Muito mais do que uma questão de estilo

Laurentino: Nadar debaixo de água é a forma mais rápida de progredir, mas nem todos têm o mesmo talento para esta técnica"...

Muito mais do que uma questão de estilo
Muito mais do que uma questão de estilo • Foto: Reuters

Nadar debaixo de água (apneia) não faz parte do programa das provas da natação – mas há quem se aventure para ver quem nada mais tempo sem oxigénio –, mas é tão importante saber esta arte como nadar os estilos tradicionais (costas, mariposa, crawl e bruços). E tirar o maior proveito da vertente subaquática pode fazer a diferença, por exemplo, entre conquistar uma medalha de ouro ou prata ou bater ou não um recorde do Mundo.

Nos recentes Mundiais de piscina curta que decorreram em Doha, foram pulverizadas muitas marcas, entre elas a conseguida pelo francês Florent Manaudou nos 50 metros costas, que fixou o novo recorde mundial em 22,22 segundos, contra os 22,61 que pertenciam ao norte-americano Peter Marshall desde novembro de 2009. O jornal “L’Equipe” analisou ao pormenor a prova do gaulês, fez as contas e chegou à conclusão que, dos 50 metros, Manaudou apenas percorreu 18,39 no estilo costas, sendo os restantes realizados debaixo de água – máximo legal de 15 metros por cada piscina, 30 no total –, e nas viragens (ver infografia).

“Quanto mais um nadador conseguir potenciar esta técnica [apneia], melhor resultado conseguirá”, disse o ex-nadador Nuno Laurentino, que conseguiu, ao longo dos 32 anos de carreira (terminou em 2007), cerca de duas centenas de recordes nacionais, alguns deles em costas, estilo, que a par da mariposa, “são os que proporcionam maior rendimento ao nadar em apneia”.

Treino

O antigo nadador do Algés refere, no entanto, que nem todos conseguem tirar o mesmo rendimento do percurso subaquático. “É preciso muito treino. Hoje em dia, dedica-se o mesmo tempo a treinar apneia e o estilo.” E dá exemplos. “Estamos agora a falar deste momento do Manaudou nos 50 metros costas, mas imaginemos uma prova de 200 metros, em que se tem de fazer sete viragens, e onde os percursos subaquáticos são em maior número. Para se nadar bem sem oxigénio, é preciso muito trabalho.”

Em suma, nadar é muito mais do que uma questão de estilo.

Manaudou é nome de campeões

O apelido Manaudou é sinónimo de ganhar, medalhas, recordes. Florent tem 24 anos e segue as pisadas da irmã Laure, 28, também ela um das grandes estrelas do desporto francês, tendo abandonado a carreira em janeiro de 2013.

Florent soma 19 medalhas internacionais (14 de ouro), sendo que as três últimas foram conseguidas no Mundial de piscina curta em Doha. Venceu os 50 metros costas, livres e a estafeta 4x100 livres. Já Laure somou 37 pódios (22 no 1.º lugar).

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