídolo para os jovens é um desejo premente
Tiago Monteiro quer usar a exposição natural que a entrada na Fórmula 1 lhe trará para promover pilotos portugueses. "Quero ajudar outros jovens que têm o sonho de chegar à F1. Acho que, por saber como funcionam as coisas e reconhecer que é muito difícil, posso transmitir esses conhecimentos e usar os contactos que tenho em favor deles", afiança, prosseguindo, depois: "Acima de tudo, queria que a ligação de Portugal com a F1 não terminasse comigo. Quando sair, gostava que outro português estivesse lá a correr. É bom para o país e para quem gosta verdadeiramente de automobilismo." Para o efeito, o portuense diz que está a trabalhar num projecto de auxílio: "Ainda está muito no ar, mas vamos com isso para a frente."
Tiago Monteiro, por outro lado, refere que, à imagem do que acontece lá fora com outros pilotos, adoraria ser "um ídolo para os mais novos." "Quem não gostaria?", remata. Assim como foram e são "Michael Schumacher, Juan Pablo Montoya e Jacques Villeneuve", os homens do volante pelos quais tem "grande admiração" no panorama actual da Fórmula 1.
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