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Depois de uma temporada de 2020 equilibradíssima e repleta de emoções, o MotoGP volta este ano com muitas novidades e um Miguel Oliveira no pelotão da frente para confirmar as boas indicações que deu na fase final, com duas vitórias históricas, uma delas em Portugal. A uma semana do arranque oficial, Record traz-lhe um especial completo sobre o campeonato, onde poderá conhecer o calendário, as novidades, a análise equipa a equipa e muito mais. A Sport TV, que tem os direitos da competição, lançou um passe de 72 horas por 4,99 euros que permite assistir a treinos e corrida de sexta-feira a domingo.
Balanço da época 2020
Ninguém tinha Joan na Mir(a)
Na ressaca de quatro temporadas de absoluto domínio de Marc Márquez, a época de 2020 será para sempre relembrada como uma das mais inesperadas e imprevisíveis da história do principal campeonato de Motociclismo de velocidade. Por todas as razões... e mais algumas.
Primeiro do que tudo, porque uma pandemia à escala mundial adiou o início da competição por quatro meses e mudou completamente a configuração do campeonato: apenas 14 provas, em 9 circuitos e tudo num só continente fizeram com que este Mundial, logo à partida, não tivesse absolutamente nada a ver com os anteriores.
Depois, o extraterrestre que não dava hipótese a ninguém há quase uma década... desceu à terra. E da pior forma possível. Marc Márquez, que parecia de novo muitos degraus acima de todos os demais, lesionou-se com gravidade na primeira corrida da temporada. Foi operado, voltou para os treinos do Grande Prémio seguinte, mas a emenda foi muito pior do que o soneto: seguiram-se mais duas operações ao braço direito e ainda ninguém sabe quando poderá voltar em 2021.
O campeão perdeu toda a época de 2020 e abriu a porta para todos os outros. Esperava-se que Andrea Dovizioso, crónico 'vice' dos anos anteriores, Fabio Quartararo, um dos mais rápidos no final de 2019, ou uma das Yamaha oficiais (Valentino Rossi e Maverick Viñales) assumissem o protagonismo... mas nada disso aconteceu. Quartararo entrou forte mas eclipsou-se, Dovizioso passou ao lado da temporada e despediu-se do MotoGP (para já) e as Yamaha oficiais nunca foram competitivas, sendo que a melhor acabou por ser... a de Morbidelli.
Sem que ninguém falasse nele, Joan Mir, numa Suzuki mais competitiva e rápida do que nunca, foi subindo na classificação e até poderia ter sido campeão do Mundo sem ganhar uma única corrida. Acabou por vencer a penúltima, em Valência, que consumou o seu título mundial.
Destaque para Miguel Oliveira, pois claro: apesar de duas quedas sem que tivesse tido culpas, o português fez história com a conquista de duas provas e o 9º lugar da geral, a somente 14 pontos do terceiro classificado.
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pilotos venceram Grande Prémios na temporada passada, o que permitiu igualar o recorde de 2016O que esperar de 2021?
Com ou sem Marc Márquez? Esta é à partida uma das maiores questões de olho na nova temporada do MotoGP. E também, se sim, em que condições? O espanhol, grande ausência da época passada por conta de uma queda logo a abrir o ano, tem dado passos sólidos na sua recuperação e certamente terá de ser olhado com atenção, mas a verdade é que ninguém sabe bem o que esperar dele. Nem mesmo o próprio. Uma coisa é certa: o regresso não será no Qatar.
Colocando essa dúvida de parte, 2021 promete ser um ano com tudo em aberto, à imagem do que se viu na época passada. Com Joan Mir a ser o alvo a abater, são vários os candidatos a desafiar o seu estatuto de campeão, a começar desde logo pelo seu colega de equipa Alex Rins. E a concorrência espanhola não acaba aí, já que (para lá do eventual Marc Márquez) há ainda Maverick Viñales, mas também os dois irmãos Espargaró. Pol, o mais novo, deu boas indicações nos primeiros testes com a Honda oficial e pode mesmo ser a esperança da marca japonesa na ausência de Márquez, ao passo que Aleix será uma espécie de 'wild card'. O sexto lugar nos testes do Qatar colocou-o num outro patamar e o facto de a Aprilia ser a única marca com concessões para teste pode dar-lhe alguma vantagem em relação aos demais.
