Estoril Open: Rocha no fundo de campo

Foi mesmo um jogo entre verdadeiros amigos, conforme se pôde testemunhar no final quando Diogo Rocha não foi tão efusivo na forma como comemorou uma das suas melhores vitórias da sua carreira, ao derrotar o campeão nacional Leonardo Tavares, em três "sets", por 7-5, 2-6 e 6-3, ao fim de duras horas e 25 minutos.

"O sorteio ditou que eu tivesse o adversário mais fácil e para ele também, mas notei que se calhar ele não estava satisfeito como se tivesse ganho a outro jogador", disse no final Leonardo Tavares, sustentando que a derrota acabou por ser uma "boa lição" para continuar a treinar com o mesmo empenho e dedicação. "Esta vida é feita de altos e baixos e se calhar estava a passar por um momento alto. Isto dá para reflectir. Se calhar até foi bom", vincou o pupilo de João Maio, que teve uma importância decisiva na eliminatória em que Portugal ganhou à Tunísia no último fim-de-semana.

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Sabendo-se da longa amizade entre os dois jogadores nortenhos e tendo a certeza que um iria estar na segunda ronda, a partida foi, como se previa, bastante tensa, desde o início. "Nós conhecemo-nos muito bem desde miúdos e cada um de nós queria ganhar. Penso que o favoritismo era repartido. A táctica era assentar jogo e ser consistente. Sabia que o Leonardo poderia oscilar e oscilou, porque vinha do piso rápido. Fez toda a preparação para a Taça Davis", comentou Diogo Rocha, que não escondeu o facto de em mais de uma dezena de confrontos com Leonardo Tavares este ter sido aquele em que acusou "maior nervosismo. É o peso do Estoril Open e de toda a atmosfera que envolve o torneio", assegurou o pupilo de Pedro Cordeiro, cujos conselhos foram seguidos à risca: "Pedi-lhe para ser paciente e querer ganhar o jogo. Foi uma vitória da coragem e da determinação e da mentalidade com que encarou o jogo. Para quem estava arrumado para o ténis, foi uma excelente vitória. O Leonardo fez o jogo dele e o Diogo quis ganhar", acrescentou Cordeiro, que tem a perfeita consciência de que diante de Juan Ignacio Chela as hipóteses de Diogo Rocha são bastante reduzidas. "Este era o campeonato dele, mas espero que o Diogo se liberte e possa jogar desinibido."

Falta de confiança

Do ponto de vista técnico, a partida, como já se disse, foi bastante tensa, e Leonardo Tavares sustentou que da sua parte "houve falta de confiança. Se calhar também pesou algum nervosismo. Deveria ter aproveitado mais algumas bolas curtas e ter subido mais vezes à rede. Paciência, fica para o próximo ano", frisou o campeão nacional e vencedor do Masters TMN.

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Em termos de torneios, Diogo tenciona jogar alguns "futures" nos Estados Unidos durante o mês de Maio, enquanto Leonardo Tavares abdicou da presença em torneios no Qatar para se treinar e melhorar o seu nível de ténis. "De momento não tenho nada certo", observou.

Chamada à Taça Davis

Diogo Rocha considera que a sua chamada à Taça Davis pode estar "perto", depois de ter ganho a Leonardo Tavares, o actual campeão nacional e vencedor do Masters TMN. "Não estou preocupado se o seleccionador não vai observar os meus jogos no estrangeiro. Se o quiser fazer, tudo bem, ele é que é o seleccionador", desabafou o pupilo de Pedro Cordeiro, que em tempos já foi orientado por João Maio, o actual seleccionador nacional. Tal como João Lagos, Diogo Rocha também referiu que foi fundamental a rodagem na pré-qualificação.

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Preparação no pó de tijolo

João Lagos voltou a insistir na tese de que a realização do pré-"qualifying" foi uma ajuda preciosa para os nossos jogadores. "Habituaram-se aos campos, às bolas e ao vento no Jamor. E com o Diogo Rocha sucedeu o mesmo que com a Ana Nogueira. Mostrou estar mais à vontade no pó de tijolo, enquanto o Leonardo se ressentiu de toda uma preparação virada para os pisos rápidos". Lagos sustentou ainda que o esquema do pré-"qualifying" é para se manter para os próximos anos.

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