Eles também sofrem pela bola
Atletas do World Tour confessam as suas preferências clubísticas...
No surf não há penáltis. Há ondas perfeitas. No surf não há expulsões. Há interferências. No surf não há onze contra onze. Há o atleta contra a natureza. Por muito que os amantes deste desporto de ondas se afastem do típico amante de futebol, ainda há quem partilhe as duas paixões e encontre espaço para ambas. Entre dribles e descidas de onda, há surfistas brasileiros, principalmente, para quem o futebol está sempre no coração.
"Eu sei que aqui em Portugal o futebol é muito importante", começa por dizer Filipe Toledo, ainda na corrida pelo primeiro lugar no Moche Rip Curl Pro Portugal, que ontem teve mais um ‘lay day’. Em Peniche, e depois de uma prestação exemplar no primeiro round, no passado sábado, Record esteve à conversa com Filipinho, surfista de Ubatuba, São Paulo, filho do bicampeão brasileiro Ricardo Toledo. "Eu torço muito pelo Corinthians. Toda a minha família torce. Passei a minha infância a jogar futebol, quando era ‘moleque’ [criança]. Mas um dia ‘machuquei’ o tornozelo e então parei de jogar. Hoje tenho medo. Gosto só de jogar na areia da praia, com amigos, nada muito sério", conta-nos o jovem, de 20 anos.
Corinthians no coração
Quem também partilha esta paixão pelo clube brasileiro que veste de preto e branco é o surfista Miguel Pupo. Assim que se aproxima e percebe que o tema é futebol pergunta: "E aí, Patrícia, você é Benfica ou Porto?" Uma rápida explicação de que há outros clubes no país fá-lo voltar à timidez a que já nos acostumou. "Quando eu era pequeno jogava à bola todos os dias. Organizavam gincanas [torneios] na escola e eu participava sempre. Não era dos melhores mas era um zagueiro [defesa central] bom [risos]", conta. "Agora, o surf levo muito a sério. Não há mais tempo para brincadeira", justifica. E como adepto ferrenho do Corinthians acrescenta, sorridente: "É o líder do Brasileirão. Só faltam umas rodadas para ser campeão e vamos comemorar bastante."
Aliás, no Brasil, o futebol está bem mais próximo do surf do que em Portugal. Adriano de Souza, por exemplo, já foi patrocinado pelo Corinthians. Embora já não tenha o emblema do clube colado na prancha, continua a gostar de futebol, como confirma um dos seus melhores amigos, o português Tiago ‘Saca’ Pires. "O Adriano até me disse que se não tivesse havido prova domingo gostava de ter ido ver o dérbi", diz o surfista português, que esteve sete anos entre a elite do surf mundial. Aliás, em 2009 chegou mesmo a falar-se na hipótese de ser atleta do Benfica. "Houve alguns contactos, mas acabou por não seguir em frente. Eu não podia usar um equipamento do clube, porque há outro tipo de vínculos com marcas de roupa de surf. Acabou por não resultar, mas tenho o Benfica no coração."