E depois há o eterno Valentino Rossi. Aos 42 anos, a verdade é que já ninguém o coloca como candidato ao título e os últimos anos de certa forma vão confirmando a queda de produção do maior piloto de todos os tempos - no ano passado fez apenas 66 pontos, naquela que foi a sua primeira temporada abaixo dos 100. Numa nova equipa - a satélite da Yamaha -, Il Dottore deverá ver neste ano uma última oportunidade para fazer o que mais gosta e também guiar o colega de equipa e amigo Franco Morbidelli para outros voos. Morbidelli será certamente um nome a ter em conta depois do que fez no ano passado, mas há também que ter debaixo de olho Francesco Bagnaia, agora na Ducati oficial.
Na veloz máquina italiana estará ainda outro piloto que terá, em teoria, maiores chances de surpreender, especialmente ao analisar o seu recente crescimento de forma: Jack Miller. O que fez na fase final da época passada mostrou que o australiano pode mesmo estar pronto para dar o salto para outro patamar, mas também há que ter em conta aquilo que se viu nos testes do Qatar, onde conseguiu ser o mais veloz entre todos os pilotos. Um forte sinal de alerta para os demais.
Aqui chegados, falta a KTM. A maior desilusão desses mesmos testes, a marca austríaca ainda não parece ter encontrado as melhores afinações e, em ano sem concessões, pode ver-se em apuros. Miguel Oliveira parece ser o grande trunfo da marca austríaca, mas todos o outros pilotos - provavelmente tirando o jovem Iker Lecuona - podem ser armas apontadas aos bons resultados. Desde que haja uma máquina competitiva...
180
número de quedas sofridas pelos pilotos do MotoGP em 2020. Johann Zarco, com 15, foi o 'campeão'Calendário
Tal como em 2020, também o calendário deste ano foi marcado por vários avanços e recuos. E com isso beneficiou Portugal, que após os adiamentos dos Grande Prémios da Argentina e das Américas e ainda a saída de cena de Brno, na Rep. Checa, acabou por conseguir entrar no campeonato pela segunda época consecutiva. Uma vez mais sem público, Portimão receberá os ases da velocidade na primeira etapa europeia, depois de uma ronda dupla no Qatar. Tudo isto num campeonato com 13 provas na Europa, 6 na Ásia (contando Austrália) e 2 para colocar no continente americano (Argentina e Américas). A maior novidade é mesmo a Finlândia (com o circuito de Kymi Ring), país que 30 anos depois voltará a receber uma prova do MotoGP.
Grande Prémio de Portugal
Pilotos e equipas pediram. A Dorna acedeu e Portugal volta a entrar no Mundial de MotoGP pelo segundo ano consecutivo. É certo que não era primeira escolha, até porque o calendário inicial estava fechado, mas as condicionantes impostas pela Covid-19, e também atrasos e cortes nalguns circuitos, acabaram por trazer boas notícias para o nosso país. Depois de novembro do ano passado, na derradeira etapa do ano, Portimão volta a figurar no mapa, mas agora numa etapa madrugadora no calendário, logo a terceira, a primeira em solo europeu.
E o que esperar de Portimão no que à prova diz respeito? Se se vir algo como em 2020... os portugueses ficarão felizes da vida. Afinal de contas, numa das mais contundentes performances do ano, Miguel Oliveira dominou de fio a pavio e levou para casa (um pouco acima, em Almada) a sua segunda vitória na classe rainha. Isto depois de ter sido o dono da pole position. Basicamente o Falcão fez um hat-trick no Algarve: pole position, volta mais rápida e vitória. Por isso, para 2021, mesmo com a KTM ainda sem convencer, os candidatos já sabem que o melhor é seguir a linha do português. Quanto a batê-lo... logo se verá!
Uma coisa é já garantida: não haverá público nas bancadas do Autódromo Internacional do Algarve.

