A seleção portuguesa de canoagem apresenta-se nos Mundiais da Hungria na "melhor forma de sempre" e o técnico Ryszard Hoppe acredita poder apurar "sete a nove atletas" para os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.
"Penso que podemos apurar sete a nove atletas, caso estes cumpram com o pleno das suas capacidades. Durante o controlo no fim do último estágio, todas as tripulações mostraram a melhor preparação até hoje, seja comparando com os outros anos ou em relação às Taças do Mundo e Europeus deste ano", congratulou-se o selecionador.
A forma da seleção de 12 elementos em Szeged (os Mundiais disputam-se de quinta-feira a domingo) está no máximo, mas Ryszard Hoppe tem a mente formatada "apenas para o apuramento para Londres'2012", já que as medalhas, sendo importantes, são um objetivo secundário nesta competição.
"Mentalmente, o mais importante é fazermos em prova o máximo para que estamos preparados. Não pensar em medalhas, mas em apurar para Londres'2012. Mas, se fizermos tudo a 100 por cento, é possível ganhar medalhas, como já o fizemos nas Taças do Mundo e no Europeu. O objetivo é dar tudo na água e apurar. Depois haverá metas mais altas para o próximo ano, nos Jogos Olímpicos, em que certamente o nosso objetivo será ganhar medalhas", vincou.
Em entrevista à Agência Lusa, Ryszard Hoppe lembra que estes vão ser os Mundiais "mais participados e competitivos de sempre, pois, com o novo sistema de apuramento, todas os países apostam tudo nesta prova, que, por exemplo, constitui a única possibilidade de apuramento para os K4, as tripulações mais fortes de Portugal".
Ao todo, são 94 os países e cerca de 2 mil os canoistas, numa competição em que Hoppe dá natural prioridade aos K4 masculino (campeão da Europa) e feminino (quarto no europeu).
"Se o conseguimos, poderemos fazer todas as provas em Londres'2012", já que os elementos da tripulação podem ser divididos nos Jogos Olímpicos para competir também em K1 e K2, explicou.
Ainda assim, o técnico de origem polaca acredita que "os K1 (oito primeiros) têm possibilidade de apurar diretamente, tal como os K2 (seis melhores)".
"No K2 200 metros o nosso barco melhorou bastante, mas sabemos que é uma lotaria. Não é suficiente estar bem preparado. Basta uma falsa pagaiada na largada para se perderem três anos de trabalho", diz, revelando ainda "grande esperança" no êxito da C1 Hélder Silva, "que este ano foi a todas as finais das provas internacionais".
Ryszard Hoppe contraiu um problema de saúde há três semanas, que o debilitou consideravelmente - esteve internado uma semana no hospital de Coimbra e perdeu sete quilos -, mas, mesmo em repouso em Szeged, promete estar na pista sempre que os seus pupilos competirem.
"Era muito importante estar aqui. Não queria que os meus atletas ficassem a pensar como estaria a saúde do treinador. Estando cá, estão todos mais calmos. Há uma boa atmosfera. Vai correr tudo bem", vincou, admitindo que não está em condições físicas de se expor ao ritmo normal de competição, "estando na pista das seis às 20 horas".