Miguel Oliveira: «Era mais confortável ficar na KTM, mas desportivamente este é o passo certo»

Piloto português explica que sentiu necessidade de sair da sua zona de conforto

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• Foto: Getty Images

Em conferência de imprensa, Miguel Oliveira abordou a decisão tomada de deixar a KTM no final da presente temporada e mudar-se para a WithU-RNF Aprilia, assumindo que esta foi motivada pela necessidade que teve de abraçar um novo projeto e testar-se fora da sua zona de conforto.

"Todas as mudanças requerem sempre um bocadinho de esperança e fé. Foi um pouco nessa vertente que decidi abraçar um novo projeto para os próximos dois anos. O meu percurso com a KTM não foi curto, estivemos duas temporadas juntos, conquistámos dois vice-campeonatos, um em Moto3 e Moto2. O maior passo foi dado com eles, a transição para a categoria rainha. Juntos conquistámos 37 pódios, 14 vitórias. É um percurso do qual me orgulho bastante. Ainda com corridas por disputar esta época, acredito que esse número ainda poderá ser aumentado. Este ano foi um ano de abertura de muitas oportunidades de mercado. Procurei sempre desde o início garantir que me enquadrava com a KTM para o futuro, mas ao longo destas negociações percebemos que provavelmente os caminhos poderiam separar-se. Da minha parte só tenho a agradecer à KTM o esforço que fizeram ao longo de todas as temporadas, mas também o esforço que fez para me manter na estrutura até ao último minuto. Mas como disse, este é o passo que necessito enquanto piloto para a minha carreira e é nessa base de confiança que construirei um projeto nos próximos anos", começou por explicar o piloto luso.

Questionado sobre a duração do contrato (dois anos) e sobre se o mesmo significa um olhar para o futuro, para a possibilidade de subir à equipa principal, o piloto de Almada assume que é algo que foi considerado. "Quando explorámos a oportunidade, sabíamos bem que os contratos são de um período de dois anos. Com possibilidade de outros dois. Essa transição estará em mente, caso ambas as partes acharem que isso é possível. Da parte técnica é algo ainda em aberto para o futuro. As minhas não são levar ninguém da equipa KTM atual. Em relação ao empenho da equipa, é garantidamente 100%. Agora na próxima corrida teremos ter os testes em Misano, há coisas que não vou testar, porque a nossa colaboração irá terminar. Tudo o que poderei aproveitar, vou aproveira, numa ótica de explorar o potencial da moto e o meu potencial e da minha equipa. O futuro não estará obviamente comprometido por tomarmos caminhos diferentes no final desta época."

2022 não tem sido um ano fácil, apesar de até já ter vencido uma corrida. Miguel Oliveira assume-o. "Emocionalmente, as épocas de transição e de mudança nunca são fáceis. Sempre foi mais fácil emocionalmente continuar na KTM, mas acredito que tomei um passo na direção certa, saindo um pouco da minha zona de conforto e tomar aquilo que era certo por algo que não é certo. Apesar de a moto ser muito aliciante. Era emocionalmente mais confortável e até pelas condições que me foram melhoradas ao longo das negociação, era muito tentador ficar, mas, desportivamente, será o passo correto no meu futuro."

O piloto de Almada admite que a situação de incerteza, de certa forma, acabou por afetar um pouco o desempenho. "Da minha parte, sempre tentei ao máximo conseguir separar bem as direções, mesmo comunicando as minhas decisões e sendo como sempre transparentes com a KTM. Tentámos ao máximo que isso não afetasse o fim de semana de corrida. Há muita coisa que vai surgindo, que tem de ser filtrada. Não posso dizer que não afetou, porque há sempre algumas dúvidas, conversas que podem afetar confiança e foco. Apesar de ter sido um período longo, talvez tenha havido um fim de semana ou outro em que as conversações tenham sido mais intensas. Da minha equipa também equipa, porque vão ter um futuro diferente. Enquanto equipa sofremos um pouco toda esta incerteza nestes tempos".

Sobre aquilo que terá na Aprilia, Miguel Oliveira espera uma abordagem similar às outras marcas, com a possibilidade de ter ao seu dispor os melhores componentes. "No futuro julgo que o sistema será similar ao de outros construtores. Com peças e componentes testados e atribuídos a quem tenha melhor performance. Vimos isso na Ducati, com o Bastianiani a receber peças dessa forma. Julgo que todos têm essa filosofia, de o construtor sair por cima. Não troquei impressões nenhumas com os pilotos, até porque todo o processo foi feito com algum secretismo dentro do possível. Mas iremos obviamente trocar alguma impressão quando for oportuno. Durante a época o nosso foco não é falar sobre isso, estou 200% empenhado com a KTM, nem sequer tenho a cabeça virada para pensar em aspetos técnicos do futuro", finalizou.

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