| Horário | Categoria | Evento |
|---|---|---|
| 09:00 - 09:40 | Moto3 | Treino livre 1 |
| 09:55 - 10:40 | MotoGP | Treino livre 1 |
| 10:55 - 11:35 | Moto2 | Treino livre 1 |
| 13:15 - 13:55 | Moto3 | Treino livre 2 |
| 14:10 - 14:55 | MotoGP | Treino livre 2 |
| 15:10 - 15:50 | Moto2 | Treino livre 2 |
| Horário | Categoria | Evento |
|---|---|---|
| 09:00 - 09:40 | Moto3 | Treino livre 3 |
| 09:55 - 10:40 | MotoGP | Treino livre 3 |
| 10:55 - 11:35 | Moto2 | Treino livre 3 |
| 12:35 - 12:50 | Moto3 | Q1 |
| 13:00 - 13:15 | Moto3 | Q2 |
| 13:30 - 14:00 | MotoGP | Treino livre 4 |
| 14:10 - 14:25 | MotoGP | Q1 |
| 14:35 - 14:50 | MotoGP | Q2 |
| 15:10 - 15:25 | Moto2 | Q1 |
| 15:35 - 15:50 | Moto2 | Q2 |
| Horário | Categoria | Evento |
|---|---|---|
| 09:00 - 09:20 | Moto3 | Warm Up |
| 09:30 - 09:50 | Moto2 | Warm Up |
| 10:00 - 10:20 | MotoGP | Warm Up |
| 11:20 | Moto3 | Corrida |
| 13:00 | MotoGP | Corrida |
| 14:30 | Moto2 | Corrida |
Análise equipa a equipa
Depois de um campeonato de 2020 incrivelmente equilibrado, com as tais vitórias de seis equipas diferentes - e quatro marcas -, em 2021 o pelotão do MotoGP volta a ter onze formações à partida e com várias novidades a reportar. A começar pelos 'rookies' Enea Bastianini e Luca Marini (que entram para a Esponsorama Racing), passando pelas várias trocas entre equipas de fábrica e satélites, onde a mudança de Valentino Rossi é mesmo o grande destaque. Tudo para conhecer, equipa a equipa, nas análises abaixo.
Moto: GSX-RR
Motor: Suzuki
Vitórias no MotoGP: 6
Títulos no MotoGP: 1 (mais 6 no pré-MotoGP)
Resultado em 2020: 310 pontos (1.º lugar)
Em 2020, a Suzuki surpreendeu tudo e todos ao contrariar as previsões do início do ano e conquistar de forma totalmente inesperada tanto o Mundial de pilotos como o campeonato de equipas, através dos espanhóis Joan Mir e Alex Rins. Com naturalidade, a aposta para 2021 recai precisamente na mesma dupla de pilotos, que tem de partir entre o lote de favoritos à conquista do título mundial.
A preparação da temporada para a Suzuki fica, no entanto, já manchada pela saída... do diretor de equipa. Davide Brivio, que estava na formação desde 2013, saiu em grande para abraçar um novo desafio ao lado de Fernando Alonso na Fórmula 1, deixando os próprios responsáveis da marca japonesa em pânico. "Sinceramente, a saída do Davide foi um choque para nós. É como se me tirassem um bocado de mim porque sempre discuti com ele como desenvolver a equipa e as motos e trabalhámos juntos muito tempo."
Aos 23 anos, Mir acredita que 2021 será novamente uma época estranha, mas ambiciosa o 'bi'. "Vou dizer quem vai estar no top-5: Alex Rins, Franco Morbidelli, Marc Márquez e Fabio Quartararo. E eu também. Não me considero favorito, mas sim um dos favoritos, porque no ano passado ganhámos o título sem vencer umas dez corridas. Ganhámos por outras coisas, não por sermos os mais rápidos. Estou de acordo com aqueles que não me olham como favorito. Espero não aparecer nessa lista e surpreender de novo. Foi um prazer e se repetirem o erro, será uma vez mais um prazer", atirou.
