Futebol Americano massacra cérebros e preocupa Obama

Mais de 90 por cento dos jogadores da NFL têm traumatismos cerebrais que lhes podem comprometer as vidas...

Futebol Americano massacra cérebros e preocupa Obama
Futebol Americano massacra cérebros e preocupa Obama

Tão perigoso quanto popular, o Futebol Americano tem colocado em causa a vida de muitas das suas principais estrelas ao longo dos anos. Numa amostra de 34 cérebros de antigos jogadores, analisada por um laboratório em Boston, 33 acusaram Encefalopatia Traumática Crónica, uma doença também comum em lutadores de boxe e de artes marciais.

“Tornou-se num homem muito diferente daquele com quem me casei”. Foi com estas palavras que a mulher de Tom McHale, antiga estrela da NFL (Liga norte-americana de futebol), resumiu os comportamentos do marido, que morreu com problemas cerebrais aos 45 anos.

Tal como muitos dos cérebros analisados pela neurologista norte-americana Ann MgKee, McHale padecia de Encefalopatia Traumática Crónica, uma doença provocada por traumatismos repetidos, típica em modalidades de grande violência como o Futebol Americano. A doença tem como consequência a perda de memória, de equilíbrio físico e emocional, lentidão de movimentos, raciocínio e fala.

Uns ficam com a vida diferente, outros... deixam de a ter. Foi este o caso de Junior Seau, um ex-linebacker de craveira (foi 12 vezes eleito para a equipa All-Star da liga), que, já depois de se retirar, não aguentou as sequelas das constantes pancadas que sofreu e acabou por se suicidar com um tiro no peito.

Após a autopsia, e tal como era o desejo de Seau, o cérebro do falecido jogador foi entregue para estudo, de forma a servir de exemplo para haver mais proteção dos jogadores. O resultado? Tinha Encefalopatia Traumática Crónica, que lhe estava a causar insónias nos últimos sete anos de vida e que obrigava a tomar vários analgésicos.

Os repetidos casos de jogadores que vêem a vida comprometida devido a lesões contraídas enquanto competem, tem obrigado a NFL a abrir os cordões à bolsa através de avultadas indeminizações: 564 milhões de euros, “um acordo histórico, que vai compensar aqueles que tudo deram pela modalidade”, afirmaram na altura os responsáveis da Liga em comunicado.

Obama lança alerta

A preocupação em relação à demasiada agressividade do desporto mais mediático dos Estados Unidos chegou inclusive ao presidente, Barack Obama, que afirmou publicamente que algo necessita de ser feito no sentido de mudar o rumo que o desporto tem tomado.

“Acredito que todos os que amam este desporto têm de assumir que provavelmente a modalidade sofrerá uma transformação gradual, no sentido de reduzir a violência. Em alguns casos é possível que se torne menos emocionante, mas será muito melhor para os jogadores”, afirmou sobre o polémico tema.

O presidente garantiu no entanto estar mais preocupado com o Futebol universitário e confessa que teria dúvidas em aconselhar um filho seu a praticar a modalidade: “Os jogadores profissionais têm um sindicato, são adultos, tomam decisões por si mesmos e são bem recompensados pela violência que aplicam aos seus corpos”.

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