De criança terrível a rei do skate

Tony Hawk, o melhor do Mundo na modalidade, regressou a Portugal 23 anos depois para impressionar miúdos e graúdos...

De criança terrível a rei do skate
De criança terrível a rei do skate • Foto: MIGUEL BARREIRA

Se ainda há quem hesite sobre quem é o melhor do Mundo no futebol, numa luta de argumentos entre os que defendem Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi, no skate não há lugar para discussões. O melhor do Mundo, a lenda de quem todos falam chama-se Tony Hawk e regressou no fim de semana a Portugal, 23 anos depois de ter impressionado miúdos e graúdos no Dramático de Cascais.

Os jovens da altura são os adultos de agora, que o trouxeram de volta para o “Moche Tony Hawk and Friends Show”, que aconteceu em Carcavelos. O norte-americano nascido na Califórnia conta já 45 anos e uma carreira invejável. Embora, para um olhar mais atento, já se vissem paragens maiores – para recuperar o fôlego – entre o balançar da rampa gigante, que foi montada a propósito do evento, Tony Hawk continua a ser o monstro do skate de que sempre ouvimos falar. Em entrevista a Record, ficámos a saber mais acerca do homem que traz nas costas o peso de 12 campeonatos mundiais na modalidade Vertical, 8 X-Games e 3 campeonatos mundiais de Street Style.

Em criança, havia quem o descrevesse como um autêntico pesadelo. Havia naquele miúdo energia a mais. Talvez aquilo a que hoje em dia se chama de “hiperativo”. Mas eram outros tempos. Outras mentalidades. Naquela altura, a solução para o problema passou a ser o seu futuro. “Em miúdo era imparável, andava sempre de um lado para o outro e quando descobri o skate, foi uma forma de conseguir libertar essa energia”, confessa. Tony Hawk agarrou-se ao skate que o irmão mais velho lhe deu e não o largou até hoje. “Comecei a andar com os meus amigos, depois lá fui até ao skate parque e comecei a ver o pessoal a voar com o skate e aí decidi: é isto que eu quero fazer para o resto da minha vida.”

Homem-pássaro

E assim foi. Aos 14 anos tornou-se profissional na modalidade, apostando principalmente nas chamadas pistas verticais – pistas em forma de “U” em que os skaters mostram várias manobras. A experiência deu-lhe uma alcunha: “Birdman” (“Homem-pássaro”). O nome surgiu quando, nos X-Games em 1999, e após 11 tentativas mal sucedidas, completou a manobra que é a sua imagem de marca e que consiste em dar duas voltas e meia no ar (o chamado 900 graus).

Hoje em dia, serve de exemplo para muitas crianças e jovens. Um deles é o seu filho. Riley tem 20 anos e é já uma grande promessa do skate mundial. “Costumava dar-lhe conselhos, mas acho que ele está a dar-se muito bem, e é divertido vê-lo no skate. Claro que é sempre complicado quando o vejo cair, mas ao mesmo tempo sei que ele é apaixonado pela modalidade e que tudo passa”, confessa Tony Hawk.

Para a lenda do skate, esta é uma modalidade que tem vindo a crescer muito internacionalmente. Sinal disso, e da sua importância no mundo do skate, foi o convite que recebeu para ir à Casa Branca em 2009. “Foi muito divertido, não me arrependo. Houve quem ficasse chateado, porque diziam que era uma falta de respeito andar de skate na Casa Branca, mas não concordo. Acho que foi apenas para celebrar o skate que me convidaram”, recorda. Nesse mesmo dia, teve oportunidade de conhecer o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Tony Hawk confessa que conhecê-lo “foi ‘superfixe’”. “Fiquei feliz de ele saber quem eu era. Eu estava um pouco nervoso, mas acima de tudo estava excitado!”, diz.

Feliz

Portugal não é a Casa Branca, nem o público português é Barack Obama, mas Tony confessou estar muito feliz por regressar a Cascais. Mas, afinal, por que levou 23 anos a fazer o percurso de volta? “Não houve nenhum convite antes”, atira, imediatamente, prático e direto. Para a organização, a decisão de ter Tony Hawk foi imediata. “Para marcar o primeiro ano tínhamos de trazer uma lenda do skate”, explica Francisco Spínola, que, aliás, esteve presente na última vez que Tony Hawk esteve em Portugal. “Eu tinha dez anos, fui com o meu pai, e na altura comprei uma t-shirt que a minha mãe encontrou agora e eu trouxe-a de novo para ele assinar”, confessa o membro da organização.

Desde 1977 – quando pegou num skate pela primeira vez – até hoje, Tony Hawk já sobreviveu a duas gerações de skaters. Estará este californiano de poucas palavras preparado para a terceira? “Já sinto que estou na terceira, não sei bem como... E estou pronto para continuar a tentar!”, conclui.

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