Moto: YZR-M1
Motor: Yamaha
Vitórias no MotoGP: 6
Títulos no MotoGP: 0
Resultado em 2020: 248 pontos (2.º lugar)
Depois do brilharete em 2020, com seis vitórias - foi a equipa que mais venceu -, a formação satélite da Yamaha apresenta-se para a nova época como uma das que mais atenções concentrará. Tudo por culpa de Valentino Rossi, que aos 42 anos, provavelmente no seu último movimento no MotoGP, deixou a equipa principal para se mudar para o outro 'lado'. Com ele leva todo mediatismo por ser uma lenda da modalidade, mas também uma fome de vitórias nunca vista. Afinal de contas, Il Dottore não sobe ao lugar mais alto do pódio desde 2017, quando venceu em Assen. Em 2020, por exemplo, o melhor que fez foi um pódio na Andaluzia, numa das poucas corridas em que conseguiu acabar à frente de Franco Morbidelli, que será neste ano o seu colega de equipa.
16 anos mais novo do que Rossi, Morbidelli chega a esta temporada moralizado por aquilo que fez em 2020, com as três vitórias e o segundo lugar final no Mundial de pilotos, mas também pela sua consistência, com sete presenças no top-5 em 14 GP's. O objetivo será fazer melhor do que os 158 pontos do ano passado, mas também repetir a gracinha perante a equipa de fábrica. E, claro, fazer melhor do que Rossi.
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A distância em metros da reta mais longa do Mundial. É em Mugello, palco do Gp de ItáliaMoto: RC16
Motor: KTM
Vitórias no MotoGP: 1
Títulos no MotoGP: 0
Resultado em 2020: 222 pontos (3.º lugar)
É uma das equipas das quais mais se espera para este novo ano e talvez por isso tenha sido aquela que foi vista como maior desilusão nos testes do Qatar. Muito por culpa da ponta final de 2020, com vitórias, pódios e bons resultados, que valeram o 3.º posto final da tabela de equipas.
A equipa de fábrica da marca austríaca perdeu Pol Espargaró para a Honda, mas ganhou Miguel Oliveira, que em 2021 voltará a fazer par com Brad Binder, piloto sul-africano com o qual já partilhou boxe tanto no Moto3 como no Moto2. O objetivo de ambos será melhorar o que foi feito no ano passado - foram eles a dar as três vitórias da marca no MotoGP - e confirmar que esta KTM não está mesmo para brincadeiras neste que será o seu quinto ano no Mundial.
Não há um líder definido à partida, mas Miguel Oliveira, depois do que se viu nos testes do Qatar, partirá com alguma vantagem neste particular. Ainda assim, serão os resultados a valer (nos Grande Prémios) que definirão essa hierarquia dentro da boxe da equipa austríaca.
Tudo isto num ano em que a KTM deixará de ter as concessões que lhe permitiram testar as máquinas fora de 'horas' nas últimas épocas. Quer isto dizer que Mika Kallio e Dani Pedrosa deixarão de ter liberdade para desenvolver a moto em testes privados, algo que agora apenas a Aprilia poderá fazer. Tudo por causa das vitórias do ano passado. É o preço a pagar pelo sucesso...
Moto: Desmosedici GP21
Motor: Ducati
Vitórias no MotoGP: 50
Títulos no MotoGP: 1
Resultado em 2020: 213 pontos (4.º lugar)
Uma mudança por completo na equipa de fábrica da Ducati. Saíram Andrea Dovizioso (não encontrou colocação no MotoGP) e Danilo Petrucci (mudou-se para a Tech 3) e entraram Jack Miller e Pecco Bagnaia - dois pilotos que estavam na formação satélite, a Pramac.
Em teoria a mudança não deixará a equipa italiana a perder, já que Miller foi um dos elementos em maior destaque no ano passado com a máquina satélite, ao passo que Bagnaia, pese embora ter sido apenas 16.º no Mundial de 2020, deixou boas indicações. O problema foram mesmo os abandonos (seis), que acabaram por ensombrar uma época onde conseguiu até subir ao pódio em San Marino.
Ambos têm o conhecimento das sensações da veloz Desmosedici GP21, que deverá uma seta apontada aos bons resultados logo a abrir o campeonato, na ronda dupla do Qatar. Aliás, bons resultados em Losail poderão mesmo ser essenciais para o sucesso da equipa italiana, que terá ali a sua primeira grande chance de fazer valer a sua já famosa velocidade de ponta. Afinal de contas, olhando aos últimos dois anos, foi mesmo uma Ducati ali a ganhar, ambas com Andrea Dovizioso. Miller e Bagnaia conseguirão repetir o feito?
