Ginástica: "Flic Flac" entre o desporto e a arte

Uma viagem por territórios da imaginação, com a ajuda de 11 ginastas...

Ginástica: "Flic Flac" entre o desporto e a arte
Ginástica: "Flic Flac" entre o desporto e a arte • Foto: PEDRO FERREIRA

Manuel Campos, Diogo Ganchinho e Zoi Lima são os três nomes mais sonantes de um elenco que junta um total de 11 ginastas, das diversas Seleções Nacionais, e 12 performers de várias artes. E são os mais sonantes porque este ano marcaram presença nos Jogos Olímpicos de Londres. Mas em palco, no Multiusos de Odivelas, até amanhã, a competição fica fora de uma viagem que pretende dar a conhecer ao grande público a outra face da ginástica.

“Há disciplinas na modalidade que estão muito próximas da arte. Os ginastas têm uma perceção do espaço muitíssimo boa, sabem sempre onde está o seu centro de gravidade e normalmente têm de fazer posições que se aproximam da perfeição”, começa por explicar Virgílio Ferreira, coordenador do projeto e autor do guião.

Mas como a proposta não era fazer apenas um espetáculo gímnico, juntaram-se bailarinos, músicos e artistas de circo... até se chegar a uma simbiose entre o desporto e a arte.

Navegar

O espetáculo, que dura hora e meia, é uma viagem, sobretudo, por territórios da imaginação. “A ideia de uma viagem de memórias surge por ser transversal à nossa cultura. Este ato é real mas sobretudo imaginado. Não temos água, mas recriamos a sua presença; os nossos barcos não conseguem navegar, mas eles vão fazer com que isso aconteça. A imaginação é algo que temos de cultivar e que os atletas têm... Eles sonham com conquistas, com pódios, com medalhas...”, afirma quem podemos chamar de o pai do espetáculo. Virgílio Ferreira refere ainda as duas referências dadas aos atletas em busca de inspiração: “O principezinho”, de Saint-Exupéry, e “Corto Maltese”, de Hugo Pratt.

Num cais, onde as personagens navegam nas águas das memórias, desafiam a gravidade e a beleza, em bailados misteriosos. As lanternas marítimas, o farol, as estrelas... tudo surge, nem que seja apenas na nossa imaginação.

E assim foi no dia em que Record assistiu a um dos últimos ensaios do espetáculo, que pretende percorrer o país em 2013. No Multiusos de Odivelas, o nervosismo fazia-se sentir antes da entrada em cena. Os sons do mar, das gaivotas, dos barcos transformam o pavilhão num cais mágico onde tudo é possível... e começa o espetáculo.

Os aparelhos de ginástica parecem sofrer uma transformação de tal ordem, que no decorrer da história facilmente nos esquecemos que na realidade estes são os mesmos equipamentos em que os ginastas passam muitas horas diárias, em busca da perfeição. Aqui a perfeição é levar o espectador a ficar enleado na história de “Flic-Flac”, de entreter o público, de o atrair para a modalidade.

Experiência

“Este é um espetáculo com risco, mas diferente. Tem rítmica, artística, acrobática, aeróbica, trampolins, mas não é ginástica é o ‘Flic-Flac’”, descreve Manuel Campos, atleta de ginástica artística masculina, que esteve presente nos Jogos Olímpicos de Londres’2012. E tal como Diogo Ganchinho e Zoi Lima, os outros dois olímpicos, nem pensou duas vezes quando surgiu a oportunidade de fazer parte do elenco. “Uma experiência totalmente diferente, mas muito engraçada”, qualifica o ginasta natural do Porto.

Diogo Ganchinho, o nosso homem dos trampolins em Londres’2012, destaca a importância de não haver apenas provas de competição e, por isso, salienta que este “é um projeto diferente e muito enriquecedor” e, tal como diz Zoi Lima, a representante portuguesa da ginástica artística feminina nos últimos Jogos, “se existirem novas oportunidades, gostaria de repetir a experiência de representar”, até porque os espetáculos são todos diferentes.

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