Miguel Barbosa em tempos de Covid recorda Dakar

Desporto tem sido um pilar fundamental no dia-a-dia do piloto em confinamento

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Caros leitores do Record, espero que se encontrem bem de saúde, assim como todos os vossos. Aqui por casa estamos bem, tal como a restante família. Estou bastante grato por isso. Estamos todos em confinamento já desde o dia 11 de março quando fui buscar os meus filhos à escola. Já passou muito tempo e, tal como todos os que estão em confinamento, já estamos bastante saturados. De qualquer forma temos tentado manter as nossas rotinas. O desporto tem sido um pilar fundamental no dia-a-dia e é assim que começo todas as manhãs, com atividade física, depois de tomar o pequeno almoço com os meus filhos que começaram agora com o ensino à distância. Dedico grande parte do tempo matinal à preparação física, de modo a poder estar no melhor possível para quando pudermos regressar à normalidade e às competições.

Tenho três filhos, dois dos quais a ter ensino à distância. O processo não é fácil, mas adaptação tem sido boa. É uma forma das crianças se manterem ocupadas e com objetivos, o que é fundamental. Tentamos manter o mais novo entretido de outras formas.

Na crónica de hoje gostaria de recordar a altura em que o Dakar passou por Portugal. O Rali Dakar é uma prova de sonho, que tivemos a sorte de ter com partida de Lisboa. Foram momentos únicos, fantásticos. Houve na altura um boom no todo-o-terreno que é uma das modalidades mais bem-amadas em Portugal. Foram anos de grandes sucessos, com a partida de Lisboa muito bem organizada e especiais espetaculares desenhadas em Portugal. Penso que o Dakar deu um salto qualitativo nessa altura. Mas depois veio o pior, a anulação do Dakar no ano de 2008, que faz recordar estes tempos que vivemos agora, o choque que foi na altura, quando estava tudo pronto para partir para mais uma edição e de um momento para o outro (na altura motivado por uma ameaça terrorista) a prova rainha foi cancelada. Atualmente o enquadramento é outro, muito diferente, com impacto ao nível da saúde. Os contornos são outros obviamente, as consequências não são comparáveis, mas o choque inicial foi parecido.

Recordar o Dakar, os momentos da sua partida em Portugal são ótimas recordações. A prova estava garantida com partida em Portugal, teria sido excelente para a nossa modalidade, até porque em meu entender reunimos todas as condições para continuar a ter a prova a partir do nosso país.

Em 2009 não conseguimos participar no Dakar, no seguimento do impacto financeiro que toda a situação teve no nosso projeto. Regressámos em 2010, já com a prova a disputar-se na América do Sul, a partir de Buenos Aires. Uma competição fantástica, com um público fantástico, mas que não reunia as condições que necessitávamos para os nossos patrocinadores. Foram alturas muito boas e outras menos, mas tenho a certeza que em breve melhores momentos estarão para vir. O Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno já começou, já se realizou uma prova. Vamos ver o que nos reserva a segunda parte do CPTT. O importante agora é protegermo-nos, protegermo-nos a todos, tentar retomar a atividade económica e que as nossas vidas possam voltar à normalidade. Será um retomar diferente, com um tempo de adaptação, mas cá estaremos todos para em conjunto, em equipa, tal como nas corridas, vencermos esta batalha.

Fiquem bem. Cumpram as recomendações da Direção Geral de Saúde. Se se ausentarem do domicílio usem máscara e obrigada a todos aos que se mantém no ativo em prol de todos nós.

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