356.7
A velocidade máxima (em km/h) atingida numa prova de MotoGP. Foi alcançada por Andrea Dovizioso, nos treinos livres do Grande Prémio de Itália de 2019Moto: Desmosedici GP21
Motor: Ducati
Vitórias no MotoGP: 0
Títulos no MotoGP: 0
Resultado em 2020: 183 pontos (5.º lugar)
A Pramac Ducati pode ter perdido Jack Miller para a formação principal da Ducati, o que é sempre uma mudança negativa, mas a verdade é que a troca até pode ser surpreendente e trazer boas novas para a equipa satélite da marca italiana. Para começar porque o chefe de fila será um Johann Zarco que em 2020 já deu boas indicações, com um pódio e cinco presenças no top-10, e que nos testes feitos esta temporada tem demonstrado um excelente andamento com esta Desmosedici GP21.
Depois porque ao seu lado estará um 'rookie' com fome de mostrar serviço. Sem pressão - os próprios chefes da equipa já garantiram que lhe irão dar tempo -, Jorge Martín tem tudo para surpreender. Se em Losail conseguir começar a tirar partido dos atributos da máquina italiana, será um bom prenúncio e um ganho de motivação para o que aí vem.
Quanto a objetivos, a Pramac terá o desejo de se apresentar a bom nível especialmente porque este é um ano de celebração do 20.º aniversário da presença no Mundial. Assinalar essa data redonda com bons resultados dentro da pista seria ouro sobre azul. Alguns pódios parecem ser uma meta ao alcance da equipa. Já vitórias... seria algo histórico!
Moto: YZR-M1
Motor: Yamaha
Vitórias no MotoGP: 115
Títulos no MotoGP: 7 (mais 10 no pré-MotoGP)
Resultado em 2020: 178 pontos (6.º lugar)
Saiu Valentino Rossi, entrou Fabio Quartararo. Saiu um piloto lendário que não vence um Grande Prémio desde 2017 e que apenas fez um pódio em 2020; e entrou um jovem promissor que no ano passado venceu três corridas. Uma adição a juntar a Maverick Viñales, piloto espanhol que ainda está em busca de encontrar a melhor consistência aos comandos de uma Yamaha.
Aliás, a própria Yamaha tem de se encontrar consigo mesma, especialmente depois da segunda metade de temporada claramente para esquecer. A marca japonesa (juntando também a equipa satélite) entrou a todo o gás no campeonato, venceu cinco das primeiras oito rondas, mas depois na segunda metade caiu a pique, acabando por perder o título de pilotos para a Suzuki de Joan Mir e também o de construtores para a Ducati - por conta de uma sanção devido à violação das regras quanto aos motores.
Para 2021 o objetivo será essencialmente repetir o arranque do ano passado e conseguir mantê-lo até final. Se isso suceder, a Yamaha tem uma chance bem real de ser bem sucedida. Ter mexido na equipa normalmente torna tudo numa incerteza, mas a verdade é que Quartararo é tudo menos um tiro no escuro. Os resultados do último ano confirmam a sua qualidade, mas o aspeto mais importante é mesmo o seu conhecimento desta YZR-M1, algo que irá certamente encurtar o período de adaptação.
14
números de títulos mundiais no MotoGP dos pilotos que atualmente estão no Mundial, divididos entre Valentino Rossi (7), Marc Márquez (6) e, mais recentemente, Joan Mir (1)Moto: KTM RC16
Motor: KTM
Vitórias no MotoGP: 2
Títulos no MotoGP: 0
Resultado em 2020: 152 pontos (7.º lugar)
Depois do sonho vivido em 2020, com duas vitórias históricas e inéditas de Miguel Oliveira, a Tech 3 de Hervé Poncharal teme voltar à terra na nova temporada, já sem poder contar com os serviços e o talento do piloto de Almada.
A equipa gaulesa apostou na continuidade do jovem Iker Lecuona -- que impressionou na reta final da época passada -- e ainda na experiência de Danilo Petrucci, que depois de uma par de anos não tão bons na Ducati oficial quer recuperar os seus melhores agora numa moto de motor KTM.
