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A NFL, mais conhecida pelos escândalos relacionados com doping e analgésicos, comportamentos pouco civilizados dos jogadores, do que pelo jogo em si, faz agora manchetes com outra situação pouco edificante, que promete alimentar uma verdadeira novela na comunicação social norte-americana nos poucos dias que antecedem a disputa da 49.ª edição da Super Bowl, a 1 de fevereiro.
Tudo porque se descobriu que um dos finalistas terá recorrido a um estratagema que, questione-se ou não a dimensão e influência do impacto que produziu, deu uma ajudinha na qualificação.
Acresce a isto que o prevaricador não é novo nestas andanças de pisar o risco e tem um treinador cuja imagem remete para o mal, mais propriamente para o lado negro… da força. Trata-se dos New England Patriots de Bill Belichick e a infracção é jogar o ataque com bolas meio vazias.
Pontos prévios. Primeiro, os Patriots arrasaram os Indiana Colts na meia-final, triunfando por 45-7 para assegurar o direito a defrontar os campeões em título, Seattle Seahawks, em Glendale, cidade vizinha de Phoenix (Arizona).
Segundo, é muito mais fácil lançar, agarrar e transportar uma bola com menos ar do que a medida regulamentada, sobretudo em más condições meterológicas como as que se verificavam no domingo, em Foxborough, onde se localiza o Gillette Stadium – no futebol americano, isso significa maior facilidade de ganhar jardas e fazer “touchdowns”.
Terceiro, 11 das 12 bolas atribuídas aos Pats no jogo contra os Colts passado, tinham valores de ar significativamente inferiores ao regulamentado (menos 2 psi, ou 0,137 bar). Como é normal, cada equipa só utiliza as "suas" bolas nos "seus" ataques, pelo que só mesmo os Patriots é que tiraram proveito dessa vantagem, reconhecida nos últimos dias por vários antigos jogadores e comentadores.
Mas, o agora chamado “Deflategate” só se instalou no topo das prioridades dos norte-americanos devido a D’Qwell Jackson. O “linebacker” dos Colts intercetou uma jogada do “quarterback” Tom Brady e deu a bola a um membro da sua equipa, que notou a irregularidade, contando de imediato ao treinador Chuck Pagano.
Colocada ao corrente, a NFL encontrou outras 10 bolas nas mesmas condições e abriu uma investigação, que visa descobrir como é que foi possível tal acontecer, pois o árbitro Walt Anderson não terá detetado qualquer irregularidade na inspecção que fez 2H15 antes do início do jogo, segundo a ESPN avançou, precisando que o problema terá sido detetado ao intervalo e de imediato corrigido, não se percebendo se no final do jogo se voltava a verificar.
Mais. Os Patriots avançaram depois que deteram problemas com as bolas recebidas, acabando por seleccionar 12 em 24, enquanto os Colts sublinharam que tiveram preocupações em relação à legalidade das bolas utilizadas pelo adversário no jogo da temporada regular no Gillette Stadium, a 16 de novembro, e que disso deram conta á NFL.
O propósito do esvaziamento da bolas parece claro: obter vantagem sobre o adversário. Está por definir se existirá lugar a sanções, sabendo-se que o regulamento contempla uma multa de 25 mil dólares e uma pena para quem altere o estado das bolas depois de inspecionadas pelos árbitros.
E, partindo destes pontos é preciso notar que não é a primeira vez que o nome dos Patriots surge ligado a situações “normais” de batota e outra mais grave, sempre com Belichick na berlinda - um treinador que, com o apuramento de domingo, levou a equipa a seis presenças na Super Bowl, onde se contabilizam três títulos, o último dos quais em 2007.
Curiosamente, 2007 foi também a temporada do “Spygate”, caso assim denominado por se tratar de espionagem. Belichick foi multado em 500 mil dólares - e a equipa em 250 mil -, perdendo ainda o direito exercer uma escolha na primeira ronda do “draft”, por ter mandado gravar em vídeo os sinais que os adversários faziam junto ao banco e que servem para afinar estratégias de ataque e defesa.
O treinador, que construiu - e soube depois manter - uma equipa sólida em torno de Brady desde 2000, é um caso de sucesso e, também por isso, alvo de inveja e ódios. Acaba por ser conhecido por Imperador Palpatine porque anda muitas vezes mal-humurado - o que fará parte da imagem que pretende passar - e de capuz na cabeça, como sucede com a personagem da Guerra das Estrelas, personificação do mal.
Há poucos dias, a 10 de janeiro, após a derrota frente aos Patriots, Jim Harbaugh, treinador dos Ravens perdeu a cabeça e entrou mesmo dentro de campo por não ser marcada infracção a uma formação defensiva que, no seu entender, era ilegal. Um caso menor, mas que valeu a eliminação à sua equipa, com Belichick a rir, protegido pelo capuz.
Agora, com o “Deflategate”, os responsáveis da NFL estão chocados e furiosos com os Patriots que, pelo menos, deixarão uma nódoa na final que mexe sempre com muitos milhões, após uma temporada já de si difícil, marcada pela trapalhada que foi a gestão do caso Ray Rice, “runing back” dos Baltimore Ravens, que acabou banido por ter agredido brutalmente a mulher.
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