Queixas podem levar Dakar a alterar regras de partida: «Todos os dias volto para trás de pilotos mais lentos»

Organização do rali admite rever um ponto das regras que este ano tem causado muitas queixas

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Confrontado com as críticas, o diretor da corrida, o francês David Castera, admite alterar a regra já na próxima edição.
Confrontado com as críticas, o diretor da corrida, o francês David Castera, admite alterar a regra já na próxima edição. • Foto: AP

A organização do rali Dakar de todo-o-terreno, que termina sábado na Arábia Saudita, admite rever um ponto das regras que este ano tem causado muitas queixas dos pilotos e que tem a ver com a ordem de partida para as etapas.

À agência Lusa, vários pilotos portugueses dizem-se prejudicados pela regra que obriga os concorrentes a terminarem cada etapa com 117 por cento do tempo do vencedor da respetiva categoria, sob pena de serem recolocados em lugares mais atrasados e atrás de pilotos que fizeram pior tempo.

"Nós temos a regra de não poder ultrapassar 117% do tempo do vencedor da categoria. Se os SSV conseguem fazer esses valores facilmente, para mim, conseguir gastar apenas mais 17% do tempo de um Nasser [Al-Attiyah, líder da classificação dos automóveis], quando eu estou em condições mais difíceis de pista, de navegação, de ultrapassagem de muitos pilotos, é muito complicado", frisa Maria Luís Gameiro (Mini), que corre nos carros.

A piloto português queixa-se que "as regras da organização fazem com que todos os dias volte para trás de pilotos mais lentos".

Também Hélder Rodrigues (Polaris), que compete nos SSV, se queixa de ver muitos pilotos mais lentos serem colocados à sua frente, prejudicando o desempenho devido à necessidade de fazer mais ultrapassagens no meio do pó.

"Nesta categoria estamos a ser muito prejudicados. Até podemos fazer um bom resultado, mas só podemos ir a 125 km/h. Quando paramos numa zona de abastecimento, todos os camiões e carros que passámos anteriormente voltam a ficar à nossa frente porque nós temos de parar meia hora e eles param apenas cinco minutos. Andamos assim os dias todos", relata o piloto de Sintra.

Rui Carneiro (BBR), que corre na categoria Challenger, admite mesmo subscrever a ideia posta a circular no acampamento de criação de um sindicato de pilotos.

Confrontado com as críticas, o diretor da corrida, o francês David Castera, admite alterar a regra já na próxima edição.

"É algo que não está totalmente nas minhas mãos mas quero alterar as coisas. A mim também não me agrada. No ano passado tivemos a mesma regra com 115%. Este ano alargámos para os 117% e está a dar problemas, porque temos mais carros na categoria T1+, mais pilotos bons, pelo que os que antes ficavam entre o 25.º e o 35.º lugar agora ficam entre o 35.º e o 45.º e já não entram nos 117%. Há que ter isso em conta", diz, em entrevista à agência Lusa.

Castera abre a porta a um regresso ao passado: "A regra de que eu mais gosto é a de que cada piloto arranque da posição em que terminou na etapa anterior. Se foi 50.º, parte de 50.º. Se foi 80.º, parte de 80.º. Para mim, é a única regra viável. Só temos de ver o que fazemos com os pilotos prioritários. Se o Nasser tiver um problema numa etapa, não pode sair de 80.º, porque em termos de segurança não faz sentido [pois é muito mais veloz que os outros pilotos]".

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