Lecuona, que tinha uma muito boa relação de paddock com Miguel Oliveira, acredita que poder melhorar muito em 2021. O jovem espanhol queixou-se no entanto, nos últimos dias, que tem sofrido quedas sem sentido nos testes de pré-temporada. "Os testes não me estão a correr bem, têm sido negativos. Estamos com muitas dificuldades em encontrar o ritmo e já caí três vezes, quedas sem pés, nem cabeça", admitiu.
Cabe à experiente equipa de mecânicos da Tech 3 encontrar a solução para os seus pilotos, agora já sem a principal figura dos últimos dois anos -- Miguel Oliveira.
Moto: Honda RC213V
Motor: Honda
Vitórias no MotoGP: 3
Títulos no MotoGP: 0
Resultado em 2020: 148 pontos (8.º lugar)
A LCR Honda foi uma das equipas que esteve muito abaixo do esperado em 2020 -- como toda a Honda, de modo geral -- apesar de algumas boas prestações do japonês Takaaki Nakagami, que este ano tem a companhia de Alex Márquez.
O irmão do oito vezes campeão do Mundo (e também ele vencedor de dois Mundiais, em Moto3 e Moto 2) subiu a MotoGP em 2020 diretamente para a equipa oficial da Honda -- onde acabou por quase nem fazer equipa com Marc -- mas foi rapidamente (e estranhamente) despromovido, apesar de ter feito resultados muito interessantes enquanto rookie, especialmente na fase final da época.
Muito propenso a quedas, como o irmão, Alex teve a contrariedade de partir o pé recentemente, nos testes de Losail, no Qatar, após uma queda feia. Ao todo, foram cinco as quedas que sofreu no Médio Oriente e que mantêm em dúvida a sua participação no primeiro GP de 2021.
Destaque para a saída da equipa -- e do Mundial -- de Cal Crutchlow, que deu a esta equipa as únicas 3 vitórias da história.
158
o peso mínimo (em quilos) de uma moto da categoria principalMoto: RC213V
Motor: Honda
Vitórias no MotoGP: 168
Títulos no MotoGP: 10 (mais 10 no pré-MotoGP)
Resultado em 2020: 101 pontos (9.º lugar)
Depois de um 2020 para esquecer, a Honda é uma das maiores incógnitas para a nova temporada. Tudo depende de Marc Márquez. O espanhol, grande dominador dos últimos anos, esteve praticamente todo o ano de 2020 parado, devido a uma queda, e a equipa japonesa acabou por nunca conseguir encontrar uma solução para chegar às vitórias. O seu irmão Álex Márquez até conseguiu acabar em crescendo, tal como Stefan Bradl, mas nunca ao nível daquilo que se vira noutros anos por parte do 93.
Para 2021 a novidade principal é integração de Pol Espargaró, que depois de ter ajudado a KTM a dar um salto competitivo impressionante se muda para uma das marcas mais vitoriosas da história. Ainda sem vitórias no Mundial, Espargaró certamente quererá quebrar essa barreira e nada melhor do que fazê-lo numa moto com provas dadas. O problema na Honda será essencialmente saber quem estará ao lado do mais novo dos irmãos Espargaró: se Stefan Bradl, um piloto de testes de luxo, ou o próprio Marc Márquez, que nos últimos meses andou em altos e baixos na sua recuperação. Se Márquez voltar depois do Qatar (a dúvida será também em que condição o fará), a Honda terá de ser olhada com muita atenção, mas a verdade é que o espanhol irá aterrar praticamente de 'paraquedas', já que nem testou a moto para o novo ano...
Moto: Desmosedici GP19
Motor: Ducati
Vitórias no MotoGP: 0
Títulos no MotoGP: 0
Resultado em 2020: 87 pontos (10.º lugar)
Uma equipa totalmente transformada e logo com dois 'rookies'. E isso torna-a desde logo numa verdadeira incógnita. Tanto pode correr muito bem, como pode correr... muito mal. E o mais curioso de tudo é que esta equipa espanhola (misturada com um patrocínio de Valentino Rossi e da Sky Italia) será totalmente composta por pilotos italianos: Luca Marini e Enea Bastianini.
O primeiro, por mais que tente, terá sempre o rótulo de irmão de Valentino Rossi, o que lhe trará uma pressão adicional para apresentar serviço. Os testes do Qatar, no seu primeiro contacto com a Ducati, deram-lhe apenas o 21.º melhor tempo de todos os pilotos presentes, o que mostrou haver trabalho a fazer. Algo natural para um piloto que nos últimos sete anos esteve no Moto2 e que em 2020 foi vicecampeão. Apenas atrás de... Enea Bastianini.
Rival no ano passado, o italiano de 23 anos será agora colega de equipa de Marini e a julgar pelo que fez nos testes partirá com vantagem. Registou a 15.ª melhor volta no conjunto dos cinco dias e até ficou acima de Miguel Oliveira. Mas isto num circuito que é tradicionalmente favorável ao poder da máquina da Ducati. Com menor pressão pelo 'nome', Bastianini poderá conseguir libertar-se mais rapidamente da inexperiência e mostrar o que o levou ao título na classe intermédia no ano passado.
Quanto a objetivos, como dissemos, tudo será uma incerteza. Fazer algo similar ao que sucedeu em 2020, com Johann Zarco a brilhar com um pódio e uma pole position - para 77 pontos no final - seria ouro sobre azul. Mas a juventude e inexperiência de ambos os italianos pode ser um problema. Veremos...
72
números de vezes que Assen, na Holanda, recebeu provas do Mundial de velocidade. Brno, com 44, é o segundo colocado neste particularMoto: Aprilia RS-GP
Motor: Aprilia
Vitórias no MotoGP: 14 (todas com motor Honda)
Títulos no MotoGP: 0
Resultado em 2020: 54 pontos (11.º lugar)
Brilhar para honrar a memória de Fausto Gresini. Este será o principal objetivo da equipa italiana que este ano vai para a sua sétima época equipada com motor Aprilia. E esse é desde logo o primeiro grande trunfo da formação transalpina, que esta época será a única a contar com as concessões que permitirão testar mais do que todas as outras marcas. No ano passado esse estatuto foi partilhado com a KTM e os resultados dos austríacos estiveram à vista, com vitórias e pódios para contar.
A Aprilia não conseguiu o mesmo, apenas registou três top-10, todos com Aleix Espargaró, mas a verdade é que aquilo que se viu nos testes desta época abrem uma perspetiva de otimismo no seio da equipa italiana. A grande esperança para o conseguir será Aleix Espargaró, espanhol de 31 anos que está na equipa desde 2017 e que conta com nove temporadas na classe rainha. É certo que nunca venceu - provavelmente também não será este ano que o fará -, mas a sua experiência pode ser decisiva para ajudar esta RS-GP a dar o passo em frente.
Quanto a Lorenzo Savadori, será sempre uma incógnita pois este será o seu primeiro campeonato de início, mas o facto de ter sido desde sempre apoiado por Fausto Gresini traz consigo um selo de qualidade. E certamente que o próprio Savadori quererá justificar essa crença com bons resultados em sua memória.
E a poucos dias do arranque do Mundial surgiu uma notícia que pode mudar todo o 'jogo'. Andrea Dovizioso, sem colocação para 2021, aceitou o convite da Aprilia para testar a RS-GP, havendo boas perspetivas para que assuma um papel de piloto de testes. Se isso acontecer... cuidado!
Miguel Oliveira, a esperança lusa
É nele que estão depositadas todas as atenções dos portugueses. Há muito que o seu nome fazia sonhar os fãs nacionais, mas nunca como agora as expectativas estiveram tão elevadas. Algo natural depois daquilo que o piloto de Almada fez em 2020, com duas vitórias, uma de cortar a respiração (na Áustria) e outra em Portimão, num dia que foi histórico a todos os níveis, tanto pela forma brutal como comandou de fio a pavio, mas também por tê-lo feito em solo nacional.
2021 traz como maior novidade a subida à equipa principal da KTM, o que de certa forma serve como prémio para um piloto que, mesmo com muitos percalços pelo caminho, foi trilhando a sua ascensão rumo ao topo da categoria. As duas vitórias do ano passado foram vistas como surpresa por muitos, especialmente por terem sido numa KTM que até ao ano passado ainda não tinha vencido, mas no novo ano ninguém pode dizer que não estava avisado. Os rivais (alguns...) colocam-no como uma das ameaças para a temporada que aí vem e isso diz bem do estatuto que vai ganhando entre os maiores dos maiores.
Tudo dependerá essencialmente da capacidade da KTM em encontrar a melhorar solução para a época 2021, a primeira na qual os austríacos não terão ao seu dispor as concessões para testar fora de horas. E a julgar pelo que se viu nos testes do Qatar, onde Miguel Oliveira registou apenas o 16.º melhor registo - e mesmo assim foi o melhor da marca -, há muito trabalho a fazer. Será hora do português, mas também do experiente Danilo Petrucci (da Tech 3), mostrarem todo o seu conhecimento e ajudarem a RC16 a manter o nível da fase final da época passada.
As outras categorias
Se o MotoGP em 2020 foi algo totalmente inesperado, nas classes mais baixas isso é o chamado 'pão nosso de cada dia'. Afinal de contas, com algumas exceções, é certo, é ali que moram os mais irreverentes e promissores pilotos do Mundo. E isso tanto pode ser bom, como muito mau...
No Moto2, o derradeiro degrau para o MotoGP, há desde logo a garantia de que haverá um novo campeão, já que Enea Bastianini subiu à categoria principal, tal como o seu compatriota e agora colega de equipa Luca Marini (vicecampeão em 2020). Além deste duo subiu ainda Jorge Martín, o quinto colocado no ano passado. Com este trio fora de cena, em teoria serão Sam Lowes (na foto abaixo) e Marco Bezzecchi os maiores candidatos, especialmente depois do que fizeram no ano passado. Lowes até foi, juntamente com Marini e Bastianini, o piloto com mais vitórias...
Mas há ainda que ter em conta outros candidatos, como Remy Gardner, agora na Red Bull KTM Ajo, Joe Roberts ou o norte-americano Cameron Beaubier, a maior estrela das Superbike norte-americanas, que volta ao campeonato doze anos depois. E depois notar ainda a entrada de alguns 'rookies', como Albert Arenas, Tony Arbolino e Ai Ogura, os três primeiros colocados do Moto3 de 2020, respetivamente.
E quanto ao Moto3? Bem, se o Moto2 é um campeonato incerto, a classe mais baixa tem por hábito ser uma verdadeira loucura. E, tal como o Moto2, é certo que haverá novo campeão, já que Albert Arenas subiu de categoria. Com ele foram também os outros quatro pilotos que finalizaram no top-5, pelo que terá mesmo de aparecer uma nova cara para brilhar. Nesse sentido, a fome de mostrar serviço será muita e com tanto talento (e irreverência) o mais certo é termos de novo um campeonato bastante aberto. Em 2020, por exemplo, venceram nove pilotos num total de 15 provas (Arenas venceu três; Vietti, Raúl Fernández e Jaume Masiá bisaram).
Historial de campeões
2021 marcará a 73.ª edição do Campeonato do Mundo de velocidade, desde 2002 denominado de MotoGP. Giacomo Agostini, com oito títulos - conquistados entre 1966 e 1975 - é o mais ganhador da história, mas o seu registo está ameaçado tanto por Valentino Rossi (7) como por Marc Márquez (6). Eis a lista de todos os campeões, com a ressalva de que o MotoGP como o conhecemos apenas entrou em ação em 2002.
Textos e recolha de dados Fábio Lima e José Morgado | Fotografia MotoGP, Getty Images e Reuters | Webdesign José Moreira e Edgar Lorga
Prova ficou marcada por ser a primeira da história em que os pilotos tiveram de trocar de mota devido à chuva
Espanhol será o embaixador exclusivo da marca na categoria do motociclismo
Italiano passa a somar 81 pontos, mais 4 do que Jorge Martin
Piloto do Aprilia não vencia uma corrida há mais de um ano e meio
Antigo internacional colombiano estudou medicina dentária antes de ser jogador de futebol
Representou as 'Super Águias' em 10 ocasiões
Homem terá amealhado, ao longo de cinco anos, mais de 14 milhões de euros em receitas
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